Putin deve intensificar guerra na Ucrânia apesar dos esforços de Trump pela paz, dizem fontes
Putin deve intensificar guerra na Ucrânia apesar dos esforços de Trump pela paz, dizem fontes
Reuters
09/07/2026
9 Jul (Reuters) - O presidente Vladimir Putin está rejeitando apelos para negociar a paz com Kiev, segundo informaram à Reuters três fontes próximas ao Kremlin, com os recentes ataques com drones da Ucrânia contra refinarias de petróleo e portos russos tendo reforçado sua determinação de continuar lutando por enquanto.
Duas das fontes, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que Putin provavelmente intensificará o conflito, que já está em seu quinto ano. Uma delas, que se reúne regularmente com o presidente, descreveu uma “alta probabilidade” de escalada nos próximos meses.
Os comentários surgem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que Putin queria que a guerra acabasse e que uma solução estava “mais próxima do que as pessoas imaginam”. Trump manteve conversas telefônicas separadas com Putin e com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, na semana passada. Ele se encontrou com Zelenskiy na cúpula da Otan na quarta-feira, onde o presidente ucraniano disse que discutiram “ideias para aproximar a paz”.
A Casa Branca não respondeu a pedidos de comentário.
Uma das pessoas familiarizadas com o pensamento de Putin disse que ele havia “se mantido firme” em alcançar o objetivo principal de capturar o que resta da região de Donbas, no leste da Ucrânia, onde os avanços russos desaceleraram este ano. A mesma fonte disse que Putin repreendeu recentemente um grupo de assessores que sugeria um acordo baseado em um cessar-fogo ao longo das atuais linhas de frente. A segunda fonte disse que Putin acredita que a Rússia conquistará Donbas em breve.
O presidente russo rejeitou publicamente, em junho, um apelo de Zelenskiy por uma reunião e um cessar-fogo.
“A Rússia está pronta para uma solução pacífica, mas tem capacidade suficiente para agir de forma independente e continuar a operação militar especial”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta a um pedido de comentário sobre esta matéria.
Em resposta a um pedido de comentário ao gabinete de Zelenskiy, uma alta autoridade ucraniana afirmou que relatórios de inteligência de Kiev nos últimos meses indicavam que Putin estava se preparando para novas etapas na guerra, e não para a paz, incluindo novas operações na Ucrânia ou um possível ataque a outro país europeu.
Alguns analistas militares ocidentais acreditam que a Rússia precisaria de um alistamento obrigatório de homens em idade de combate para alcançar o objetivo de tomar o Donbas. O alistamento é uma medida politicamente impopular que Putin tem relutado em adotar desde o início da guerra.
Especialistas militares russos têm discutido cada vez mais a escalada em público, incluindo a possibilidade de atacar alvos europeus, como bases da Otan nos países bálticos.
Tal medida correria o risco de levar a Rússia a um confronto direto com a aliança liderada pelos EUA, colocando à prova o compromisso da Otan de que um ataque a um país-membro constitui um ataque a todos.
A Rússia poderia tentar semear tensões dentro da Otan com ataques isolados, comparáveis a um recente ataque com drones russos na Romênia, segundo Jack Watling, do Royal United Services Institute (RUSI), um centro de estudos sobre defesa e segurança em Londres.
“Os russos não estariam buscando uma guerra com a Otan. Mas isso poderia ser usado para dividir a Otan quanto à forma de responder”, disse Watling. Ele acrescentou que o aumento das tensões com a Otan poderia ajudar a dar a Putin uma justificativa política dentro da Rússia para o alistamento militar obrigatório.
AUMENTO DOS CUSTOS DA GUERRA
Ataques repetidos a refinarias de petróleo, portos e depósitos na Rússia e na Ucrânia ocupada pela Rússia causaram grave escassez de combustível, fazendo com que milhões de russos sentissem diretamente o impacto da guerra. A popularidade de Putin continua alta, mas recentemente atingiu seu ponto mais baixo desde o início da guerra em 2022, segundo uma pesquisa.
Os aliados da Ucrânia aproveitaram o que chamam de mudança no rumo da guerra. Alguns pedem sanções econômicas adicionais para forçar Putin a encerrar o conflito.
Os recentes sucessos da Ucrânia, no entanto, deixaram Putin mais irritado e mais determinado a dar uma resposta dura, segundo a pessoa que se reúne regularmente com o líder russo.
As forças russas lançaram dois grandes ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia na última semana, incluindo a capital, Kiev, matando dezenas de civis. Moscou afirmou que os ataques atingiram alvos militares.
Falando a generais na semana passada em declarações televisionadas, Putin disse que os ataques da Ucrânia à infraestrutura energética significavam que a Rússia buscaria capturar mais território ucraniano ao longo da fronteira, além de Donbas, como uma “zona de segurança”.
(Reportagem da Reuters)
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