O CLIPE DE BRUCE SPRINGSTEEN QUE FICOU ESCONDIDO POR MAIS DE 40 ANOS
Versão rejeitada de “Dancing in the Dark” será leiloada e revela o caminho que levou ao vídeo com Courteney Cox
Bruna Valle
24/09/2026
Uma versão praticamente esquecida de um dos videoclipes mais famosos de Bruce Springsteen está prestes a voltar aos holofotes. Uma fita master com a primeira gravação de “Dancing in the Dark”, descartada nos anos 1980, será leiloada depois de passar mais de quatro décadas guardada em um arquivo.
O material pertence ao acervo pessoal de Al Teller, ex-presidente da Columbia Records. A fita também acompanha uma placa assinada por Springsteen em homenagem às vendas de Born in the USA, álbum que abriga o hit.
Parte da renda do leilão, que irá até o dia 22 de outubro, será destinada a instituições que apoiam programas de educação musical em escolas públicas.
A versão que não convenceu a gravadora
Antes de Brian De Palma assumir a direção do videoclipe que o público conhece, o cineasta Jeff Stein havia registrado uma primeira interpretação da música.
A proposta era bem diferente da que acabou chegando à MTV. Springsteen aparece praticamente sozinho em um ambiente escuro durante a apresentação, enquanto Clarence Clemons, saxofonista da E Street Band, surge posteriormente.
O resultado não agradou Teller nem ao empresário do cantor, Jon Landau. O problema, segundo o executivo, era a ausência da própria banda em uma música que tinha uma produção grandiosa.
A gravação acabou descartada e uma nova estratégia foi pensada para o lançamento do single.
A rejeição abriu caminho para Courteney Cox
Foi justamente a decisão de abandonar o primeiro vídeo que levou à versão dirigida por De Palma.
Filmado durante uma apresentação de Springsteen no Saint Paul Civic Center, em Minnesota, o novo clipe incorporou a energia de um show e criou uma cena que se tornaria uma das imagens mais conhecidas da carreira do cantor: Springsteen chama uma jovem da plateia para dançar com ele no palco.
A mulher era Courteney Cox, que ainda não tinha a projeção que alcançaria anos depois como atriz.
O vídeo se tornou parte importante da identidade visual da era Born in the USA. A participação de Cox, por sua vez, acabou se transformando em um momento marcante da cultura pop dos anos 1980.

A versão rejeitada deu lugar ao clipe que entrou para a história (Crédito da Imagem: Paul Natkin)
Uma fita esquecida em um arquivo
Depois que a produção foi rejeitada, Teller tentou devolver a fita master para Landau. A orientação foi que ele ficasse com o material.
O executivo então guardou a gravação em um arquivo, onde permaneceu por mais de 40 anos.
Curiosamente, Teller não sabia que a fita continha quatro performances diferentes de Springsteen. Ele havia assistido a apenas uma delas. A existência desse material só ficou clara quando a gravação passou por um processo de tratamento e avaliação para verificar suas condições antes do leilão.
Registros de qualidade inferior da produção descartada já haviam aparecido na internet ao longo dos anos. A fita de Teller, porém, representa a gravação original preservada em seu acervo.
Um sucesso que ganhou nova chance
“Dancing in the Dark” foi o primeiro single de Born in the USA e se tornou um dos maiores sucessos da carreira de Springsteen. A música também rendeu ao cantor seu primeiro Grammy na categoria de Melhor Performance Vocal Masculina de Rock, em 1985.
Mais de 40 anos depois, a gravação que ficou de fora da história oficial terá finalmente a oportunidade de deixar o arquivo onde permaneceu escondida durante décadas.


