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'Não somos um pedaço de gelo', diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump

'Não somos um pedaço de gelo', diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump

Reuters

09/04/2026

Placeholder - loading - Rei Frederik 10, da Dinamarca, é recebido por Jens-Frederik Nielsen, em Nuuk, Groenlândia 18/02/2026 Bo Amstrup/ Ritzau Scanpix/via REUTERS
Rei Frederik 10, da Dinamarca, é recebido por Jens-Frederik Nielsen, em Nuuk, Groenlândia 18/02/2026 Bo Amstrup/ Ritzau Scanpix/via REUTERS

Por Stine Jacobsen

COPENHAGUE, 9 Abr (Reuters) - O primeiro-ministro da ​Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, conclamou os aliados da Otan a se unirem para defender o direito internacional ao se opor aos últimos comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha do Ártico.

Trump expressou sua frustração com a relutância da Otan em se envolver na guerra contra o Irã que ele lançou com Israel, dizendo em uma publicação nas redes sociais que a aliança militar não estava presente quando necessário e não estaria presente 'se precisarmos dela novamente. LEMBRE-SE DA GROENLÂNDIA, AQUELE PEDAÇO DE GELO GRANDE E MAL ADMINISTRADO'.

Nielsen rejeitou a caracterização.

'Não somos um pedaço de gelo. Somos ⁠uma população ⁠orgulhosa de 57.000 pessoas, trabalhando todos os ​dias como ‌bons cidadãos globais em total respeito a todos os nossos aliados', disse ele à Reuters.

Nielsen destacou a importância de manter a ordem geopolítica do pós-guerra, incluindo a aliança de defesa da Otan e a lei internacional respeitada globalmente.

'Essas coisas estão sendo desafiadas agora, ⁠e acho que todos os aliados devem se unir para tentar mantê-las. Espero ​que isso aconteça', disse ele.

CONVERSAÇÕES DIPLOMÁTICAS CONTINUAM, MAS GROENLÂNDIA DESCONFIA DOS OBJETIVOS DOS EUA

Aliados da Otan ​já estavam se esforçando no início deste ano para ‌encontrar maneiras de manter ​a aliança ⁠unida depois que Trump reviveu seu esforço para tomar a Groenlândia da Dinamarca, um membro da Otan.

Em janeiro, a Casa Branca disse que Trump estava avaliando o uso de força militar na Groenlândia, ​levando a Alemanha, a França e outras nações europeias a enviar pequenos contingentes de tropas para a ilha em uma mensagem de solidariedade e dissuasão.

Posteriormente, Trump recuou após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarando que 'a estrutura de um futuro acordo' havia sido formada e ​transferindo o conflito da Groenlândia para uma via diplomática. Sua última publicação nas redes sociais sobre a ilha ocorreu após uma nova reunião com Rutte na quarta-feira.

No final de janeiro, Groenlândia, Dinamarca e EUA iniciaram conversações diplomáticas e Nielsen disse que elas ainda estavam em andamento, com mais reuniões agendadas.

Trump e seus apoiadores têm insistido que os EUA precisam da Groenlândia para se defender das ameaças da Rússia e da China no Ártico e que a Dinamarca não pode garantir sua ​segurança.

Os EUA já têm uma base na ilha e a capacidade de expandir sua presença lá de ‌acordo com um tratado de 1951.

'Seria estranho, ⁠quando todas as partes querem discutir o aumento da cooperação em defesa, não levar em conta esse acordo (de 1951)', disse Nielsen, recusando-se a entrar em mais detalhes sobre o que estava ⁠sendo discutido nas negociações.

Apesar das conversas, Nielsen deixou claro que ⁠não acredita que Trump tenha abandonado suas ⁠ambições em relação à ⁠ilha: 'Não ​vejo que seu desejo de assumir ou controlar a Groenlândia tenha sido retirado da mesa', disse ele.

Reuters

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