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    Papa Francisco descarta proposta de ordenação de homens casados na Amazônia

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    Papa Francisco em audiência semanal no Vaticano 12/2/2020 REUTERS/Remo Casilli

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    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco, em uma das decisões mais significativas de seu pontificado, descartou nesta quarta-feira uma proposta de permitir que alguns homens casados fossem ordenados padres na região amazônica para aliviar uma escassez aguda de sacerdotes no local.

    A recomendação, apresentada por bispos latino-americanos em 2019, assustou os conservadores da Igreja Católica Romana, profundamente polarizada entre seus 1,3 bilhão de fiéis, que temia que isso pudesse levar a uma mudança no compromisso secular de celibato entre os padres.

    O papa deu sua resposta em uma exortação apostólica, três meses após ela ser aprovada por 128 votos a 41 em um sínodo de bispos católicos romanos.

    O documento de 32 páginas desta quarta-feira nem sequer mencionou a proposta, que era para diáconos mais velhos casados que são líderes comprovados de comunidades católicas remotas e têm famílias estáveis para serem ordenados como sacerdotes.

    Hesitantes, os conservadores temiam que, apesar de limitada, a mudança fosse um caminho que conduziria toda a Igreja a um sacerdócio passível a casamentos, motivo pelo qual classificaram a proposta como heresia.

    Na exortação, o argentino de 82 anos escreveu que novos caminhos devem ser encontrados para encorajar mais padres a trabalhar na região remota e permitir papéis expandidos para leigos e diáconos permanentes, dos quais a Amazônia precisa 'muito mais'.

    Como apenas os padres podem celebrar a missa, pessoas em ao menos 85% das aldeias amazônicas não podem participar da liturgia todas as semanas e algumas não o fazem há anos.

    'Essa necessidade urgente me leva a exortar todos os bispos, especialmente os da América Latina...a serem mais generosos em incentivar aqueles que demonstram uma vocação missionária a optar pela região amazônica', escreveu ele.

    O pontífice usou os três primeiros capítulos do documento para defender os direitos e legados dos povos indígenas e o meio ambiente na Amazônia, que têm que ser protegidos por seu papel vital na mitigação do aquecimento global.

    Os conservadores temiam que, se Francisco aceitasse a proposta, outros locais com escassez de padres seguiriam o modelo, mesmo em países desenvolvidos como a Alemanha, onde a questão está sendo discutida.

    Escrito por Reuters

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