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Pentágono se recusa a reafirmar defesa coletiva da OTAN e diz que depende de Trump

Pentágono se recusa a reafirmar defesa coletiva da OTAN e diz que depende de Trump

Reuters

31/03/2026

Placeholder - loading - Secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth 31/03/2026 REUTERS/Jonathan Ernst
Secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth 31/03/2026 REUTERS/Jonathan Ernst

Por Phil Stewart

WASHINGTON, 31 Mar (Reuters) - O secretário de Defesa norte-americano, ​Pete Hegseth, se recusou nesta terça-feira a reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a defesa coletiva da Otan, dizendo que isso caberia ao presidente Donald Trump, depois que os principais aliados europeus se recusaram a apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã.

Os comentários de Hegseth em uma reunião do Pentágono foram extraordinários, uma vez que a defesa coletiva está no centro da aliança da Otan, que foi formada em 1949 com o objetivo principal de combater o risco de um ataque soviético ao território aliado.

Qualquer sinal dos Estados Unidos de que talvez não estejam dispostos a defender os aliados da Otan em caso de ataque da Rússia ou de outro adversário poderia enfraquecer seriamente a aliança, mesmo que Trump opte por não se retirar totalmente dela, ⁠algo que pode ⁠exigir o consentimento do Congresso.

Perguntado pela Reuters em uma ​coletiva de ‌imprensa se os Estados Unidos ainda estão comprometidos com a defesa coletiva da Otan, Hegseth disse: 'No que diz respeito à Otan, essa é uma decisão que caberá ao presidente. Mas eu diria apenas que muita coisa foi revelada'.

Em aparente referência às tensões com os aliados da Otan França, Itália, Espanha e Reino Unido, Hegseth disse que 'quando pedimos assistência ⁠adicional ou simples acesso, base e sobrevoo, recebemos perguntas, bloqueios ou hesitações'.

'Você não tem uma grande ​aliança se tiver países que não estão dispostos a ficar ao seu lado quando você precisa deles. (Trump está) simplesmente apontando ​isso e, no final das contas, será ele quem decidirá como isso ‌será feito', disse Hegseth.

Há muito ​tempo, os ⁠especialistas alertam que as falas que sugerem que os Estados Unidos podem não honrar seus compromissos com a Otan podem incentivar a Rússia a testar a prontidão dos membros da Otan para fazer cumprir o Artigo 5 da aliança, que estabelece que um ataque ​armado contra um Estado membro é um ataque a todos.

A guerra contra o Irã exacerbou as tensões entre os Estados Unidos e a Europa, que aumentaram desde o início do segundo mandato de Trump, no ano passado, em relação a tudo, desde a revisão de Trump de sua relação comercial de US$2 trilhões até suas exigências de posse da Groenlândia, um território autônomo ​da Dinamarca, integrante da Otan.

A Europa também está observando com nervosismo os esforços de Trump para intermediar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com algumas autoridades europeias de alto escalão preocupadas com o fato de Trump parecer apoiar um acordo em favor de Moscou.

A França se recusou a permitir que Israel usasse seu espaço aéreo para um voo de reabastecimento que transportava armas norte-americanas usadas na guerra contra o Irã, e a Itália negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguir para o Oriente Médio, disseram fontes à Reuters. A Espanha ​disse publicamente na segunda-feira que havia fechado seu espaço aéreo para aviões norte-americanos envolvidos em ataques ao Irã.

Trump também criticou repetidamente o Reino ‌Unido, o aliado europeu mais próximo dos Estados Unidos, ⁠por não ter se juntado aos Estados Unidos quando eles iniciaram a guerra. Nesta terça-feira, ele destacou o Reino Unido em uma publicação nas redes sociais, onde disse que a segurança do Estreito de Ormuz, agora bloqueado pelo Irã, seria ⁠deixada para os países que precisavam do petróleo do Oriente Médio.

'Vocês terão que começar ⁠a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não ⁠estarão mais lá para ajudá-los, ⁠assim ​como vocês não estavam lá para nós. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vá buscar seu próprio petróleo!'

Reuters

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