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NOVO PNEU PODE DURAR MAIS AO TROCAR APENAS A PARTE QUE SE DESGASTA

Projeto desenvolvido na Espanha cria estrutura modular que pode reduzir o descarte de borracha e ainda fornecer informações para os sistemas de segurança dos veículos

Bruna Valle

07/10/2026

Placeholder - loading - Pesquisadores estão desenvolvendo um pneu modular que combina maior durabilidade, novos materiais e sensores para tornar os carros mais inteligentes
Pesquisadores estão desenvolvendo um pneu modular que combina maior durabilidade, novos materiais e sensores para tornar os carros mais inteligentes

Um pneu não precisa necessariamente chegar ao fim da vida útil junto com todas as partes que o compõem. Essa é a ideia por trás de um novo projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Carlos III de Madri, na Espanha.

Chamado ECOTIRE, o protótipo propõe uma mudança na estrutura tradicional: em vez de substituir o pneu inteiro quando a parte que entra em contato com o asfalto se desgasta, seria possível trocar apenas a banda de rodagem.

A solução pode aumentar a vida útil do conjunto e, ao mesmo tempo, diminuir a quantidade de resíduos gerados pelo descarte de pneus.

Só uma parte precisaria ser substituída

Hoje, quando um pneu chega ao limite de desgaste, sua estrutura principal ainda pode estar em boas condições. Mesmo assim, todo o conjunto precisa ser substituído.

No ECOTIRE, a proposta é manter a carcaça e retirar somente a banda de rodagem. Essa parte representa menos de 20% do peso total do pneu, segundo os pesquisadores.

A conexão entre os componentes também é diferente. Em vez da ligação química tradicional, o projeto utiliza um sistema de fixação mecânica, permitindo a substituição da parte desgastada.

Um material que pode aumentar a durabilidade

A equipe também comparou o comportamento de diferentes materiais durante testes de desgaste e atrito. Entre os resultados, a borracha de silicone apresentou deterioração aproximadamente dez vezes menor do que a borracha convencional analisada no estudo, além de maior estabilidade.

A escolha de materiais mais duráveis é importante não apenas para fazer o pneu durar mais, mas também para reduzir a quantidade de partículas liberadas pelo desgaste durante o uso.

Isso abre uma possibilidade interessante para o futuro: em vez de pensar apenas em pneus que resistam por mais tempo, o desenvolvimento pode caminhar para componentes planejados desde o início para serem parcialmente substituídos e reaproveitados.

O pneu também pode virar um sensor

O projeto vai além da sustentabilidade. Os pesquisadores querem transformar o pneu em um componente capaz de transmitir informações sobre o comportamento do veículo.

A ideia é incorporar sensores para medir, em tempo real, dados como forças transmitidas ao asfalto, pressão de contato, ângulo de deslizamento e nível de aderência disponível.

Essas informações poderiam ser compartilhadas com sistemas avançados de assistência ao motorista e, no futuro, com veículos autônomos. O objetivo é permitir que o próprio pneu ajude a identificar situações de risco, como possibilidade de aquaplanagem ou presença de gelo na pista.

Tecnologia que une segurança e sustentabilidade

Os primeiros testes físicos do protótipo apresentaram resultados considerados promissores pelos pesquisadores. Em uma bancada de testes, a equipe avaliou diferentes condições de carga, pressão, deslizamento e contato para verificar o comportamento do sistema.

Segundo a equipe da universidade, o desempenho já se aproxima suficientemente do funcionamento de pneus convencionais para que o projeto avance em direção a testes em escala maior e à colaboração com empresas do setor automotivo. Ainda assim, existe um caminho a percorrer antes de uma eventual chegada ao mercado.

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