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    Sombra da Sars: China aprendeu da maneira mais difícil como lidar com uma epidemia

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    Enfermeira com roupa de proteção e máscara em frente a local de tratamento para Sars em Toronto, no Canadá 24/04/2003 REUTERS/Mike Cassese

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    Por David Stanway

    XANGAI (Reuters) - O surgimento de um novo vírus na China trouxe lembranças dolorosas de outra doença respiratória viral que causou estragos em todo o mundo e deixou as autoridades de saúde do país com dificuldade para recuperar a confiança do público.

    Mas especialistas globais em saúde disseram que a China percorreu um longo caminho desde 2003, quando foi acusada de tentar encobrir um grande surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), um vírus anteriormente desconhecido que se acredita ter surgido nos mercados da província de Guangdong antes de se espalhar pelas principais cidades.

    Ao menos 774 pessoas morreram em uma epidemia que atingiu quase 30 países.

    Agora, quase 17 anos depois, autoridades do governo asseguram que aprenderam com os erros do passado, ao tentar conter a mais recente cepa mortal de pneumonia viral, que infectou 440 pessoas, principalmente na cidade de Wuhan, e matou nove desde que foi identificada, no final do mês passado.

    Liu Heng, consultor do gabinete chinês, disse que o país levou quatro ou cinco meses para anunciar o surto de Sars ao público, e desta vez levou menos de um mês.

    'Estamos fazendo muito melhor agora ... Estamos prestando mais atenção à prevenção da epidemia', disse ele a repórteres.

    Li Bin, vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde, afirmou nesta quarta-feira que desde 2003 a China estabeleceu novos procedimentos abrangentes para lidar com as principais ameaças à saúde.

    'Com sistemas de prevenção e controle relativamente completos para doenças súbitas e infecciosas em vigor desde a Sars ... e com o apoio de grandes massas do público, estamos confiantes na vitória', disse.

    Um fator-chave observado por especialistas na China e no exterior tem sido a rápida divulgação de informações sobre a estrutura genética do vírus e a maneira como ele se espalhou pela população.

    Li disse que Pequim aprendeu com suas experiências com a Sars e agora compartilha todos os dados relevantes com as partes interessadas internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    'A velocidade com que esse vírus foi identificado é prova das mudanças na saúde pública na China desde a Sars e da forte coordenação global por meio da OMS', disse Jeremy Farrar, especialista britânico em doenças infecciosas que também trabalhou no combate à Sars.

    Especialistas dizem que as falhas ocorridas com a Sars foram causadas por um sistema de saúde com poucos recursos e supercentralizado, com pouca experiência em doenças infecciosas e nenhum mecanismo de divulgação de informações.

    Os governos locais também estavam relutantes em assumir a responsabilidade pela rápida disseminação de infecções.

    Desde então, Pequim estabeleceu o Sistema de Informação da China para Controle e Prevenção de Doenças, que conecta hospitais e clínicas em todo o país e relata surtos em tempo real. Também estabeleceu mecanismos específicos para novas cepas de pneumonia.

    (Reportagem adicional de Kate Kelland, em Londres; e Kevin Yao e Cate Cadell, em Pequim)

    Escrito por Reuters

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