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Sobrevivente do Holocausto se diz “chocada” com extrema-direita no poder em Estado alemão

Sobrevivente do Holocausto se diz “chocada” com extrema-direita no poder em Estado alemão

Reuters

09/09/2026

Placeholder - loading - Eva Umlauf, sobrevivente de Auschwitz, em Munique, na Alemanha   8 de setembro de 2026    REUTERS/Angelika Warmuth
Eva Umlauf, sobrevivente de Auschwitz, em Munique, na Alemanha 8 de setembro de 2026 REUTERS/Angelika Warmuth

Por Anja Guder

MUNIQUE, 9 Set (Reuters) - Eva ​Umlauf tinha dois anos quando ela e sua mãe foram libertadas do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em janeiro de 1945. Ela diz que fica horrorizada ao ver que, mais de 80 anos depois, a extrema-direita está novamente em ascensão na Alemanha.

A vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, no último domingo, colocou um partido de extrema-direita a um passo ⁠do ⁠poder em um Estado alemão pela ​primeira ‌vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

“O que posso dizer? Eu esperava por isso e, mesmo assim, estou chocada”, disse ela à Reuters em uma entrevista. “Estou chocada, estou triste; ⁠não sei o que leva as pessoas a votarem nesse ​partido.”

Umlauf, uma pediatra e psicoterapeuta nascida na Eslováquia que mora em ​Munique, visita escolas para ensinar as ‌crianças sobre o Holocausto ​e ⁠atua como presidente do Comitê Internacional de Auschwitz.

Seus comentários refletem a preocupação que muitos representantes de grupos minoritários têm expressado nos últimos meses, à ​medida que pesquisas de opinião apontavam para o avanço da extrema-direita na Saxônia-Anhalt, bem como em Berlim e no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental — ambos com eleições marcadas para 20 de setembro.

“Estamos com ​medo. Sabemos o que acontece – o que acontece com as minorias, o que acontece com os estrangeiros”, declarou ela.

O AfD, fundado como um partido eurocético durante a crise da zona do euro em 2013, rejeita comparações com o Partido Nazista, responsável pelo Holocausto que matou cerca de 6 milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais e outros.

O partido ​quer restringir a imigração, especialmente de países que considera “culturalmente estranhos” à Alemanha, ‌sair do euro e restabelecer ⁠laços com a Rússia para reduzir os preços da energia. Afirma que suas políticas refletem ideias de bom senso compartilhadas por milhões ⁠de alemães e nega ser antissemita.

Em vez ⁠disso, acusa os partidos tradicionais ⁠de usar tais ⁠acusações ​como meio de silenciar a oposição.

(Reportagem de Ayhan Uyanik e Anja Guder)

Reuters

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