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    Juros do crédito habitacional para classe média serão de mercado, diz presidente da Caixa

    Por Thomson Reuters

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    Atualizada em

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta segunda-feira que os juros do crédito habitacional para classe média serão de mercado, e que as taxas não subirão no programa habitacional Minha Casa Minha Vida para 'quem é pobre'.

    Questionado se os custos do financiamento à casa própria serão elevados, ele respondeu que 'depende'.

    'Juro não vai subir para Minha Casa Minha Vida...Juro de Minha Casa Minha Vida é para quem é pobre', disse.

    Atualmente, o programa habitacional atende famílias com renda mensal bruta de até 1,8 mil reais na faixa 1, em que não há incidência de juros e o subsídio pode chegar a 90 por cento do valor do imóvel, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Regional.

    Também subsidiadas, embora em menor grau, a faixa 1.5 está voltada para famílias que ganham até 2.600 reais, com juros de 5 por cento ao ano, e a 2 destina-se a famílias com renda de até 4 mil reais, cobrando juros de 6 a 7 por cento ao ano. Na faixa 3, contudo, a renda familiar bruta mensal pode ser de até 9 mil reais e os juros cobrados são de 8,16 por cento ao ano, também segundo o ministério.

    'Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú. Na Caixa Econômica Federal, vai pagar juros maior que Minha Casa Minha Vida, certamente, e vai ser juros que vai ser de mercado. Caixa vai respeitar acima de tudo mercado. Lei da oferta e da demanda', completou o presidente da Caixa sem dar detalhes.

    Às 16:00 (horário de Brasília), as ações de construtoras de médio e alto padrão que recentemente ingressaram no Minha Casa Minha Vida, como é o caso da Cyrela e da EzTec

    Já os papéis da gigante de imóveis econômicos MRV subiam 1,45 por cento, enquanto os da Tenda, que opera sobretudo nas faixas 1.5 e 2 do MCMV, avançavam 2,68 por cento.

    Guimarães afirmou ainda que o banco vai vender carteiras de crédito imobiliário e que a Caixa 'vai passar a ser uma originadora imobiliária, mais do que reter crédito no balanço'. Segundo ele, o objetivo é que a Caixa, nos próximos 10 anos, passe a originar 70 por cento do crédito imobiliário, mas venda uma parte relevante, que pode chegar a 100 bilhões de reais.

    Segundo o presidente da Caixa, a securitização irá permitir que a Caixa expanda o crédito num cenário em que os recursos do FGTS e da poupança têm limites.

    O executivo também afirmou que o banco pode fazer até três aberturas de capital de unidades neste ano, com a área de seguridade sendo a mais adiantada. Ele mencionou como alvos de abertura, além de seguridade, as áreas de cartões, operações de loterias e gestão de fundos.

    A operação com a asset management da Caixa é a que demandará mais tempo, porque será necessário criar uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM), o que demanda autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse Guimarães.

    Os recursos levantados nas operações ajudarão a Caixa a pagar à União a dívida de 40 bilhões de reais que possui em IHCDs (Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida).

    'Eu tenho quatro anos para fazer esse pagamento e o farei. As operações (de abertura da capital) já estão adiantadas, nós faremos ao menos duas esse ano, talvez três. Mas pelo menos duas é meu compromisso com o ministro (da Economia) Paulo Guedes', afirmou o presidente da Caixa, acrescentando que uma delas deverá ocorrer ainda no primeiro semestre.

    Em dezembro, antes da posse do governo de Jair Bolsonaro, o então secretário de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria do Ministério da Fazenda, Alexandre Manoel Ângelo da Silva, afirmou que estava tudo pronto para o leilão da empresa de loterias instantâneas da Caixa, Lotex, em fevereiro deste ano.

    (Reportagem adicional de Gabriela Mello)

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