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Recuo surpreendentemente rápido do preço do petróleo diminui urgência de ação do BCE, segundo fontes

Recuo surpreendentemente rápido do preço do petróleo diminui urgência de ação do BCE, segundo fontes

Reuters

30/06/2026

Placeholder - loading - Bandeiras da União Europeia do lado de fora da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha 19 de março de 2026 REUTERS/Jana Rodenbusch
Bandeiras da União Europeia do lado de fora da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha 19 de março de 2026 REUTERS/Jana Rodenbusch

Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi

SINTRA, Portugal, 30 Jun (Reuters) - ​A queda inesperadamente rápida nos preços da energia na semana passada aliviou ainda mais a pressão sobre os formuladores de políticas do Banco Central Europeu para que aumentem as taxas de juros no mês que vem, mas os argumentos a favor de um pequeno aumento mais adiante continuam sólidos, segundo informaram quatro fontes à Reuters.

O BCE elevou as taxas de juros neste mês para evitar que um aumento repentino nos preços do petróleo, induzido por uma guerra com o Irã, elevasse as expectativas de inflação, e os formuladores de políticas estão agora debatendo a urgência de qualquer medida subsequente.

As fontes, todas com conhecimento direto da discussão, disseram estar surpresas com a rapidez ⁠com que ⁠os preços do petróleo recuaram e que os ​contratos futuros ‌para vários prazos-chave estão agora até mesmo abaixo do cenário “mais moderado” do banco.

O temor de escassez de itens como combustível de aviação se revelou infundado, enquanto alguns produtores, particularmente a Arábia Saudita, aumentaram a produção de energia além do previsto para manter o abastecimento do mercado.

A China também consumiu menos ⁠petróleo do que o previsto, provavelmente porque substituiu o petróleo por outras fontes de ​energia de forma mais agressiva do que o esperado. Isso reforça ainda mais a hipótese de uma ​rápida queda nos preços da energia assim que a oferta ‌se normalizar, afirmaram as fontes.

Um ​porta-voz do ⁠BCE se recusou a comentar.

Os preços do petróleo nem mesmo reagiram fortemente à escalada do conflito entre o Irã e os Estados Unidos no fim de semana, sugerindo que a normalização do mercado de energia já estava bem ​encaminhada, acrescentaram as fontes.

AUMENTO EM SETEMBRO AINDA É CENÁRIO MAIS PROVÁVEL

Um aumento da taxa de juros em setembro continua sendo o cenário mais provável por enquanto, mas as fontes afirmaram que os dados de inflação de junho, a serem divulgados na quarta-feira, ainda têm maior importância.

Se o índice geral realmente recuar dos 3,2%, como os ​mercados financeiros antecipam atualmente, então esperar até setembro seria a melhor opção, disse uma das fontes.

No entanto, uma surpresa negativa reforçaria os argumentos a favor de um rápido aumento subsequente em julho, acrescentou a fonte.

A redução das expectativas de preços dos consumidores e das empresas também reforça a ideia de que é melhor esperar um pouco antes de tomar uma nova decisão.

O BCE tem como meta uma inflação de 2%. Sua projeção de base não prevê o retorno a essa meta até o segundo semestre do próximo ano. Seu cenário mais moderado ​aponta para um nível bem abaixo de 2% até meados de 2027.

Os mercados financeiros agora veem apenas uma chance ‌em três de um aumento dos juros em ⁠julho e não estão precificando totalmente um aumento até outubro.

Esse aumento subsequente, já defendido por alguns, provavelmente impedirá que o aumento do preço do petróleo se espalhe para a economia em geral, desencadeando um efeito ⁠de segunda ordem que poderia agravar a inflação.

As fontes, no entanto, concordaram ⁠que tais efeitos de segunda ordem têm sido ⁠insignificantes até o momento, mesmo ⁠que ​a lógica econômica indique que alguns acabarão por ocorrer.

A próxima reunião do BCE está marcada para 23 de julho.

Reuters

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