QUAIS FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL JÁ ENTRARAM NA ROTINA?
Ranking combina dados de acesso na web e no celular para identificar os produtos que realmente ganharam usuários
Bruna Valle
09/10/2026
A inteligência artificial já deixou de ser novidade, mas isso não significa que todas as ferramentas tenham conseguido se tornar parte da rotina. Um novo levantamento ajuda a separar os produtos que atraem atenção daqueles que efetivamente acumulam usuários: a sétima edição do ranking de aplicativos de inteligência artificial para consumidores, elaborado pela Andreessen Horowitz, reúne os 100 principais serviços com base em dados de uso na web e em dispositivos móveis.
O estudo considera os 50 produtos mais acessados pela internet e os 50 aplicativos com maior número de usuários ativos mensais no celular. Nesta edição, a análise ganhou ainda uma nova dimensão: dados de gastos dos consumidores americanos permitem observar quais ferramentas também conseguem transformar uso em receita.
ChatGPT continua na frente
Entre os grandes assistentes de inteligência artificial, o ChatGPT mantém a liderança. Segundo os dados de agosto analisados pela Andreessen Horowitz, a plataforma teve aproximadamente o dobro das visitas do Gemini na web e uma vantagem ainda maior sobre o Claude.
No celular, a diferença também permanece expressiva: o ChatGPT registrou cerca de duas vezes e meia o número de usuários ativos mensais do Gemini e 14 vezes o do Claude. O levantamento também aponta que o ChatGPT tem aproximadamente três vezes mais assinantes pagos nos Estados Unidos do que Claude ou Gemini.
O Claude, por sua vez, aparece como um dos movimentos mais relevantes da disputa. A ferramenta, que não figurava no primeiro ranking publicado pela empresa em 2023, já ultrapassou concorrentes como DeepSeek e Perplexity em tráfego e se consolidou na terceira posição entre os principais modelos acompanhados.

ChatGPT, Gemini e Claude estão entre as ferramentas que concentram a disputa pelo uso cotidiano de I.A
O celular mostra um uso mais diversificado
Quando o levantamento olha especificamente para os aplicativos móveis, o cenário fica mais variado. Além dos grandes assistentes, aparecem ferramentas voltadas para edição de imagens, produtividade, estudos, tradução e criação de conteúdo.
Canva, CapCut, Character.ai, FaceApp, Gemini, Meta AI, Perplexity, Photoroom, Picsart, Remini e Suno estão entre os nomes presentes na lista dos 50 aplicativos móveis. A diversidade mostra que a inteligência artificial está sendo incorporada a atividades que vão muito além da conversa com um assistente.
No ranking de produtos acessados pela web, também aparecem plataformas como Canva, Figma, Gamma, Midjourney, Notion, Perplexity, Suno e ferramentas voltadas à programação, criação de imagens, vídeo e produtividade.
Uso ainda é mais concentrado do que parece
Apesar da quantidade de aplicativos disponíveis, o estudo indica que o uso de inteligência artificial ainda não é tão profundo entre a maioria dos consumidores.
Nos Estados Unidos, quase metade dos consumidores afirma utilizar alguma ferramenta de inteligência artificial, mas apenas 25% dizem fazer isso diariamente. Em agosto, somente 4,5% dos consumidores considerados na análise tinham uma assinatura pessoal paga de ChatGPT, Gemini ou Claude.
Isso ajuda a explicar uma característica importante do mercado: muita gente já experimentou inteligência artificial, mas uma parcela bem menor incorporou essas ferramentas de maneira frequente à rotina.
Quem paga usa de outro jeito
Os dados de gastos revelam outra diferença. Entre as pessoas que pagam por ferramentas de inteligência artificial, o consumo está bastante concentrado. Os 10% que mais gastam respondem por aproximadamente metade de todo o valor observado na pesquisa.
Esse grupo também tende a buscar ferramentas mais específicas, principalmente para programação, produtividade, automação e criação de conteúdo. Entre os produtos que aparecem com força nesse segmento estão n8n, Manus, Figma e HeyGen.
A diferença entre popularidade e faturamento é significativa: 29 dos 50 fornecedores que mais aparecem na lista de gastos não estão entre os 50 produtos com maior tráfego na web ou no celular. Ou seja, uma ferramenta pode ter menos usuários e, ainda assim, encontrar um público disposto a pagar mais por recursos especializados.
A próxima disputa pode ser pelo assistente pessoal
O levantamento também aponta para uma nova etapa do mercado: os chamados agentes de inteligência artificial, capazes de executar tarefas em vez de apenas responder a comandos.
Ferramentas como Instinct, Tomo, Poke e Lindy começam a ganhar usuários, enquanto empresas maiores também desenvolvem seus próprios agentes. A proposta é fazer com que a inteligência artificial esteja presente em diferentes canais e consiga realizar tarefas práticas, como organizar atividades, buscar informações e interagir com outros serviços.
O ranking mostra que a corrida não é apenas para criar o modelo mais poderoso. A disputa também está em transformar tecnologia em ferramentas que as pessoas realmente queiram continuar usando.


