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    Reino Unido usa ameaça de Brexit caótico para cobrar UE sobre acordo comercial

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    Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, posa com novos parlamentares conservadores no Parlamento britânico, em Londres 16/12/2019 Leon Neal/Pool via REUTERS

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    Por Guy Faulconbridge

    LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, usará a perspectiva da uma separação caótica da União Europeia no final de 2020 para exigir que o bloco lhe ofereça um acordo de livre comércio abrangente em menos de 11 meses.

    Em seu gesto mais ousado desde que conquistou uma grande maioria na eleição geral de quinta-feira, Johnson aproveitará seu domínio sobre o Parlamento para impedir qualquer prorrogação do período de transição do Brexit para além de 2020.

    'Nosso manifesto deixou claro que não estenderemos a implantação do período (de transição) e que o novo Projeto de Lei do Acordo de Retirada proibirá o governo legalmente de concordar com qualquer prorrogação', disse uma autoridade de alto escalão do governo nesta terça-feira.

    Indagado se o governo empregará alguma legislação para descartar qualquer prorrogação da transição para além de 2020, Michael Gove, um dos principais ministros de Johnson, respondeu: 'Exatamente, absolutamente'.

    Depois que o Reino Unido deixar a UE, no dia 31 de janeiro, o país entra em um período de transição no qual permanece como membro pleno do bloco, a não ser nominalmente, enquanto os dois lados tentam forjar um acordo sobre seu relacionamento pós-Brexit.

    Um acordo de livre comércio abrangente envolveria tudo, de serviços financeiros e regras de origem a tarifas, regras para auxílio estatal e pesca, mas a abrangência e a sequência de qualquer pacto futuro ainda estão abertos a debate.

    A libra esterlina caiu 1,2% e ficou em 1,3155 em relação ao dólar, e em 84,59 centavos na paridade com o euro, níveis nos quais era comercializada antes de a escala da vitória de Johnson ficar clara na noite de quinta-feira e provocar ganhos intensos.

    A libra recuou mais de 2% em relação ao pico pós-eleição de mais de 1,35 diante do dólar.

    Ao entronizar em lei sua promessa de campanha de não prorrogar o período de transição para depois de 2020, o premiê reduz o tempo que tem para negociar um acordo comercial para 10-11 meses – e possivelmente muito menos, dado o tempo necessário para obter aprovação parlamentar britânica e da UE ao acordo.

    A UE espera iniciar as conversas comerciais com Londres em março.

    Acordos comerciais costumam exigir muitos anos. O pacto de duas mil páginas entre Estados Unidos e Canadá, conhecido como Ceta, exigiu sete anos de negociações.

    (Reportagem adicional de Michael Holden em Londres, Gabriela Baczynska e John Chalmers em Bruxelas e Akshay Balan em Bengaluru)

    Escrito por Reuters

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