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    Marina diz que mudança em regulação sobre agrotóxico pode prejudicar competitividade do país

    Por Thomson Reuters

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    Por Maria Carolina Marcello

    IPAMERI, Goiás (Reuters) - A candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, afirmou nesta sexta-feira que a proposta de mudança na regulamentação sobre agrotóxicos, conhecida como lei do veneno, não é “adequada” para o país e pode prejudicar a competitividade de produtos agrícolas brasileiros no exterior.

    A candidata, que visitou a fazenda Santa Barbara, no interior de Goiás, modelo no sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, aproveitou ainda para anunciar que irá ampliar o crédito para a agricultura sustentável caso eleita em outubro.

    “O projeto não é adequado para o Brasil se tornar um país cada vez mais competitivo na agricultura”, disse a presidenciável a jornalistas, que a acompanharam na visita a convite de sua equipe de campanha.

    “Nós temos um potencial de exportações muito grande e quanto melhores forem as nossas práticas, maior será a abertura para o mercado.”

    Para a candidata, a agricultura brasileira não deve lançar mão de práticas condenadas em países como os Estados Unidos e a Europa. A proposta flexibilizaria as exigências para uso de alguns defensivos agrícolas, incluindo alguns que não são permitidos em outros países.

    “O que não é bom para eles também não é bom para os brasileiros e isso só dificultará a entrada dos nossos produtos nos mercados europeus”, avaliou Marina, acrescentando que é possível, com práticas sustentáveis, aumentar a produção da agropecuária, citando a fazenda que visitava como exemplo.

    Marina fez questão de dizer que seu plano de governo envolve a ampliação da chamada agricultura de baixo carbono --com estímulos previstos no Plano Safra por meio de crédito-- e a integração dos projetos para facilitar o acesso dos produtores aos recursos públicos, além do fortalecimento da Embrapa, para aprofundar a produção de tecnologia e a geração de empregos.

    Também relatou a intenção de criar um seguro para proteger a “rentabilidade” do produtor dos “riscos” das mudanças climáticas.

    Questionada sobre eventual privatização da empresa de pesquisa voltada para o setor, negou, assim como tem se posicionado contrária à desestatização de órgãos como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal [CEF.UL] e a Petrobras.

    “A Embrapa tem papel estratégico e vai continuar com esse papel como empresa pública”, garantiu.

    Em referência à Fazenda Santa Brigida, Marina afirmou que não é necessário “inventar a roda”, mas fazê-la girar e dar escala às boas práticas.

    A integração lavoura-pecuária-floresta consiste em plantios consorciados de milho e capim sombreados por eucalipto, com a criação de gado.

    Segundo a assessoria de Marina, a prática permitiu à Fazenda sair de um prejuízo de 200 reais por hectare para um lucro líquido de 3.000 reais por hectare --sequestrando 36 toneladas de carbono por hectare. A propriedade tem 835 hectares.

    Marina citou que sua estratégia para lidar com a bancada ruralista do Congresso Nacional envolve o diálogo “sem nenhum preconceito” com o produtor e o oferecimento de condições para a produção sustentável.

    “Dizem que o agronegócio tem medo de mim. O agronegócio comigo deveria estar sorrindo como você sorri, porque você entende para onde as coisas estão indo”, afirmou.

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