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Milei caminha na corda bamba sobre Malvinas em meio a tensões entre EUA e Reino Unido

Milei caminha na corda bamba sobre Malvinas em meio a tensões entre EUA e Reino Unido

Reuters

28/04/2026

Placeholder - loading - Presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no Congresso 1º de março de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian
Presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no Congresso 1º de março de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian

Por Leila Miller

BUENOS AIRES, 28 Abr (Reuters) - O presidente da Argentina, Javier Milei, um ​libertário que há muito tempo cita a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher como um de seus modelos políticos, recentemente aumentou seu tom público em relação às Malvinas, o que contrasta com a abordagem moderada que ele adotou anteriormente ao buscar laços mais estreitos com o Ocidente.

Ao contrário de seus antecessores de esquerda, que rotineiramente reafirmavam a reivindicação de soberania da Argentina sobre as ilhas do Atlântico Sul -- conhecidas entre os britânicos como Falkland e na Argentina como Las Malvinas --, Milei, que pediu negociações bilaterais com o Reino Unido, foi criticado por não enfatizar suficientemente a questão.

No entanto, na sexta-feira, horas depois que a Reuters noticiou com exclusividade que um email interno do Pentágono sugeria a revisão da posição dos EUA sobre o arquipélago em disputa como retaliação à posição do Reino Unido na guerra contra o Irã, Milei fez uma postagem inflamada no X, dizendo que as Malvinas 'eram, são e sempre serão argentinas'.

A Argentina há muito tempo ⁠afirma que herdou as ilhas ⁠da Espanha após sua independência em 1816 e que o ​Reino Unido ‌assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal. O Reino Unido, sob o governo de Thatcher, e a Argentina travaram uma breve guerra pelas ilhas em 1982, na qual 649 militares argentinos e 255 britânicos morreram, depois que a Argentina invadiu as ilhas em uma tentativa fracassada de tomá-las.

Quatro décadas depois, as ilhas ainda despertam uma emoção crua na Argentina, onde a memória da guerra é ⁠pintada nas paredes da cidade de Buenos Aires como retratos de heróis mortos e onde alguns clubes esportivos não ​aceitam roupas com a bandeira britânica. Um feriado nacional marca o aniversário da guerra.

A nova tensão entre os EUA e o Reino Unido oferece ​a Milei um potencial grito de guerra, conforme seus índices de aprovação caem para ‌os níveis mais baixos, pressionados pelo ​aumento da ⁠inflação mensal e por escândalos de corrupção, tornando a causa uma das que o presidente poderia recorrer para tentar ampliar sua popularidade, segundo especialistas.

'A luta pelas Malvinas é uma obsessão nacional na Argentina, e não há nenhuma vantagem em minimizá-la', disse Benjamin Gedan, diretor do programa para a América Latina do Stimson Center, em ​Washington. 'Embora Milei não seja conhecido por agradar seus oponentes, ele pode achar que as Malvinas são uma oportunidade irresistível para aumentar sua popularidade.'

Um porta-voz de Milei não respondeu a um pedido de comentário.

'PROGRESSO COMO NUNCA ANTES'

Milei anteriormente havia levantado dúvidas sobre sua determinação em relação às ilhas. Durante sua campanha presidencial, ele elogiou a colega libertária Thatcher, que ordenou a operação militar para retomar as Malvinas, como uma das 'maiores líderes do mundo', atraindo a condenação de veteranos que disseram ​que ele não demonstrou respeito pelos companheiros mortos.

Milei criticou os políticos que 'batem no peito' sobre soberania sem resultados em uma entrevista à BBC em 2024. Posteriormente, ele causou reações negativas ao dizer que a Argentina quer que os ilhéus 'um dia decidam votar em nós', ecoando a opinião do Reino Unido de que os residentes têm o direito à autodeterminação. Em 2013, os habitantes da ilha votaram esmagadoramente em um referendo para permanecer sob o domínio britânico.

Na semana passada, porém, ele disse em uma entrevista a uma plataforma de streaming que a Argentina estava 'progredindo como nunca antes' na questão das ilhas.

Guillermo Carmona, ex-secretário do escritório Ministério das Relações Exteriores da Argentina para Malvinas, Antártida e Atlântico Sul durante o governo anterior de centro-esquerda, disse que agora é hora ​de a Argentina 'aproveitar as fissuras que estão sendo produzidas'.

Tradicionalmente, os EUA evitam tomar partido sobre a soberania das ilhas, mas reconhecem que elas são administradas pelo Reino Unido.

Sob ‌o comando do presidente Donald Trump, que se referiu a Milei ⁠como seu 'presidente favorito', os EUA poderiam ter participado como terceiros em qualquer negociação entre a Argentina e o Reino Unido, mas, segundo Gedan, o vazamento da carta do Pentágono torna essa possibilidade menos provável agora que os EUA mostraram sua mão ao potencialmente favorecer a Argentina.

Por enquanto, apesar do ⁠burburinho político, é improvável que o status quo mude, disseram os analistas.

'É difícil para mim pensar ⁠que os Estados Unidos possam forçar o Reino Unido a modificar sua ⁠posição se eles mudarem sua própria ⁠posição, ​já que o Reino Unido é um aliado estratégico dos EUA', disse o historiador argentino Federico Lorenz.

(Reportagem de Leila Miller; edição de Cassandra Garrison e Alistair Bell)

Reuters

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