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    Chuvas podem dificultar buscas por vítimas de incêndios na Califórnia

    Por Jonathan Allen e Nick Carey

    (Reuters) - Fortes chuvas são esperadas no norte da Califórnia nesta terça-feira, elevando o risco de deslizamentos e dificultando a busca por mais vítimas do mais violento incêndio na história do Estado, já que cerca de mil pessoas continuam desaparecidas.

    Restos mortais de 79 vítimas foram recuperados desde o que o incêndio começou, em 8 de novembro, e destruiu a cidade de Paradise, uma comunidade de quase 27.000 habitantes, localizada a 280 quilômetros ao norte de San Francisco.

    A lista de pessoas desaparecidas mantida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Butte ainda tem 993 nomes. Esse número tem flutuado drasticamente, já que mais pessoas foram dadas como desaparecidas, enquanto algumas pessoas inicialmente indicadas como desaparecidas, ou aparecem vivas ou são identificadas entre os mortos.

    O xerife Kory Honea disse que algumas pessoas foram adicionadas à lista mais de uma vez, às vezes, sob as variações da grafia de seus nomes.

    Desde segunda-feira, o incêndio queimou mais de 151.000 hectares de arbustos e árvores, incinerando cerca de 12.000 casas ao longo do caminho, disse Cal Fire.

    As linhas de contenção foram construídas em torno de 70 por cento de seu perímetro, de acordo com a agência.

    Os esforços para suprimir ainda mais as chamas provavelmente se beneficiarão de uma tempestade que deve despejar até 10 cm de chuva ao norte de San Francisco entre o final da terça e sexta-feira, disse Patrick Burke, um meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia.

    Mas chuvas pesadas correm o risco de desencadear deslizamentos de terra em áreas recém-queimadas, ao mesmo tempo em que dificultam o trabalho das equipes forenses.

    Colleen Fitzpatrick, fundador da empresa de consultoria Identifinders International, sediada na Califórnia, disse que a chuva transformaria o local em uma 'bagunça e lama', escorregadia com cinzas molhadas.

    Patologistas da Universidade de Nevada, em Reno, trabalharam durante o fim de semana enquanto os bombeiros retiravam detritos, coletando pedaços de ossos queimados e fotografando tudo que pudesse ajudar a identificar as vítimas.

    O risco de deslizamentos de terra também pode dificultar ainda mais a vida das pessoas que saíram de suas casas, com alguns deles vivendo em tendas ou acampando em seus carros. Os moradores que só recentemente foram autorizados a voltar para as casas que resistiram ao incêndio podem ser obrigados a sair novamente se eles viverem em áreas com declive de regiões que foram gravemente queimadas.

    Incêndio intenso sobre as encostas de canyons, colinas e montanhas os torna mais propensos a deslizamentos de terra, queimando a vegetação e o material orgânico que normalmente mantém o solo no lugar. O fogo também cria uma superfície dura que tende a repelir em vez de absorver água.

    O resultado pode ser um escoamento pesado da água da chuva misturado com lama, pedregulhos, árvores e outros detritos que correm morro abaixo com uma força tremenda, disse Jason Kean, um hidrólogo de pesquisa do Serviço Geológico dos EUA.

    (Reportagem de Brendan O'Brien, em Milwaukee)

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    Hidrelétricas podem seguir com chuva abaixo da média em 2018/19, dizem especialistas

    Por Luciano Costa

    SÃO PAULO (Reuters) - Os reservatórios das hidrelétricas, principal fonte de geração de energia do Brasil, podem enfrentar uma nova temporada de chuvas abaixo da média histórica entre o final deste ano e os primeiros meses de 2019, o chamado 'período úmido', em que geralmente se espera recuperação dos reservatórios, disseram especialistas do setor à Reuters nesta segunda-feira.

    Se confirmadas, as previsões levariam a precipitações na região das usinas ainda piores que no ano passado, o que contribuiria para manter uma pressão sobre as contas de luz, que já estão desde junho com a bandeira vermelha nível 2, que eleva custos para os consumidores para sinalizar uma menor oferta de geração.

    Um eventual desempenho abaixo da média nas chuvas significaria ainda a continuidade de um padrão negativo que tem se repetido desde ao menos a última hidrologia mais favorável para a produção hidrelétrica, no período chuvoso de 2011/2012.

    'Nossas projeções apontam hoje para um período úmido abaixo da média de longo termo (MLT) em 2018/2019. Seria ainda pior que em 2017/2018... entre dezembro e abril, (as precipitações na área dos reservatórios) devem ficar em torno de 82 por cento da média histórica', disse à Reuters o gerente executivo de Preços da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Cesar Pereira.

    A média das precipitações foi de 87 por cento na época de chuvas de 2017/18.

    A consultoria meteorológica Climatempo tem uma visão bastante semelhante, com expectativa de atraso no início das precipitações, que se recuperariam em março, mas ainda não seriam suficientes para recuperar o tempo perdido.

    'De uma forma geral, de outubro a março a expectativa é de chuva abaixo da média. O 'período úmido' vai ter menos chuva que o normal de uma forma geral no Brasil', afirmou à Reuters a diretora de meteorologia da Climatempo, Patricia Madeira.

    'A gente pode estimar que durante todo o período úmido no sistema elétrico, a chuva vai ficar cerca de 30 por cento abaixo da média', adicionou ela.

    A Climatempo não detalhou projeções específicas para cada mês no período.

    Já a CCEE estima precipitações na região das hidrelétricas em 86 por cento da média em novembro e 88 por cento em dezembro. Em janeiro, seriam 83 por cento, com 81 por cento em fevereiro, 78 por cento em março e 79 por cento em abril.

    Essa projeção poderia eventualmente melhorar conforme se materialize o fenômeno climático El Niño, que pode favorecer chuvas na região sul, segundo Pereira, da CCEE.

    'Hoje, no entanto, a gente não consegue ter certeza se ele vai se configurar e nem se vai ter intensidade suficiente para melhorar (as perspectivas) na região Sul e dar uma 'folga'', explicou.

    Nesse cenário, os reservatórios das hidrelétricas começariam a reta final do ano em 20 por cento da capacidade de armazenamento, perto do pior nível já registrado no histórico, de 17,9 por cento no final do ano passado, segundo a CCEE.

    Além do efeito nas tarifas, as chuvas abaixo da média podem também pressionar empresas de geração com grande concentração de ativos hidrelétricos, que precisam comprar energia no mercado de curto prazo para compensar uma menor produção de suas usinas quando os reservatórios estão baixos.

    (Por Luciano Costa)

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