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    Itamaraty suspende férias de embaixadores para tentar reação à crise ambiental

    Placeholder - loading - Fumaça decorrente de incêndios na Floresta Amazônica perto de Porto Velho 21/08/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino
    Fumaça decorrente de incêndios na Floresta Amazônica perto de Porto Velho 21/08/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O Itamaraty decidiu suspender as férias de todo os embaixadores do Brasil na Europa e nos demais países do G7 pelos próximos 15 dias, em um esforço para coordenar uma resposta ao que está sendo chamado no governo de 'crise ambiental', disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.

    A decisão foi tomada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, depois de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Jair Bolsonaro no final da tarde de domingo. A preocupação é o estrago causado na imagem do Brasil pelas queimadas e o desmatamento na região amazônica.

    A ameaça por alguns países europeus de não ratificar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é uma das consequências da crise ambiental.

    O aviso foi feito nesta segunda-feira através de uma circular confidencial e pegou os diplomatas de surpresa, mesmo em meio ao bombardeio internacional que o Brasil vem sofrendo pelas queimadas e desmatamento na Amazônia. Alguns embaixadores que estavam em férias --esse é o período de férias escolares no hemisfério Norte-- tiveram que voltar.

    A intenção é tentar coordenar uma 'resposta diplomática' à crise. De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, a suspensão de férias não é incomum, mas normalmente é reservada à ações humanitárias, especialmente quando há risco de vida e necessidade de proteção a brasileiros.

    Na semana passada, o governo iniciou, como mostrou a Reuters, uma ofensiva diplomática para tentar reverter os estragos que as queimadas na Amazônia estavam fazendo à imagem do Brasil. Foi distribuído a todos postos diplomáticos no mundo um documento de 12 páginas com 59 itens e dados para que os diplomatas defendessem o governo das acusações de mau gerenciamento do meio ambiente.

    Além disso, também foi repassado um cartaz com 9 pontos sobre as queimadas preparado pelo Ministério do Meio Ambiente com a ordem de que todas as embaixadas e consulados os colocassem em sua página oficial nas redes sociais.

    O material afirmava, entre outros pontos, que queimadas 'acontecem todo ano no Brasil' e que este é o período crítico do ano --na verdade, o auge da seca na região Norte ainda não começou. O nono ponto apontava que 'os incêndios que ocorrem agora não estão fora de controle'.

    Até agora, a ofensiva nas redes sociais não teve muito sucesso. Diplomatas têm recebido e-mails e comentários nas redes, a sua maioria com reclamações pesadas à atuação do governo, tanto de brasileiros quanto de estrangeiros.

    A crise internacional que assolou o governo começou com a divulgação de dados de acompanhamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrando que o número de focos de queimadas este ano está mais de 80% maior do que no mesmo período do ano passado.

    Fotos da floresta queimando e de cidades da região cobertas de fumaça começaram a circular nas redes sociais, o que causou um movimento internacional de reclamações e cobranças contra o governo do presidente Jair Bolsonaro.

    (Edição de Alexandre Caverni)

    Escrito por Reuters

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