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Presidente do BC francês deixará o cargo antecipadamente e Macron escolherá seu sucessor

Presidente do BC francês deixará o cargo antecipadamente e Macron escolherá seu sucessor

Reuters

09/02/2026

Placeholder - loading - Presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau 09/04/2025.  REUTERS/Abdul Saboor/File Photo
Presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau 09/04/2025. REUTERS/Abdul Saboor/File Photo

Atualizada em  09/02/2026

Por Leigh Thomas

PARIS, 9 Fev (Reuters) - O presidente do banco central ⁠da França, François Villeroy de Galhau, deixará o cargo em junho, pouco mais de um ano antes do fim do seu mandato, permitindo ao presidente Emmanuel Macron nomear o seu substituto antes das eleições presidenciais de 2027, que a extrema-direita poderá vencer.

Villeroy, 66, tem sido uma voz consistente a favor de juros mais baixos no conselho do Banco Central Europeu, embora os analistas esperem que seu sucessor adote uma postura semelhante.

Ele anunciou sua saída em uma carta ao staff do banco central, dizendo que estava deixando o cargo para liderar uma fundação católica que apoia jovens e famílias vulneráveis. Ele deveria deixar o cargo em outubro de 2027.

Uma fonte familiarizada com o assunto disse ​que o momento de sua saída foi deliberado, com o objetivo ⁠de garantir ⁠continuidade no banco central e evitar qualquer nervosismo no mercado que pudesse surgir se um sucessor tivesse que ser escolhido sob uma Presidência de extrema-direita.

“Tomei essa importante decisão de forma natural e independente”, disse Villeroy à equipe. “O tempo entre agora e o início de junho é suficiente para organizar minha sucessão com tranquilidade.”

O gabinete de Macron não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O sucessor ‌de Villeroy terá um mandato de seis anos, renovável uma vez, e deverá ser aprovado pelas comissões de ​finanças da Assembleia Nacional e do Senado.

O mandato dos dirigentes ‌do BC, segundo a lei ​francesa, só ​pode ser encerrado antecipadamente se eles se tornarem incapazes de exercer suas funções ou forem culpados de má conduta grave.

O parlamentar Jean-Philippe Tanguy, da extrema-direita Reunião Nacional, disse à Reuters que a medida visava colocar aliados anti-RN no caso ​de uma mudança de poder e afirmou que era “mais um passo rumo ao iliberalismo sob o regime de Macron”.

BCE PERDE DEFENSOR DE POLÍTICA MONETÁRIA 'DOVISH'

Com a saída de Villeroy, o BCE perderá uma de suas vozes mais contundentes em defesa de uma política monetária 'dovish' (mais branda no controle da inflação). Villeroy vem alertando consistentemente há meses sobre os riscos de queda da inflação, mais recentemente devido à força do euro.

“A vitória sobre a inflação foi conquistada e, embora as incertezas internacionais continuem altas, é claro que a política monetária está em boa posição com o BCE”, disse ele ao staff do BC francês.

O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, disse que as ações de Villeroy “sempre foram guiadas pelo rigor, independência e preocupação com o interesse público”.

Os presidentes do Banco da França geralmente passam algum tempo no Tesouro, que lida com muitas das questões mais delicadas do Ministério das Finanças francês.

Duas fontes ⁠afirmaram que o atual diretor Bertrand Dumont ou o ex-diretor Emmanuel Moulin seriam bons candidatos, assim como a vice-presidente do ‌Banco da França, Agnès Bénassy-Quéré, ou o ex-formulador ⁠de política monetária do BCE Benoit Coeuré, ambos com cargos no Tesouro.

A ex-economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, atualmente no banco espanhol Santander, também é vista como uma possível candidata para substituir Villeroy, disseram as duas fontes.

Embora ‍Coeuré tendesse a apoiar uma política monetária branda quando estava no BCE, pouco se sabe sobre a posição dos outros possíveis candidatos.

No entanto, os formuladores ​de ‌políticas franceses tendem a ser mais 'dovish', uma postura que pode ser útil conforme a França enfrenta um crescente endividamento público.

Reuters

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