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    Jucá deixa liderança do governo por divergência sobre crise de venezuelanos em Roraima

    Por Thomson Reuters

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    Atualizada em

    SÃO PAULO (Reuters) - O senador Romero Jucá (MDB-RR) anunciou nesta segunda-feira que deixou o cargo de líder do governo do presidente Michel Temer no Senado por discordar da forma que a gestão do emedebista está lidando com a crise de refugiados venezuelanos em Roraima.

    'Acabo de comunicar ao presidente @MichelTemer que deixo a liderança do Governo por discordar da forma como o governo federal está tratando a questão dos venezuelanos em Roraima', escreveu o parlamentar em sua conta no Twitter.

    Roraima tem recebido um grande fluxo de venezuelanos que deixam seu país natal por causa da grave situação econômica e social que o atinge. A crise imigratória ganhou contornos violentos na última semana, depois que venezuelanos foram expulsos do acampamento que ocupavam na cidade fronteiriça de Pacaraima, em Roraima, sendo forçados a fugirem de volta para o lado venezuelano.

    Em sua publicação na rede social, Jucá não especificou quais são suas divergências sobre a política de Temer para a crise, mas o senador, que tenta a reeleição na eleição deste ano, tem defendido uma cota para a entrada de venezuelanos e a suspensão da passagem de fronteira em Pacaraima.

    Em entrevista coletiva no início desta noite no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que Jucá tomou uma atitude 'ética' ao deixar a liderança do governo no Senado.

    'O senador nos sugeriu uma medida, o fechamento mesmo que temporário da fronteira. O presidente, pelos compromissos internacionais que nós temos e em função da tradição brasileira de acolhimento, não cabia esse tipo de atitude, era impossível esse tipo de atitude neste momento e o senador então tomou essa decisão', disse Marun.

    'O senador Jucá está tomando uma atitude ética. A partir do momento em que ele discorda da nossa atitude em relação à questão, ele decide se afastar da liderança do governo e, a partir daí, ele tem o direito de tomar as atitudes que entender as mais devidas para a questão.'

    Marun disse que um substituto deve ser definido na terça-feira e negou que a decisão de Jucá tenha tido caráter eleitoreiro.

    'Nós pretendemos até amanhã ter resolvida essa situação. O presidente tem algumas ideias de convite e até amanhã isso estará solucionado', comentou.

    Pesquisa Ibope divulgada no dia 17 apontou Jucá numericamente na terceira posição na disputa pelas duas vagas para o Senado em Roraima, ainda que no chamado empate técnico. Mas Marun rejeitou a hipótese de Jucá deixar a liderança do governo para se descolar de Temer, que é altamente impopular.

    'A questão do senador Jucá é uma questão local', disse o ministro. 'Não vejo como um ato eleitoreiro, vejo como ato de uma pessoa digna.'

    (Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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