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    Irritado, Maia não poupa críticas a Moro e à articulação do governo

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    Por Maria Carolina Marcello e Mateus Maia

    BRASÍLIA (Reuters) - Visivelmente irritado num momento em que o governo precisa do Congresso para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evitou comentar o projeto com mudanças na aposentadoria dos militares, criticou ministros e cobrou articulação do governo Jair Bolsonaro.

    Um dos alvos de duras declarações foi o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a quem Maia se referiu como “funcionário” de Bolsonaro.

    Na véspera, Maia suspendeu a tramitação de propostas do pacote anticrime elaborado pelo ministro, num momento em que a preocupação maior é garantir os votos para a reforma da Previdência. A suspensão se daria para que um grupo de trabalho possa analisar a medida com outras matérias com temas correlatos que já tramitam na Câmara.

    Nesta quarta, avisou que o projeto de Moro é um “cópia e cola” de projeto apresentado pelo ex-ministro da Justiça e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e será votado no momento “oportuno”, após a análise da reforma da Previdência. Antes disso, o ministro da Justiça havia dito não ver 'maiores problemas' na tramitação em paralelo de seu pacote com a PEC das regras previdenciárias.

    “Não, não estou irritado, acho que ele (Moro) conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro funcionário do presidente Bolsonaro”, disse Maia, questionado se estava irritado com o titular da Justiça.

    “Então o presidente Bolsonaro é que tem que dialogar comigo. Ele (Moro) está confundindo as bolas, ele não é presidente da República, não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele está passando daquilo que é a responsabilidade dele.”

    Pouco depois das declarações, Moro rebateu o presidente da Câmara e defendeu a urgência da tramitação de seu pacote.

    'Apresentei, em nome do governo do presidente Jair Bolsonaro, um projeto de lei inovador e amplo contra crime organizado, contra crimes violentos e corrupção, flagelos contra o povo brasileiro', disse o ministro, em áudio divulgado por sua assessoria.

    'A única expectativa que eu tenho, atendendo aos anseios da sociedade contra o crime, é que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso com a urgência que o caso requer', argumentou. 'Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais.'

    ORGANIZAR A BASE

    Maia também voltou a criticar a articulação política da gestão Bolsonaro e disse sentir “muita dificuldade” em tocar a reforma da Previdência se o governo não organizar sua base.

    “A base é do governo, não é do presidente da Câmara, é do presidente da República”, afirmou.

    “O presidente da Câmara pauta a matéria. Claro, como eu sou defensor da matéria, eu ajudo. Agora se o presidente da República não organizar a sua base no Parlamento, a gente fica com muita dificuldade”, disse.

    Como exemplo das falhas de articulação do governo, Maia citou viagem do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, ao Ceará, quando levou apenas um deputado consigo.

    “O ministro Canuto foi hoje ao Ceará inaugurar um ‘Minha Casa, Minha Vida’ com toda a bancada aqui, e apenas um deputado foi com ele”, disse.

    Para Maia, esse tipo de atitude não ajuda na relação entre o Executivo e os deputados. Seria preciso “estar com os deputados que votam com o governo, mostrar que estão governando juntos”, completa.

    Maia sugeriu que atos nos Estados sejam feitos às segundas e sextas-feiras para que os parlamentares possam estar presentes sem perder as sessões da Casa.

    “Ministro só deve inaugurar obra, no meu ponto de vista, se quer ter uma base, na segunda ou na sexta, para que os deputados possam estar junto com ele”, ponderou.

    “É esse tipo de sintonia fina que a gente precisa organizar... É esse tipo de articulação que eu acho que o governo ainda peca, mas está caminhando para uma solução', apontou.

    Escrito por Thomson Reuters

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