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Incerteza com guerra afeta riscos para inflação e pode impactar calibração da Selic, diz Picchetti

Incerteza com guerra afeta riscos para inflação e pode impactar calibração da Selic, diz Picchetti

Reuters

16/04/2026

Placeholder - loading - Sede do Banco Central em Brasília, 17 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado
Sede do Banco Central em Brasília, 17 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  16/04/2026

Por Bernardo Caram

16 Abr (Reuters) - O diretor de Assuntos Internacionais do ​Banco Central, Paulo Picchetti, afirmou nesta quinta-feira que os riscos para a inflação no Brasil são afetados pelo cenário mais incerto diante da guerra no Irã, apontando que uma mudança na visão da autarquia sobre as chances de alta ou baixa da inflação à frente impactará o ciclo de calibração da Selic.

O BC decidiu em março manter inalterado seu balanço de riscos, que avalia fatores que podem pressionar os preços para cima ou para baixo. Na ocasião, a autarquia disse que chegou a debater alteração nesses elementos, mas optou por reunir mais informações.

'Até o momento, com as informações que tenho, e falando por mim, ainda não discuti isso com o restante do comitê, mas as coisas definitivamente não melhoraram desde nossa reunião em março', disse, no evento Itaú Latam Day, em ⁠Washington.

'Se ficar realmente claro ⁠que os riscos estão inclinados para o lado negativo, ​então o ‌tamanho total do ciclo, obviamente, será impactado', acrescentou o diretor, que também está provisoriamente no comando da diretoria de Política Econômica do banco.

Na reunião de março, a autarquia reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, e não indicou quais serão os próximos passos do que chamou de 'calibração' dos juros.

Picchetti enfatizou nesta quinta que o BC ⁠continua dependente de dados para as próximas decisões de juros e que 'muito pode acontecer' até a ​reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim de abril.

'O nível da política monetária deve permanecer restritivo e o tamanho ​final dessa calibragem ainda está em aberto', disse, ao ressaltar que o ‌BC não vê valor neste momento ​em ⁠oferecer uma indicação futura para os juros.

No evento, Picchetti afirmou que os efeitos da guerra no Irã chegam ao Brasil em um momento em que as expectativas de mercado para a inflação já estavam fora da meta de 3%, e passaram a ampliar essa desancoragem. Ele ​classificou como 'muito preocupante' a expectativa para 2028, que está subindo e se desviando da meta.

Picchetti disse que o BC está tentando entender o fenômeno, acrescentando que 'mais importante e mais preocupante' que os desvios no curto prazo é o desvio das expectativas de inflação em relação à meta em 2027 e 2028.

Conforme o último boletim Focus divulgado pelo BC, a mediana das projeções de economistas ​do mercado para a inflação em 2028 está em 3,60% -- acima dos 3,50% projetados um mês antes. No caso de 2027, a expectativa dos economistas está em 3,91%, ante 3,80% de um mês antes.

Ele acrescentou que dados recentes de inflação corrente, que vieram acima do esperado pelo mercado em março, surpreenderam a todos, inclusive o BC.

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3% e há uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Perguntado sobre a referência que a autoridade monetária faz ao dizer em suas comunicações que a política de juros caminha para levar a inflação para 'o redor' da ​meta, o diretor afirmou ser difícil responder o que seria 'o redor' em meio às incertezas deste momento.

Picchetti é mais um dos diretores do ‌BC a chamar a atenção para a desancoragem das ⁠expectativas de inflação nos próximos anos. Em outro evento em Washington, na quarta-feira, o diretor de Política Monetária, Nilton David, disse que os membros do BC não estão 'felizes' com a alta da expectativa de inflação para 2028.

Picchetti também fez coro à ⁠declaração feita por David no dia anterior ao afirmar que o real está registrando ⁠desempenho muito bom no período recente e enfatizar que o ⁠BC não conta com o ⁠movimento ​cambial para fazer o trabalho da política monetária de levar a inflação à meta.

(Reportagem adicional de Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

Reuters

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