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Plano do governo do Japão incentiva BC a estimular demanda

Plano do governo do Japão incentiva BC a estimular demanda

Reuters

25/06/2026

Placeholder - loading - Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi 15 de junho de 2026. REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi 15 de junho de 2026. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Por Takaya Yamaguchi e Leika Kihara

TÓQUIO, 25 Jun (Reuters) - ​O governo do Japão defenderá uma política monetária que estimule a demanda privada, mostrou um esboço de seu plano econômico de longo prazo visto pela Reuters, sinalizando uma preferência por manter baixos os custos dos empréstimos e gerando potenciais tensões com o banco central.

O esboço insta o Banco do Japão a alinhar suas decisões com a iniciativa da primeira-ministra Sanae Takaichi para impulsionar o crescimento, citando disposições legais que exigem que o banco central coordene a política com o governo.

A linguagem excepcionalmente explícita ressalta o crescente desconforto do governo Takaichi com novos aumentos de juros conforme o Banco do Japão sai de ⁠anos de ⁠política monetária ultrafrouxa, e sinaliza um impulso ​mais forte ‌por coordenação que poderá definir o momento e o ritmo do aperto monetário nos próximos meses.

Ele também promete que o governo tomará medidas “ágeis e suficientes” para evitar um retorno à deflação, ao mesmo tempo em que impulsiona o crescimento de longo prazo.

“À medida que o ⁠governo busca alcançar um crescimento robusto por meio de suas políticas econômicas e ​fiscais, uma política monetária adequada que apoie a demanda privada por meio de aumentos de ​preços estáveis é extremamente importante”, mostrou o esboço rascunho analisado ‌pela Reuters na quarta-feira.

Há muito ​tempo ⁠é costume que governos incluam um parágrafo sobre política monetária no documento, embora a maioria tenha mantido a linguagem deliberadamente vaga, normalmente instando o Banco do Japão apenas a orientar a política monetária de forma adequada ​para alcançar a estabilidade de preços.

O esboço do plano de Takaichi rompe com essa prática, exigindo explicitamente que a política monetária apoie a demanda privada e invocando a exigência legal de que o banco central se alinhe à política do governo.

Isso também ecoa o estímulo no estilo “Abenomics”, ao ​mesmo tempo em que reconhece um ambiente alterado de inflação oscilando em torno da meta de 2%, impulsionado em parte pelo choque de energia ligado ao Irã.

Takaichi é conhecida como defensora do “Abenomics”, uma combinação de grandes gastos fiscais e afrouxamento monetário ousada adotado pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe para tirar o Japão de uma deflação prolongada.

“Embora a formulação seja indireta, a linguagem parece se opor aos aumentos de juros e ressalta a cautela do governo em relação aos riscos de desaceleração da economia associados ​a quaisquer aumentos prematuros de juros”, disse o ex-membro da diretoria do Banco do Japão, Takahide Kiuchi.

Os ‌bancos centrais globais enfrentam pressão crescente de ⁠seus governos em relação à política monetária à medida que o choque de energia induzido pela guerra no Irã aumenta o risco de estagflação — uma combinação indesejável de crescimento baixo e inflação ⁠alta.

O documento, a ser finalizado em julho, será o primeiro ⁠a ser elaborado por Takaichi, que no passado ⁠já havia manifestado reservas ⁠em ​relação aos esforços do Banco do Japão para tirar a economia dos estímulos da era da deflação.

Reuters

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