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    Mapear crimes ambientais é essencial para frear perda da floresta amazônica, diz estudo

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    Vista aérea de madeira cortada da Amazônia perto de Porto Velho 14/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Mauricio Angelo

    BRASÍLIA (Thomson Reuters Foundation) - Uma parcela do gado fornecido aos mercados do Brasil é engordada em terras amazônicas desmatadas ilegalmente. Para ocultar este fato aos compradores, é comum os animais passarem por muitas mãos e empresas antes de serem vendidos, disseram pesquisadores brasileiros.

    Este processo de 'regularização' da carne bovina torna difícil para os compradores ter certeza de que suas cadeias de suprimento evitam o desmatamento --uma razão para a perda generalizada da floresta continuar, explicaram pesquisadores em um estudo que analisa como os crimes ambientais na bacia amazônica muitas vezes são interrelacionados.

    Para interromper as atividades de tais redes e impedir que produtos de origem ilegal inundem os mercados globais, é vital tornar estas conexões claras, disse Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé, centro de pesquisas brasileiro que publicou o estudo nesta semana.

    'Isso inclui revelar não apenas os grupos criminosos e negócios ilegais, mas também os funcionários públicos corruptos --incluindo policiais, escrivães, funcionários da alfândega e políticos que facilitam esses negócios', disse Szabó em uma entrevista concedida à Thomson Reuters Foundation.

    Para rastrear as redes regionais e nacionais que fomentam os crimes ambientais na Amazônia, pesquisadores se uniram à Interpol, à InSight Crime --uma organização de jornalismo e investigação sem fins lucrativos-- e a outros parceiros, contou Szabó.

    A iniciativa analisou primeiro Brasil, Colômbia e Peru, e mais tarde se estendeu a Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Venezuela, observou o estudo.

    O que os pesquisadores descobriram é que atividades ilegais na bacia amazônica muitas vezes interagem de maneiras problemáticas e podem ter diversos impactos ambientais.

    O garimpo de ouro em pequena escala, por exemplo, pode fomentar o desmatamento, a contaminação de solos e rios, violações de posse de terras e a violência.

    Como parte do esforço para rastrear e reagir melhor a tais atividades ilegais na Amazônia, pesquisadores estão criando um mapa digital de incidentes em tempo real para tentar identificar melhor padrões e sobreposições.

    A ferramenta, que contará com sensores remotos e visitas em campo, deve estar pronta em julho do ano que vem, disseram.

    'O objetivo é criar uma ferramenta publicamente disponível que possa revelar o crime na cadeia de abastecimento, visando gestores de ativos, bancos de investimento, investidores ESG (ambiental, social e governança corporativa), fundos de pensões e consumidores que estão exigindo ação', explicou Szabó.

    FALTA DE COOPERAÇÃO

    Combater os crimes ambientais na Amazônia --que se estende por uma gama de países-- pode ser difícil por causa da falta de cooperação internacional, disse Adriana Abdenur, uma das autoras do estudo.

    'A Amazônia é um espaço profundamente internacional', disse Abdenur, cofundadora da Plataforma Cipó, um laboratório de propostas climáticas e de governança.

    Um Tratado de Cooperação da Amazônia entre oito países amazônicos, que data de 1978, visa promover um desenvolvimento 'harmonioso' da região e o bem-estar humano, mas ele e outros acordos 'não estão sendo usados para promover uma cooperação internacional efetiva para a região', alertou Abdenur.

    Escrito por Reuters

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