Suspeito de ataque em jantar em Washington é acusado de tentar assassinar Trump
Suspeito de ataque em jantar em Washington é acusado de tentar assassinar Trump
Reuters
27/04/2026
Atualizada em 27/04/2026
Por Andrew Goudsward
WASHINGTON, 27 Abr (Reuters) - O homem acusado de abrir fogo em um jantar em Washington com a presença de Donald Trump foi acusado formalmente nesta segunda-feira de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos e pode enfrentar prisão perpétua se for condenado.
Cole Tomas Allen, de 31 anos, vestia uma camisa azul com gola em V e calças em sua primeira aparição no tribunal federal de Washington, dois dias depois que as autoridades disseram que ele lançou um ataque malsucedido no Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, um encontro anual de jornalistas e políticos. Suas mãos foram algemadas atrás das costas enquanto ele era conduzido para dentro e para fora da sala do tribunal.
'Ele tentou assassinar o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump', disse a promotora Jocelyn Ballantine.
O incidente é o mais recente em um padrão de violência política nos Estados Unidos. O ativista político conservador Charlie Kirk foi morto a tiros em um comício em setembro passado, meses depois que uma deputada estadual democrata de Minnesota e seu marido foram assassinados. O próprio Trump foi alvo de duas tentativas de assassinato na campanha presidencial de 2024.
O procurador-geral interino, Todd Blanche, disse aos repórteres após a audiência que os investigadores acreditam que Allen visava Trump em parte porque ele parecia se referir ao presidente como 'traidor' e o chamou de outros epítetos em um email que enviou a parentes na noite do incidente.
'A violência não tem lugar na vida civil', disse Blanche aos repórteres. 'Ela não pode e não será usada para perturbar as instituições democráticas, e certamente não pode continuar a ser usada contra o presidente dos Estados Unidos.'
ALLEN SERÁ MANTIDO NA PRISÃO
Allen, de Torrance, Califórnia, também enfrenta acusações de transporte ilegal de arma de fogo através de fronteiras estaduais e de disparo de arma de fogo durante um crime de violência.
Ballantine disse que Allen trouxe para Washington uma espingarda calibre 12 e três facas, enquanto um documento judicial também afirmou que ele estava armado com uma pistola semiautomática Rock Island Armory 1911 calibre 38.
Blanche disse que as autoridades recuperaram um cartucho deflagrado dentro da espingarda, em um sinal de que ela havia sido disparada.
Allen não respondeu às alegações na breve audiência. Ele disse que tinha um mestrado em ciência da computação. A advogada de defesa, Tezira Abe, disse na audiência que Allen não tinha prisões ou condenações anteriores.
O juiz federal Matthew Sharbaugh ordenou que Allen fosse mantido sob custódia até pelo menos quinta-feira, quando ele deverá retornar ao tribunal para uma audiência para considerar se ele deve permanecer na prisão até o julgamento.
Jeanine Pirro, procuradora federal em Washington, disse aos repórteres que outras acusações seriam feitas contra Allen.
'ASSASSINO FEDERAL AMIGÁVEL'
Allen reservou um quarto no hotel Washington Hilton, onde o jantar foi realizado, em 6 de abril e viajou da Califórnia para Washington de trem na semana passada, de acordo com uma declaração juramentada apresentada por um agente do FBI no tribunal.
De acordo com a declaração juramentada, Allen enviou no sábado um email a membros da família referindo-se a si mesmo como o 'Assassino Federal Amigável' e discutindo planos para atingir autoridades do governo Trump.
'Quanto ao motivo de eu ter feito tudo isso: Sou um cidadão dos Estados Unidos da América. O que meus representantes fazem reflete em mim', escreveu Allen no email, de acordo com a declaração juramentada.
O tiroteio de sábado abalou o jantar da imprensa, um evento de destaque no calendário social de Washington, levando os participantes a se abrigarem debaixo das mesas e as autoridades policiais a retirar as autoridades de alto escalão da sala. Trump, que deveria fazer seus comentários no final da noite, foi retirado às pressas do palco pela equipe de segurança.
As autoridades descreveram a detenção de Allen como um sucesso na aplicação da lei. Mas o incidente reavivou as preocupações sobre a segurança de Trump e de outras autoridades norte-americanas.
Allen passou por um magnetômetro em um posto de controle de segurança no hotel enquanto segurava uma arma longa, de acordo com a declaração juramentada. Um agente do Serviço Secreto disparou contra Allen, que caiu no chão, mas não foi atingido, segundo a declaração juramentada.
A declaração juramentada afirma que o agente do Serviço Secreto foi baleado no peito enquanto usava um colete balístico, mas não especifica por quem.
(Reportagem de Andrew Goudsward e Blake Brittain em Washington; reportagem adicional de Luc Cohen em Nova York)
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