Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Calibração da Selic não é afrouxamento e ciclo do BC vai terminar em ponto restritivo, diz diretor David

Calibração da Selic não é afrouxamento e ciclo do BC vai terminar em ponto restritivo, diz diretor David

Reuters

05/03/2026

Placeholder - loading - Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília 17/12/2024 REUTERS/Adriano Machado
Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília 17/12/2024 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  05/03/2026

Por Bernardo Caram

5 Mar (Reuters) - O diretor de Política Monetária ​do Banco Central, Nilton David, disse nesta quinta-feira que a esperada 'calibração' na Selic neste mês não representa um afrouxamento da política monetária, enfatizando que a autarquia não busca uma taxa de juros real neutra e que o ciclo de corte vai terminar ainda em ponto restritivo.

Em evento do Goldman Sachs, em São Paulo, David afirmou que a indicação futura de corte de juros dada pelo BC em janeiro 'segue válida', ressaltando que essa orientação vale apenas para a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

'É um processo de calibração, não é um processo de afrouxamento da política ⁠monetária. A ⁠busca aqui não é a taxa de ​juro neutro', ‌disse. 'Esse processo de calibração passa por terminar em ponto restritivo.'

O diretor acrescentou ser esperada uma maior volatilidade no mercado neste ano por conta das eleições presidenciais, o que diminui a eficácia da política monetária. Para ele, a 'camada extra de juros' aplicada pelo BC ⁠até o momento será bastante útil nesse ambiente.

'Com tudo isso posto, o Comitê ​decidiu que o processo de calibração deve começar na próxima reunião, e por isso que ​é uma calibração, a gente está vendo até onde ‌a gente pode ir', ​disse.

Em janeiro, ⁠o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou de forma clara a intenção de iniciar o processo de corte da taxa neste mês.

No mercado, a ​principal dúvida é sobre qual será o tamanho do corte na reunião, após a incerteza global ter aumentado com o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã. Desde então, investidores reduziram as apostas em um corte de 50 pontos-base e elevaram as posições em ​uma redução de 25 pontos-base.

Em sua fala, David disse não poder antecipar decisão do Copom, acrescentando que o acontecimento no Irã é relevante, mas cercado de incertezas e será analisado pelo BC com serenidade.

'Serenidade não significa inação, é tirar a emoção do tratamento dos dados', afirmou.

O diretor disse que uma eventual alta persistente da cotação do petróleo, sob efeito do conflito, geraria pressão inflacionária. Ele ponderou que a materialização de um cenário desse tipo seria menos complexa de ser enfrentada ​no atual momento do que se tivesse ocorrido há seis meses.

David pontuou que o BC 'não reage a ‌ruídos' e não se emociona com um ⁠dado melhor ou pior, e que o horizonte da política monetária é de 18 meses.

'Estamos pilotando um petroleiro', comparou.

Na apresentação, o diretor disse que o crescimento econômico do país -- que vinha ⁠apresentando dinamismo maior que o esperado -- parece estar agora dentro ⁠do seu potencial.

Ele acrescentou que as expectativas ⁠de mercado para os ⁠preços ​à frente apresentaram melhora, mas ainda estão desancoradas.

(Reportagem de Bernardo Caram; reportagem adicional de Fabrício de Castro)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.