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Trump se irrita com texto de memorando que parece favorecer o Irã

Trump se irrita com texto de memorando que parece favorecer o Irã

Reuters

12/06/2026

Placeholder - loading - Fumaça no sul do Líbano após explosão  10 de junho de 2026    REUTERS/Ammar Awad
Fumaça no sul do Líbano após explosão 10 de junho de 2026 REUTERS/Ammar Awad

Atualizada em  12/06/2026

Por Parisa Hafezi e Humeyra Pamuk e John Irish

DUBAI/WASHINGTON/PARIS, ​12 Jun (Reuters) - Os termos de um memorando proposto para pôr fim à guerra no Golfo, divulgados por fontes ocidentais, paquistanesas e iranianas na sexta-feira, pareciam favorecer fortemente o Irã, o que atraiu críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou as informações como imprecisas.

Versões e relatos do memorando foram fornecidos à Reuters por fontes ocidentais, fontes do Paquistão (mediador) e fontes iranianas de alto escalão. Também foram publicados na mídia iraniana.

Todas as fontes enfatizaram que o texto ainda não era definitivo, com uma fonte ocidental, uma fonte iraniana e uma fonte do Golfo afirmando que uma questão fundamental ainda a ser resolvida era a linguagem sobre o fim ⁠das hostilidades no ⁠Líbano. O Irã tem pedido que Israel ​encerre uma ‌campanha contra seus aliados, a milícia Hezbollah.

Embora houvesse pequenas diferenças nos relatos, todas as versões pareciam aceitar os termos principais propostos por Teerã dois meses atrás, durante negociações presenciais iniciais, que haviam sido repetidamente rejeitados por Washington.

Em uma publicação na rede social, Trump não especificou o que havia de ⁠impreciso nas reportagens sobre o acordo proposto, mas afirmou: 'Os termos que o Irã vazou ​para notícias falsas não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito'.

'São ​pessoas muito desonrosas para se negociar', disse ele sobre os ‌iranianos.

Sob os termos descritos pelas ​fontes da ⁠Reuters, os Estados Unidos forneceriam imediatamente ao Irã bilhões de dólares em ativos descongelados e suspenderiam as sanções às suas exportações de petróleo, em troca de o Irã suspender o bloqueio ao Estreito de Ormuz, praticamente fechado ​desde o início da guerra.

Qualquer discussão sobre as exigências norte-americanas em relação ao programa nuclear iraniano seria adiada por um período de 60 dias de negociações para um acordo final. A única referência explícita à política nuclear, por ora, seria uma reafirmação do compromisso do Irã, assumido há décadas, de não buscar armas ​nucleares, feito inicialmente quando ratificou o Tratado de Não Proliferação Nuclear da ONU em 1970.

Entre as principais concessões dos EUA incluídas nas versões preliminares estariam a discussão sobre centenas de bilhões de dólares em potenciais reparações de guerra a Teerã e o abandono das antigas exigências de restrições ao programa de mísseis iraniano.

Washington já havia exigido que o Irã abandonasse seus estoques de urânio altamente enriquecido. Mas nenhuma das versões do texto analisadas pela Reuters menciona isso, e as fontes disseram que a demanda foi explicitamente excluída por enquanto.

Uma ​fonte ocidental afirmou que, se houver consenso sobre a redação, o memorando poderá ser assinado já neste domingo pelo ‌vice-presidente norte-americano, JD Vance, e pelo presidente do ⁠Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf, sendo Genebra considerada, por ora, a sede mais provável.

Apesar de ter iniciado a guerra em conjunto com os Estados Unidos, Israel foi até agora excluído das negociações, e o ⁠primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que seu país não participará do memorando.

Netanyahu tem ⁠entrado em conflito repetidamente com Trump nas últimas ⁠semanas devido às demandas ⁠norte-americanas ​de que Israel limite a ação militar no Líbano para permitir que Washington chegue a um acordo com Teerã.

Reuters

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