MEXER O CORPO PODE AJUDAR O CÉREBRO A APRENDER MELHOR, MOSTRA ESTUDO
Experimentos em realidade virtual indicam que movimentos maiores dos braços favorecem o reconhecimento de padrões, mas não melhoram todas as formas de aprendizagem
Bruna Valle
27/10/2026
Aprender algo novo pode depender de mais do que observar imagens, memorizar informações ou seguir instruções. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Atlântica da Flórida e da Universidade Brown, nos Estados Unidos, sugere que os movimentos do corpo também podem contribuir para a maneira como o cérebro identifica e aprende padrões.
Nos experimentos, participantes que fizeram movimentos amplos com os braços tiveram melhor desempenho em determinadas tarefas do que aqueles que responderam com simples toques em botões. Uma das atividades envolvia usar um sabre de luz virtual para atingir um alvo, enquanto outra simulava um soco em uma caixa de resposta.

Em testes com realidade virtual, pesquisadores investigaram a influência de movimentos dos braços
O que muda quando usamos movimentos maiores?
Para investigar a relação entre movimento e aprendizagem, os pesquisadores criaram experiências em realidade virtual nas quais os participantes precisavam observar imagens e agrupá-las de acordo com suas características.
Em parte dos testes, as respostas eram dadas por meio de movimentos simples, como apertar um botão. Em outros, os voluntários precisavam realizar ações mais amplas com os braços, como golpear um alvo virtual com um sabre de luz ou simular um soco.
Os resultados mostraram uma diferença importante: os movimentos maiores favoreceram as tarefas que exigiam reconhecer semelhanças entre diferentes informações e combinar várias características para chegar a uma conclusão.
Esse tipo de aprendizado nem sempre depende de uma regra que a pessoa consegue explicar claramente. É o que acontece quando alguém percebe que determinados objetos pertencem à mesma categoria por compartilharem um conjunto de características, mesmo sem conseguir apontar imediatamente qual detalhe foi decisivo.
O efeito não apareceu em todas as tarefas
Os pesquisadores também avaliaram atividades nas quais os participantes precisavam seguir regras explícitas, como identificar uma categoria a partir de uma característica específica.
Nesse caso, os movimentos amplos não produziram uma melhora significativa. O resultado permaneceu mesmo quando os cientistas tornaram as tarefas baseadas em regras mais difíceis.
A diferença indica que a influência do movimento sobre a aprendizagem pode depender do tipo de raciocínio exigido. Quando é necessário integrar vários sinais e reconhecer padrões, movimentar os braços pode ajudar. Quando a tarefa depende de aplicar uma regra bem definida, esse recurso não demonstrou a mesma vantagem.
A melhora continuou mesmo sem os movimentos
Outro resultado chamou a atenção da equipe: os participantes que aprenderam com movimentos maiores mantiveram parte da vantagem mesmo depois de passar a responder usando apenas botões.
Isso sugere que o benefício não estava restrito à facilidade de executar um movimento durante o teste. A atividade física pode ter contribuído para o próprio processo de aprendizagem, ajudando os participantes a reconhecer os padrões com mais eficiência.
Para verificar se outros fatores explicavam o resultado, os pesquisadores também controlaram o tempo de observação das imagens e consideraram diferenças na velocidade das respostas. Mesmo com esses ajustes, a vantagem continuou concentrada nas tarefas de reconhecimento de padrões.
Os resultados foram publicados na revista científica Science Advances, em um estudo sobre como o movimento físico pode acelerar a aprendizagem de categorias.


