Cardeal do Vaticano considera 'estranhos' os ataques de Trump ao papa Leão
Cardeal do Vaticano considera 'estranhos' os ataques de Trump ao papa Leão
Reuters
06/05/2026
Atualizada em 06/05/2026
Por Joshua McElwee
ROMA, 6 Mai (Reuters) - Um cardeal sênior do Vaticano considerou nesta quarta-feira 'estranhos' os comentários depreciativos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao papa Leão envolvendo a guerra do Irã, um dia antes de o secretário de Estado dos EUA se reunir com o papa.
Questionado sobre como avalia os ataques de Trump a Leão, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, respondeu: 'Para mim, parece um pouco estranho, para dizer o mínimo'.
'Eu não gostaria de entrar em julgamentos ou avaliações pessoais sobre isso', disse o cardeal a jornalistas do lado de fora de um evento perto do Vaticano.
Leão, que receberá o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no Vaticano para uma reunião na quinta-feira, atraiu a ira de Trump após se tornar um crítico contundente tanto da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, quanto das políticas de imigração linha-dura do governo Trump.
O presidente manteve uma série de ataques públicos ao papa sem precedentes nas últimas semanas, provocando uma reação de líderes cristãos de todo o espectro político.
O embaixador dos EUA na Santa Sé disse a jornalistas na terça-feira que a conversa entre Leão e Rubio, a primeira conhecida entre o papa e um funcionário do gabinete de Trump em quase um ano, deve provavelmente ser 'franca'.
Parolin disse nesta quarta-feira que a reunião foi solicitada pelos EUA. Segundo ele, Leão deve escutar atentamente o que Rubio tem a dizer.
'Imagino que eles vão falar sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias', disse o cardeal.
Trump sugeriu falsamente na segunda-feira que o papa não veria problema na obtenção de armas nucleares por parte do Irã e que ele estaria 'colocando em risco muitos católicos' ao se opor à guerra.
Leão disse a jornalistas após o último ataque de Trump que ele estava apenas divulgando a mensagem cristã de paz. O papa também rejeitou firmemente a ideia de que apoia armas nucleares, que a Igreja Católica ensina serem imorais.
(Reportagem de Joshua McElwee)
Reuters

