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    Surto de coronavírus na China pressiona economia já enfraquecida

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    Pessoas usam máscaras em estação de metrô de Pequim. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

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    Por Gabriel D. Crossley

    PEQUIM (Reuters) - O surto de coronavírus na China -- que matou 81 pessoas e se espalhou para vários países -- deve prejudicar sua economia, um motor do crescimento global, embora analistas digam que é muito cedo para quantificar o impacto geral sobre as empresas e consumidores.

    O consenso é de que, no curto prazo, a produção econômica será afetada à medida que as autoridades chinesas adotam medidas preventivas, impõem restrições de viagem e estendem o feriado do Ano Novo Lunar para limitar a propagação do vírus.

    Milhões que normalmente viajam durante esse período cancelaram seus planos, com o governo ordenando que sejam concedidos reembolsos totais aos passageiros de transporte aéreo e ferroviário.

    Xangai disse nesta segunda-feira que as empresas não podem reiniciar as operações antes de 9 de fevereiro, e as empresas no centro industrial chinês de Suzhou foram ordenadas a permanecer fechadas até pelo menos 8 de fevereiro.

    O governo prolongou o feriado do Ano Novo Lunar de uma semana em três dias em todo o país, até 2 de fevereiro.

    Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes e o epicentro do surto de vírus no centro da China, já está praticamente confinada e existem severos limites de locomoção em várias outras cidades chinesas.

    Muitos analistas estão se voltando para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), um coronavírus que se originou na China e matou quase 800 pessoas em todo o mundo em 2002 e 2003, para entender melhor os prováveis efeitos a longo prazo.

    'A economia se recuperou rapidamente depois que a Sars desapareceu', disse Larry Hu, da Macquarie Capital, em nota a clientes. Transporte, restaurantes e vendas no varejo foram atingidos, mas Hu disse que, no geral, a Sars foi 'apenas um pontinho que não mudou a principal tendência'.

    Desta vez, no entanto, analistas dizem que o aumento da dependência do consumo da China para impulsionar a segunda maior economia do mundo em comparação ao início dos anos 2000 poderia minar o crescimento.

    'Na China, durante 2019, o consumo contribuiu com cerca de 3,5 pontos percentuais para a taxa de crescimento real geral do PIB de 6,1%. Um cálculo posterior sugere que se os gastos com esses serviços caíssem 10%, o crescimento geral do PIB cairia cerca de 1,2 ponto percentual', disseram analistas da S&P Global Ratings em nota.

    Os dados iniciais contribuem para uma leitura sóbria.

    A correria habitual do Ano Novo Lunar de gastos com viagens, turismo e entretenimento já sendo prejudicada. O total de passageiros caiu quase 29% em relação ao ano anterior no primeiro dia do Ano Novo Lunar, disse uma autoridade do ministério dos transportes.

    Notavelmente, as condições externas em 2002-03 eram favoráveis, enquanto o surto de coronavírus está 'aumentando os obstáculos ao crescimento', disseram analistas do Nomura em nota. O crescimento do PIB da China caiu para uma mínima em quase 30 anos em 2019, pressionado pela fraca demanda doméstica e atritos comerciais com os Estados Unidos.

    A China também agora contribui mais para o crescimento econômico global do que há 17 anos, o que significa que qualquer grande impacto doméstico decorrente do vírus repercutirá em todo o mundo.

    O vírus já se espalhou para mais de 10 países, incluindo Estados Unidos, França, Austrália e Cingapura, embora todas as 81 mortes tenham ocorrido até agora na China.

    Escrito por Reuters

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