Líder da Hungria diz que fundos para Ucrânia não devem vir do orçamento da UE
Líder da Hungria diz que fundos para Ucrânia não devem vir do orçamento da UE
Reuters
21/12/2023
Por Gergely Szakacs e Krisztina Than
BUDAPESTE (Reuters) - A Hungria acredita que o financiamento da União Europeia à Ucrânia não deve ser concedido a partir do orçamento do bloco econômico e que deve ser estabelecido um cronograma 'sensato' para qualquer aporte à Ucrânia, disse o primeiro-ministro Viktor Orbán nesta quinta-feira.
'Estou convencido de que dar à Ucrânia 50 bilhões de euros do orçamento da UE durante cinco anos... Essa é uma má decisão', disse Orbán em conferência de imprensa.
Todos os 27 Estados da UE, exceto a Hungria, concordaram na semana passada em iniciar com a Ucrânia conversações de adesão, apesar da invasão do país pela Rússia, contornando a oposição de Orban e fazendo-o sair da sala durante a cimeira, quando a decisão foi tomada. Orban confirmou que foi o chanceler alemão, Olaf Scholz, quem sugeriu esta solução.
Mas os líderes não conseguiram superar a resistência de Orban em renovar o orçamento da UE para canalizar 50 bilhões de euros para Kiev e fornecer mais dinheiro para outras tarefas, como a gestão da migração.
Os líderes da UE, que prefeririam um acordo apoiado por todos os membros, mas que também tivessem um plano B, deverão rever a questão numa cimeira de emergência em 1º de fevereiro.
'Eles querem dar o dinheiro à Ucrânia de dentro do orçamento da UE, a Hungria quer dá-lo fora do orçamento da UE. Eles têm a possibilidade -- se não concordarmos com isto -- de resolver isto fora do orçamento, mas não têm a opção de resolver isto a partir do orçamento da UE sem a aprovação húngara', disse Orbán.
'Eles têm a possibilidade, 26 membros, de resolver isso com um empréstimo conjunto fora do orçamento.'
A UE poderia continuar a ajudar com uma solução alternativa que envolvesse um acordo entre 26 membros e a Ucrânia, que também negaria a Budapeste o acesso a fundos vinculados da UE, como os relativos à migração.
A UE suspendeu uma grande parte dos fundos para a Hungria devido a preocupações de que Budapeste tenha prejudicado os freios e contrapesos democráticos no país. A UE desbloqueou alguns desses fundos na semana passada, dizendo que Budapeste tinha implementado uma reforma do seu sistema judiciário, mas cerca de 20 bilhões de euros ainda permanecem congelados.
Quando questionado na quinta-feira, Orbán disse que a Hungria não gostaria de vincular a questão dos fundos suspensos da UE para Budapeste, por questões de Estado de direito, ao financiamento a ser concedido à Ucrânia.
'Não queremos vincular a assistência financeira a ser dada à Ucrânia com quaisquer questões financeiras húngaras... isto também violaria o princípio da UE de cooperação leal', disse Orban.
(Reportagem de Gergely Szakacs e Krisztina Than)
((Tradução Redação São Paulo))
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