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Petrobras elevará preços do querosene de aviação em 55%, diz controladora da Gol

Petrobras elevará preços do querosene de aviação em 55%, diz controladora da Gol

Reuters

31/03/2026

Placeholder - loading - Logo da Petrobras na sede da empresa no Rio de Janeiro 05/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes
Logo da Petrobras na sede da empresa no Rio de Janeiro 05/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes

Atualizada em  31/03/2026

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO, 31 Mar (Reuters) - O Grupo Abra, ​holding que controla a companhia aérea Gol, informou nesta terça-feira que a Petrobras elevará os preços do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% a partir de 1º de abril.

A medida ocorre como resultado do aumento dos preços globais do petróleo, impulsionado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e pode intensificar a pressão sobre o setor aéreo brasileiro, em um momento em que duas de suas maiores empresas, Gol e Azul, se recuperam de processos de reestruturações de dívidas.

O combustível é responsável por mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas no Brasil, onde a Petrobras é a maior produtora de ⁠petróleo e ⁠responsável pela maior parte da atividade de refino.

A ​petroleira ajusta ‌os preços do combustível de aviação no início de cada mês com base em fatores como os preços globais do petróleo e as taxas de câmbio.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

TARIFAS MAIS ALTAS

O aumento nos preços do combustível de aviação, impulsionado pelo conflito ⁠no Oriente Médio, tem abalado o setor de aviação global, forçando as companhias aéreas ​a aumentar as tarifas e revisar suas perspectivas financeiras.

O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, disse que ​o aumento da Petrobras em abril será 'moderado' em comparação ‌com o aumento dos preços ​globais, acrescentando ⁠que a estratégia da empresa petrolífera de ajustes mensais de preços ajuda as companhias aéreas a administrar custos mais altos.

Ainda assim, ele reconheceu em uma conferência com analistas que a Abra -- que também controla a colombiana Avianca -- ​precisa aumentar os preços em cerca de 10% para cada aumento de US$1 por galão nos preços do combustível de aviação.

A rival Azul disse na semana passada que havia aumentado as tarifas médias reservadas em mais de 20% ao longo de três semanas e que vai limitar o crescimento para mitigar os ​preços mais altos do combustível, reduzindo sua capacidade doméstica em 1% no segundo trimestre.

REAÇÃO DO GOVERNO

Em nota enviada à Reuters, o Ministério dos Portos e Aeroportos do Brasil disse que enviou proposta ao Ministério da Fazenda, à Casa Civil, ao Ministério de Minas e Energia e à Petrobras com medidas voltadas à redução dos impactos da elevação do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo.

De acordo com o órgão, a proposta sugere a redução da alíquota do PIS/Cofins sobre o QAV, a redução da alíquota do IOF ​incidente sobre empresas aéreas e a redução da alíquota de Imposto de Renda incidente sobre o leasing das aeronaves, ‌além de outras medidas que ainda estão ⁠em fase inicial de discussão.

'O objetivo é preservar a competitividade das empresas, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea no país', disse a nota do Ministério.

O jornal Folha de S.Paulo noticiou ⁠na segunda-feira que o governo brasileiro anunciaria um pacote de medidas ⁠para amenizar o impacto dos preços mais altos ⁠do petróleo sobre as ⁠companhias ​aéreas locais, incluindo uma linha de crédito para a compra de combustível e cortes de impostos.

(Reportagem de Gabriel Araujo)

Reuters

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