LADY GAGA VENCE BATALHA POR “MAYHEM”
JUSTIÇA DOS EUA REJEITA AÇÃO DE US$ 100 MILHÕES MOVIDA POR MARCA DE SURFE
João Carlos
19/08/2026
Lady Gaga conquistou uma importante vitória judicial nos Estados Unidos. A Justiça rejeitou a ação movida pela Lost International, empresa ligada à Lost Surfboards, que acusava a cantora de violação de marca registrada pelo uso de “Mayhem”, nome de seu álbum lançado em 2025 e da turnê mundial que acompanha o projeto.
Na decisão de 18 de agosto, o juiz federal Fernando M. Olguin, do Tribunal do Distrito Central da Califórnia, aceitou o pedido da defesa de Gaga para rejeitar o processo. A ação foi encerrada with prejudice, o que impede a Lost de reapresentar as mesmas reivindicações naquele tribunal.
O resultado representa uma vitória integral de Lady Gaga na primeira instância, embora a empresa ainda tenha a possibilidade de recorrer.
Uma disputa de US$ 100 milhões
A batalha judicial começou em março de 2025, poucas semanas depois do lançamento de Mayhem, sétimo álbum solo de estúdio de Lady Gaga.
A Lost, conhecida principalmente por suas pranchas e roupas ligadas ao universo do surfe, argumentava que utiliza o nome Mayhem comercialmente há décadas. A palavra também está associada a Matt “Mayhem” Biolos, cofundador e conhecido fabricante de pranchas da empresa.
O ponto central da disputa estava principalmente nos produtos relacionados ao álbum e à The Mayhem Ball, como camisetas, moletons e outros artigos. Segundo a Lost, a apresentação gráfica utilizada por Gaga seria semelhante à identidade empregada pela empresa e poderia levar consumidores a imaginar uma ligação entre as duas marcas.
A companhia buscava interromper esse uso comercial, receber os lucros obtidos com os produtos contestados e reivindicava pelo menos US$ 100 milhões em indenizações.
Por que Lady Gaga venceu?
A defesa sustentou que Mayhem não estava sendo empregado para sugerir qualquer associação com a Lost Surfboards. O nome fazia parte de um projeto artístico que abrangia o disco, sua identidade visual, a turnê e os produtos promocionais relacionados.
Um elemento importante para a decisão foi o chamado teste de Rogers, princípio utilizado pela Justiça norte-americana para equilibrar a proteção das marcas registradas com a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda.
Na prática, obras artísticas podem utilizar termos protegidos por marcas quando existe relevância artística para o trabalho e quando esse uso não transmite de maneira explicitamente enganosa que determinada empresa criou, patrocinou ou aprovou a obra.
No caso de Gaga, o juiz considerou clara a relação artística entre a palavra Mayhem e o projeto musical. Também concluiu que as alegações apresentadas pela Lost eram insuficientes para demonstrar que a cantora tivesse identificado a empresa de surfe como origem ou patrocinadora de seu trabalho.
Gaga já havia conquistado uma vitória anterior
O processo teve um capítulo importante em dezembro de 2025. Na ocasião, a Lost tentou obter uma liminar para interromper imediatamente a venda dos produtos contestados.
O pedido foi negado, permitindo que Gaga continuasse comercializando o merchandising de Mayhem enquanto o processo avançava.
A decisão desta semana foi além: ao analisar a versão revisada da ação, o tribunal concluiu que as alegações continuavam insuficientes e encerrou o caso na primeira instância.
“Mayhem” continua fazendo história
A disputa judicial aconteceu paralelamente a um dos períodos mais importantes da carreira recente de Lady Gaga.
Lançado em março de 2025, Mayhem trouxe faixas como “Disease”, “Abracadabra” e “Die With a Smile”, parceria com Bruno Mars, e deu origem à turnê The Mayhem Ball.
A vitória judicial, porém, não significa que Gaga tenha conquistado exclusividade sobre a palavra “Mayhem”. A decisão trata especificamente das circunstâncias deste processo e estabelece que, neste caso, o uso feito pela cantora estava ligado à expressão artística e não apresentava indicação explícita de associação comercial com a Lost Surfboards.
Para Gaga, pelo menos por enquanto, o Mayhem continua restrito aos palcos.


