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    Mourão lamenta 'profundamente' ausência de Salles em reunião do Conselho da Amazônia

    Placeholder - loading - 15/07/2020 REUTERS/Adriano Machado
    15/07/2020 REUTERS/Adriano Machado

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    BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente e coordenador do Conselho Nacional da Amazônia, Hamilton Mourão, disse nesta quarta-feira lamentar 'profundamente' o fato de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não ter participado da reunião do colegiado, em meio a críticas dentro e fora do país de falta de empenho do Brasil em combater o desmatamento na região amazônica.

    'Nós precisamos de cooperação, foi o que conversei com os ministérios aqui presentes. Lamento profundamente a ausência do ministério mais importante e que não compareceu à reunião hoje nem não mandou representante, que é o Ministério do Meio Ambiente, lamento profundamente', disse Mourão.

    O Brasil tem sido pressionado por governos e investidores a aperfeiçoar sua atuação no combate ao desmatamento e queimadas na região sob pena de não haver a ratificação, por parte de países europeus, do acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul.

    Não bastasse isso, por ordem do Supremo Tribunal Federal, o ministro do Meio Ambiente foi alvo na semana passada de uma operação de busca e apreensão de documentos e materiais eletrônicos em seus endereços, além de ter tido quebrado sigilos bancário e fiscal de janeiro de 2018 até maio deste ano.

    Um dia depois da operação e sem se referir diretamente a ela, o presidente Jair Bolsonaro chamou Salles de 'excepcional ministro' e se queixou de dificuldades que ele tem tido com 'setores aparelhados' do Ministério Público.

    Durante a entrevista coletiva do conselho, questionado sobre a investigação que envolve Salles, Mourão preferiu não se manifestar diretamente. Afirmou que é preciso aguardar o resultado das apurações. 'Ninguém pode condenar o ministro a priori', disse.

    INDICADORES

    O vice-presidente admitiu que os indicadores de desmatamento nos meses de março e abril pioraram e que neste mês a situação 'não está boa'. Ainda assim, ele disse que pretende se empenhar para garantir uma redução do desmatamento na região em 15% até julho, conforme havia proposto, e que se for necessário vai recrutar o uso das Forças Armadas.

    O vice-presidente disse que vai avaliar pelos próximos 8 a 10 dias se vai fazer a requisição das Forças Armadas e destacou que elas, se forem acionadas, têm condições de 'imediatamente entrarem em ação'.

    O coordenador do grupo disse que o projeto de regularização de terras poderá reduzir a burocracia para o setor, embora não mexa nos pilares do Código Florestal. 'De acordo com a avaliação da nossa equipe, é uma lei visando a desburocratização de determinados empreendimentos sem mexer no principal instrumento que é o Código Florestal.'

    (Reportagem de Ricardo Brito)

    Escrito por Reuters

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