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Setores de transporte e combustíveis pedem rigor em testes para uso de mais biodiesel

Setores de transporte e combustíveis pedem rigor em testes para uso de mais biodiesel

Reuters

09/04/2026

Placeholder - loading - Um trabalhador abastece um carro em um posto no Rio de Janeiro, Brasil, em 10 de março de 2021. REUTERS/Pilar Olivares
Um trabalhador abastece um carro em um posto no Rio de Janeiro, Brasil, em 10 de março de 2021. REUTERS/Pilar Olivares

SÃO PAULO, 9 Abr (Reuters) - Entidades que representam ​os setores de transporte, petróleo e derivados, de distribuição de combustíveis, postos e importadores de diesel e gasolina defenderam nesta quinta-feira a manutenção do rigor técnico nos testes antes de qualquer decisão sobre o aumento da mistura de biodiesel no Brasil, conforme uma nota conjunta.

O pedido visa 'garantir a segurança operacional e a integridade da frota brasileira do Ciclo Diesel', afirmou o comunicado, assinado por Abicom, CNT, IBP, Federação Brasilcom, Fecombustíveis, SindTRR, Sindoco e Semove.

As entidades destacaram que o 'cumprimento integral' da Lei do Combustível do Futuro exige a comprovação da viabilidade técnica e ⁠que ⁠crises conjunturais, como a gerada pela guerra ​no Irã, 'não ‌devem ser utilizadas como fator de simplificação de procedimentos técnicos ou o afrouxamento de requisitos de qualidade'.

'O Brasil possui frota de veículos a diesel extremamente diversificada e, neste contexto, o respeito ao consumidor final e a eficiência da cadeia logística ⁠nacional dependem de especificações rigorosas que não podem ser flexibilizadas por fatores ​de mercado momentâneos', afirmou a nota.

A manifestação acontece antes de o governo decidir sobre ​um pedido de produtores de biodiesel para acelerar ‌testes sobre a viabilidade ​da adoção ⁠da mistura de até 20% de biodiesel no diesel, ante 15% atuais, em momento em que a indústria do biocombustível vê oportunidades para avançar devido aos preços mais altos do diesel.

Uma ​fonte do governo disse à Reuters na véspera que uma decisão era aguardada em reunião na sexta-feira.

Uma aceleração do processo de testes poderia acontecer com a contratação de mais dois laboratórios especializados, o que reduziria o tempo para a conclusão das avaliações de 14 ​meses para 4 meses, conforme estimativas preliminares. O setor de biodiesel se dispõe a colaborar com custos do processo.

Segundo a fonte do governo, que falou na condição de anonimato, eventual investida nesse sentido não mira o afrouxamento das exigências, mas apenas permitir que o tempo total do processo seja reduzido.

A proposta para testes mais céleres é apoiada pela AliançaBiodiesel, uma nova entidade formada pela Abiove e pelo grupo de biocombustíveis Aprobio, lançada na quarta-feira em ​Brasília.

O objetivo é garantir a aprovação de misturas de até 20% em uma única etapa, mesmo ‌que a implementação determinada pelo governo seja ⁠gradual, evitando a necessidade de testes demorados a cada novo incremento, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

O Brasil importa cerca de ⁠um quarto do diesel que consome. Como o biodiesel brasileiro ⁠está agora mais barato que o diesel ⁠importado, misturas mais ⁠altas ​aumentam a segurança energética, argumentou Nassar, em entrevista à Reuters.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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