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    Lava Jato rebate Bolsonaro sobre acabar com operação e cita 'forças poderosas' contra investigações

    Placeholder - loading - Ato em apoio à Lava Jato em Brasília 06/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
    Ato em apoio à Lava Jato em Brasília 06/09/2020 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba rebateu nesta quinta-feira a fala do presidente Jair Bolsonaro de que acabou com a operação porque, segundo ele, não há mais corrupção no governo, e disse haver 'forças poderosas' que atuam em sentido contrário ao combate à corrupção.

    'Os membros do Ministério Público Federal integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná lamentam a fala do presidente da República sobre ter 'acabado' com a operação Lava Jato. O discurso indica desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade e, sobretudo, reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção', disse a força-tarefa em nota.

    Em evento na véspera no Palácio do Planalto, Bolsonaro disse: 'É um orgulho, uma satisfação que eu tenho dizer para essa imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato, eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo”.

    Os procuradores disseram que a Lava Jato é uma 'ação conjunta de várias instituições de Estado no combate a uma corrupção endêmica', e destacaram que a operação ainda se faz essencialmente necessária, citando fases deflagradas recentemente.

    'Ainda ontem (quarta), na mesma data da declaração do presidente, foi deflagrada a 76ª fase da operação, na qual houve a apreensão do equivalente a quase 4 milhões de reais em espécie em endereços de investigado pela prática de delitos contra a Petrobras', destacou a nota dos procuradores.

    A força-tarefa --que recentemente teve seus trabalhos prorrogados até janeiro de 2021 pela Procuradoria-Geral da República-- disse que o apoio da sociedade, bem como a adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República, é 'fundamental' para que o esforço continue e tenha êxito.

    'Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário'.

    O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro também defendeu a operação após a fala de Bolsonaro.

    'É o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia. Esse filme é conhecido. Valerá a pena se transformar em uma criatura do pântano pelo poder?', questionou ele, no Twitter, ainda na quarta.

    Bolsonaro foi eleito em 2018 no rastro da bandeira de combate à corrupção e fazendo uma defesa enfática da Lava Jato. Escalou para seu governo o ex-juiz Sergio Moro, símbolo da operação, como ministro da Justiça e Segurança Pública.

    Contudo, após desentendimentos com Moro, que o acusou de tentar interferir na Polícia Federal, o presidente demitiu-o do governo no final de abril e acabou por se aproximar de investigados na operação.

    Escrito por Reuters

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