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    Ghosn se diz 'inocente' e pede ajuda da França após nova prisão

    Por Tim Kelly e Naomi Tajitsu

    TÓQUIO (Reuters) - Procuradores japoneses prenderam Carlos Ghosn novamente nesta quinta-feira devido à suspeita de que o ex-chefe da Nissan tenha tentado se enriquecer à custa da montadora, em outra reviravolta dramática que seus advogados disseram ser uma tentativa de silenciá-lo.

    A prisão, que especialistas jurídicos sem relação com o caso descreveram como muito rara para alguém já solto sob fiança, é a quarta obtida pelos procuradores contra o executivo, no âmbito de um escândalo que abalou a indústria automotiva global e provocou questionamentos sobre o sistema judicial do Japão.

    Procuradores de Tóquio disseram que Ghosn deu 5 milhões de dólares de prejuízo à Nissan durante um período de dois anos e meio que se estendeu até julho de 2018, violando sua obrigações legais com a empresa e visando o ganho pessoal.

    A agência de notícias Kyodo relatou que o prejuízo envolve a transferência de fundos por meio de uma empresa de Omã para a conta de uma empresa que, na prática, é de posse de Ghosn. A agência não citou nenhuma fonte.

    Ghosn, que tem cidadania francesa, libanesa e brasileira, pediu ajuda do governo da França.

    'Sou inocente', afirmou Ghosn em uma entrevista exibida nesta quinta-feira nas emissoras de televisão francesas TF1 e LCI. 'Peço que o governo francês me defenda, e defenda meus direitos como cidadão'.

    Não ficou claro onde a entrevista foi gravada. O ministro das Finanças francês disse que Ghosn precisa usufruir da presunção de inocência e que está recebendo proteção consular.

    O principal advogado do executivo, Junichiro Hironaka, disse que os procuradores querem silenciar Ghosn, que na quarta-feira tuitou planos de realizar sua primeira coletiva de imprensa no dia 11 de abril.

    'A intenção dos procuradores é pressionar Ghosn, e impedi-lo de falar livremente', argumentou Hironaka, acrescentando que o acesso ao que viram como indícios adicionais também foi um motivo provável para a nova prisão.

    A acusação adicional provavelmente prolongará o julgamento de Ghosn, que deve começar no final deste ano, disse Hironaka, para quem a falta de acesso a documentos relacionados ao julgamento pode criar uma desvantagem para seu cliente na contestação do caso.

    Procuradores confiscaram o celular, documentos, cadernos e diários de Ghosn, disse ele, além do celular e do passaporte de sua esposa.

    (Reportagem adicional de Malcolm Foster, Ami Miyazaki, Maki Shiraki, Linda Sieg e Billy Mallard)

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    Ghosn promete dizer a verdade após notícia sobre novo processo

    Por Kenneth Maxwell e Tim Kelly

    TÓQUIO (Reuters) - Demitido da direção da Nissan, Carlos Ghosn prometeu 'dizer a verdade' em uma coletiva de imprensa na próxima semana, usando o Twitter para fazer seu primeiro comunicado desde que foi solto sob fiança e horas depois de uma reportagem dizer que procuradores preparam um novo caso contra ele.

    Ghosn, elogiado por muitos por resgatar a Nissan de uma falência iminente duas décadas atrás, caiu em desgraça de forma dramática, o que abalou a indústria automotiva global e provocou dúvidas sobre o futuro da aliança da Nissan com a francesa Renault.

    Ele foi preso em Tóquio em novembro e enfrenta acusações de má conduta financeira e violação de confiança grave por supostamente omitir cerca de 82 milhões de dólares em salários e transferir perdas financeiras pessoais temporariamente para os livros contábeis da Nissan durante a crise financeira.

    Libertado no mês passado com uma fiança de 9 milhões de dólares, Ghosn negou as acusações, que afirmou 'não terem mérito', e disse ser vítima de um golpe da diretoria.

    'Estou me preparando para dizer a verdade sobre o que está acontecendo. Coletiva de imprensa na quinta-feira, 11 de abril', escreveu Ghosn no Twitter, que mostrou a marca azul que indica que o tuíte foi verificado pela rede social.

    Foi a única mensagem, em japonês e inglês, na conta criada neste mês.

    Pelos termos da fiança, Ghosn não tem permissão de usar a internet, mas o tuíte pode ter sido publicado em seu nome, como é comum para celebridades e figuras de grande destaque.

    Não foi possível contatar representantes de Ghosn para obter comentários sobre a mensagem.

    Mais cedo, o jornal japonês Yomiuri noticiou que procuradores de Tóquio estão preparando um novo caso contra ele devido a supostos pagamentos que a montadora fez a um parceiro de negócios em Omã.

    Os procuradores estão conversando com a Suprema Procuradoria-Geral e outras entidades e planejam decidir em breve se processarão Ghosn por novas acusações de violação de confiança grave, disse o jornal, citando fontes envolvidas no caso.

    Um porta-voz da Procuradoria-Geral de Tóquio disse não estar ciente de nenhuma investigação nova quando foi indagado pela Reuters.

    Já o porta-voz de Ghosn havia dito que pagamentos de 32 milhões de dólares feitos ao longo de nove anos foram recompensas pelo fato de a empresa de Omã ser uma concessionária destacada da Nissan. Estes incentivos não estavam a cargo de Ghosn e os fundos não saldaram dívidas pessoais, segundo o porta-voz.

    (Reportagem adicional de Chang-Ran Kim, Kaori Kaneko e Sam Nussey)

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    Comitê da Nissan diz que fatos mostram violações de Carlos Ghosn

    Por Naomi Tajitsu

    YOKOHAMA, Japão (Reuters) - Um comitê externo que analisa a governança na Nissan Motor disse nesta quarta-feira que há fatos suficientes para se suspeitar de violações de leis e de uso particular de fundos da empresa por parte do ex-presidente do conselho Carlos Ghosn.

    Após uma auditoria de três meses da governança da Nissan na esteira de um escândalo que abalou a indústria automotiva global, o comitê atribuiu a culpa diretamente ao que classificou como concentração de poder de Ghosn. O órgão também apontou o papel de Hiroto Saikawa, diretor-executivo da empresa, no arranjo salarial de Ghosn que está no cerne do escândalo.

    Exatamente 20 anos depois que a montadora francesa Renault concordou em resgatar a Nissan, o comitê descreveu uma cultura corporativa na Nissan 'na qual ninguém pode fazer nenhuma objeção ao senhor Ghosn', que era 'de certa forma endeusado dentro da Nissan como um salvador que resgatou a Nissan do colapso'.

    O grupo emitiu 38 recomendações para fortalecer a governança da Nissan, entre elas que altos cargos executivos da montadora japonesa não devem ser ocupados por pessoas que têm cargos executivos na Renault ou na parceira minoritária Mitsubishi Motors.

    Ele também propôs que a maioria dos diretores, inclusive o presidente do conselho, seja de diretores independentes e de fora e que o cargo de presidente da empresa seja abolido.

    As recomendações do comitê externo de sete membros vêm semanas depois de Nissan e Renault anunciarem que reformularão sua aliança, uma das maiores montadores de veículos do mundo, para acabar com a todo-poderosa presidência antes exercida por Ghosn.

    'Existem fatos suficientes para se suspeitas de violações de leis e regulamentos, violações de regras internas e de uso particular de fundos e gastos da empresa... por parte do senhor Ghosn', disse o comitê em seu relatório.

    Ele também destacou Greg Kelly, diretor da Nissan que também foi indiciado, por supostamente ter ajudado Ghosn a evitar a supervisão, e disse que Saikawa assinou documentos relacionados a compensações que Ghosn receberia depois de se aposentar.

    'Está claro que há questões que exigem melhoras com respeito à governança da Nissan, já que esta não poderia evitar a má conduta'.

    Ghosn, que foi libertado neste mês pagando uma fiança de 9 milhões de dólares depois de passar mais de 100 dias em um centro de detenção de Tóquio, disse que as acusações que lhe foram imputadas 'não têm mérito'. Kelly também negou as acusações.

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    Tribunal do Japão impede Ghosn de participar de reunião do conselho da Nissan

    Por Tim Kelly e Sudip Kar-Gupta

    TÓQUIO/PARIS (Reuters) - Um tribunal de Tóquio rejeitou um pedido do ex-chefe da Nissan Carlos Ghosn para participar de uma reunião do conselho da empresa nesta semana, negando-lhe um lugar na mesa apesar de a montadora estar prestes a fortalecer uma aliança que ele construiu ao longo de duas décadas.

    Procuradores entregaram um documento da Nissan ao Tribunal Distrital de Tóquio expressando oposição à participação de Ghosn na reunião do conselho da empresa na terça-feira, disse o advogado de Ghosn, Junichiro Hironaka, a repórteres.

    'A forte oposição da Nissan à participação de Ghosn é muito lamentável', disse Hironaka diante de seu escritório. A equipe de defesa ainda teria tempo para apelar da decisão, acrescentou e mais tarde os advogados de fato o fizeram, segundo a agência Kyodo News.

    Ghosn foi solto da prisão na semana passada graças a uma fiança de 9 milhões de dólares depois de passar mais de 100 dias preso. Ele é acusado de não ter declarado cerca de 82 milhões de dólares de seu salário na Nissan ao longo de mais de uma década -- acusações que ele classificou de 'infundadas'.

    Nesta segunda-feira, o Tribunal Distrital de Tóquio se recusou a suspender temporariamente uma condição da fiança de Ghosn que o impede de se encontrar com pessoas ligadas ao caso, inviabilizando o que teria sido uma confrontação dramática entre o antes festejado executivo e os colegas que ele acusou de fomentarem um golpe.

    A corte não justificou sua decisão.

    Não foi possível contatar a Nissan para obter comentários fora do horário comercial.

    A decisão da corte veio no momento em que a montadora francesa Renault, a principal acionista da Nissan, confirmou estar conversando com a Nissan e a Mitsubishi Motors sobre a criação de um novo organismo para aprimorar a colaboração.

    A prisão impactante de Ghosn em novembro provocou temores sobre o futuro da aliança tripartite -- a maior fabricante de automóveis do mundo, com exceção dos caminhões pesados.

    'O arranjo proposto não terá nenhum impacto na existência dele (acordo de aliança) e da estrutura de propriedade conjunta cruzada, que continuarão em vigor', informou a Renault.

    Nissan, Renault e Mitsubishi planejam criar uma estrutura de reunião do conselho conjunta provavelmente a cargo do novo presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, disseram à Reuters pessoas com conhecimento direto do assunto.

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    Advogados de Ghosn vão monitorar telefonemas e câmeras de vigilância antes de julgamento

    Por Mayuko Ono e Tim Kelly

    TÓQUIO (Reuters) - O ex-chefe da Nissan Carlos Ghosn saiu da cela de prisão japonesa onde passou 108 dias depois de pagar fiança de 9 milhões de dólares, mas terá que viver com uma série de restrições enquanto aguarda um julgamento que pode demorar um ano.

    Como parte do acordo de fiança acertado por sua nova equipe jurídica no mês passado, Ghosn está proibido de acessar a internet e emails, e só pode usar um computador sem conexão com a rede no escritório de um de seus advogados.

    Ghosn, que tem cidadania francesa, brasileira e libanesa, foi indiciado por quebra de confiança e por ter informado ganhos inferiores aos de seu salário. Ele precisará pagar pela instalação de câmeras de vigilância na entrada de sua residência de Tóquio.

    As imagens serão vistas por membros de sua equipe legal, e seus registros serão enviados ao Tribunal Distrital de Tóquio, disse o renomado advogado de defesa de Ghosn, Junichiro Hironaka.

    'As câmeras serão instaladas onde podem monitoram quem entra e sai. Não são para registrar a vida cotidiana de Ghosn', explicou Hironaka, que é reconhecido devido aos muitos casos de destaque que ganhou em um país cujo índice de condenação é de 99,9 por cento.

    Hironaka disse que ele e seus colegas farão rodízio no monitoramento.

    'Uma pessoa não dá conta, então dividiremos entre os escritórios dos três advogados de defesa', disse.

    Os telefonemas de Ghosn também serão registrados por sua equipe legal e entregues à corte, segundo Hironaka. O telefone manterá os registros mesmo que seu cliente tente apagá-los, disse.

    Não ficou claro de imediato como a proibição do uso de internet será aplicada.

    Se Ghosn violar qualquer uma destas condições, as cortes podem mandá-lo de volta à prisão e confiscar sua fiança de 9 milhões de dólares, tornando arriscado tentar driblar as regras.

    O Tribunal Distrital de Tóquio não quis comentar como as restrições serão monitoradas.

    Ghosn também está proibido de deixar o Japão, o que muitos esperavam, mas tem que permanecer na capital. Ele precisa de permissão da corte se quiser sair de casa por mais de duas noites.

    Ghosn teve seu pedido de fiança negado duas vezes quando estava sob os cuidados de outra equipe legal, que propôs que ele usasse um monitor de tornozelo com GPS, por se temer que ele tentasse fugir ou destruir provas.

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    Ghosn propõe usar tornozeleira eletrônica para ter direito à fiança

    Por Linda Sieg

    TÓQUIO (Reuters) - O ex-presidente do conselho de administração da Nissan Carlos Ghosn propôs utilizar uma tornozeleira eletrônica e contratar guardas para monitorá-lo, em uma oferta incomum para conseguir ser solto mediante pagamento de fiança após dois meses preso no Japão por suspeita de crimes financeiros.

    Ghosn também está disposto a permanecer em Tóquio, onde alugou um apartamento, e a usar ações que possui da Nissan como garantia, segundo sua porta-voz. Uma nova audiência de fiança está prevista para esta semana, depois que um pedido anterior foi negado em parte devido a preocupações de que o executivo pudesse fugir.

    A libertação permitiria que Ghosn se reunisse com mais frequência com seus advogados e se defendesse no conselho da Renault, da qual permanece como presidente do conselho e CEO, em meio a pedidos pela sua remoção e potenciais passos para reestruturar a parceria com a Nissan.

    À medida que a prisão do executivo continua a comprometer a perspectiva para a aliança da Nissan, com a francesa Renault e a Mitsubishi Motors, a Nissan disse que não é hora de discutir a revisão dos laços entre os parceiros.

    Ghosn, que liderou a recuperação da Nissan duas décadas atrás, pressionava por uma aliança mais profunda entre a Nissan e a Renault, incluindo uma possível fusão completa, apesar de fortes ressalvas por parte da empresa japonesa.

    “Nós não estamos no momento para discussões do tipo”, disse o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, a repórteres nesta segunda-feira.

    Saikawa também disse não ter ouvido diretamente sobre uma suposta proposta francesa para integrar a administração da montadora japonesa com a Renault, acrescentando que não é hora de discutir a revisão dos laços entre os parceiros.

    O jornal japonês Nikkei reportou no domingo que uma delegação do governo francês havia informado a Tóquio que irá buscar uma integração da Renault com a Nissan, provavelmente sob o guarda-chuva de uma única holding.

    “Como não ouvi isso diretamente, não posso comentar”, disse Saikawa a repórteres.

    Segundo a emissora pública japonesa NHK, o ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, disse a jornalistas que uma proposta de integração “não está sobre a mesa agora”.

    Uma fonte com conhecimento do funcionamento da Nissan disse que a suposta proposta francesa não “faz sentido”, dada as diferentes culturas das duas empresas, a menor produtividade da Renault e a maior contribuição da Nissan para tecnologias-chave.

    “É uma fusão virtual, eu não acho que faça sentido”, disse a fonte, acrescentando que não ouviu diretamente sobre uma proposta do tipo.

    Ghosn nega ter cometido qualquer irregularidade, à medida que aguarda o julgamento por fraude financeira.

    “Eu vou comparecer ao meu julgamento não apenas porque sou legalmente obrigado, mas porque estou ansioso para finalmente ter a oportunidade de me defender”, disse Ghosn em comunicado no domingo.

    “Eu não sou culpado das acusações feitas contra mim e estou ansioso para defender a minha reputação no tribunal”.

    (Reportagem de Kwiyeon Ha)

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    Ghosn recebeu US$9 milhões indevidamente de joint venture Nissan-Mitsubishi, dizem montadoras

    Por Naomi Tajitsu

    TÓQUIO (Reuters) - O executivo Carlos Ghosn recebeu indevidamente 9 milhões de dólares de uma joint venture montada entre a Nissan e a Mitsubishi, afirmaram as montadoras japonesas nesta sexta-feira, elevando a possibilidade de que o ex-presidente de seus conselhos de administração enfrente novas acusações de fraude financeira.

    Na mais recente reviravolta na saga do declínio do antes respeitado executivo, as montadoras descobriram que Ghosn foi pago pela joint venture sem o conhecimento dos dois outros diretores da unidade --Hiroto Saikawa, presidente executivo da Nissan Motor

    Ghosn, preso em Tóquio há cerca de dois meses, já foi indiciado por ocultar parte de sua renda na Nissan durante oito anos até março de 2018, e por temporariamente transferir perdas pessoais com investimentos para a montadora durante a crise financeira global.

    “Que tal irregularidade também tenha ocorrido em nossa afiliada é mais do que chocante... é triste”, disse Masuko a repórteres, em referência aos pagamentos feitos a Ghosn pela Nissan-Mitsubishi B.V., registrada na Holanda em 2017.

    Tanto a Mitsubishi quanto a Nissan disseram que irão considerar maneiras de recuperar o dinheiro de Ghosn, enquanto o advogado da Mitsubishi, Kei Umebayashi, disse que acusações penais são uma possibilidade.

    “A acusação mais provável para isso seria de fraude”, disse o advogado a repórteres durante coletiva de imprensa.

    De acordo com a equipe jurídica da Mitsubishi, de abril a novembro de 2018, Ghosn recebeu cerca de 5,8 milhões de euros (6.61 milhões de dólares) em pagamento anual por seu papel como diretor-executivo da companhia, uma taxa contratual de 1,4 milhão de euros e um incentivo não divulgado da joint venture.

    No início desta semana, a Reuters reportou o suposto pagamento indevido feito a Ghosn pela joint venture e que a Nissan estava considerando abrir um processo legal, citando fonte.

    A joint venture tinha como objetivo financiar gastos da parceria incluindo taxas de consultoria, atividades promocionais conjuntas, uso de áreas de trabalho e jatos corporativos, disse Masuko.

    “Do momento em que a unidade foi estabelecida até quando eu fui informado sobre os pagamentos, eu não tinha absolutamente nenhuma ideia de que a unidade estava sendo usada para pagamentos do tipo”, acrescentou.

    O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, não pôde ser encontrado de imediato para comentar nesta sexta-feira. Ghosn tem negado todas as acusações anteriores contra ele.

    A prisão de Ghosn, que liderou a recuperação da Nissan duas décadas atrás, e a lista de acusações contra ele têm chocado a indústria automobilística, ao mesmo tempo em que abala as perspectivas para a aliança tríplice da Nissan com a Mitsubishi e a francesa Renault .

    Nos últimos dias, a Renault tem sofrido grande pressão de seu maior acionista, o governo francês, para substituir Ghosn como presidente-executivo e de seu conselho de administração. A montadora tem mantido o executivo no comando, mesmo quando a Nissan e a Mitsubishi agiram rapidamente para removê-lo como presidente do conselho após a prisão.

    (Reportagem adicional de Chang-Ran Kim)

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    Tribunal de Tóquio nega pedido de liberdade sob fiança para Carlos Ghosn

    TÓQUIO (Reuters) - O Tribunal Distrital de Tóquio negou nesta terça-feira o pedido do ex-presidente do conselho de administração da Nissan

    Desde que foi preso em 19 de novembro, Ghosn está aguardando um julgamento que ainda pode demorar seis meses para começar.

    Na semana passada, Ghosn foi indiciado por agravada violação de confiança por transferir temporariamente perdas pessoais com investimentos para a Nissan em 2008 e por ocultar parte sua renda durante três anos até março de 2018. Ele nega todas as acusações.

    No Japão, é raro que réus que negam as acusações tenham direito a fiança antes do julgamento.

    A prisão do antes respeitado executivo, que organizou a recuperação financeira da Nissan duas décadas atrás, chocou a indústria automobilística e abalou a aliança da Nissan com a Mitsubishi Motors

    Depois da prisão Ghosn foi removido dos conselhos de administração da Nissan e da Mitsubishi, mas permanece sendo presidente executivo e do conselho da Renault.

    O governo francês, maior acionista da Renault, apoiará a decisão da companhia de manter Ghosn no comando a não ser que fique claro que ele se tornou “cronicamente incapacitado” pela investigação japonesa, disseram autoridades na segunda-feira.

    “Importantes desdobramentos” sobre a questão devem acontecer nesta terça-feira, disse autoridade francesa.

    O caso também tem colocado o sistema penal japonês sob análise internacional e desencadeado críticas por algumas de suas práticas, como manter suspeitos detidos por longos períodos de tempo e impedir que advogados de defesa estejam presentes durante interrogatórios, que podem durar até oito horas por dia.

    (Reportagem de Chang-Ran Kim e Naomi Tajitsu)

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    Defesa de Ghosn pede liberdade sob fiança após dois novos indiciamentos

    Por Kiyoshi Takenaka e Tim Kelly

    TÓQUIO (Reuters) - Advogados de defesa do ex-presidente do conselho de administração da Nissan Carlos Ghosn pediram que o executivo seja solto mediante pagamento de fiança, depois que procuradores de Tóquio o indiciaram por mais duas acusações de fraude financeira nesta sexta-feira.

    Ghosn, que era altamente respeitado por recuperar a Nissan da beira da falência, foi acusado de violação de confiança agravada por transferir temporariamente perdas pessoais com investimentos a montadora em 2008 e por ocultar parte de sua renda por três anos até março de 2018, segundo os procuradores.

    Os indiciamentos eram amplamente esperadas depois que Ghosn foi preso no mês passado pelas mesmas alegações. De acordo com a lei japonesa, suspeitos podem ser detidos por 23 dias antes de serem acusados formalmente.

    Nesta sexta-feira, procuradores também indiciaram a Nissan Motor

    Ghosn, Kelly e a Nissan já haviam sido indiciados por subdeclarar a renda do ex-presidente do conselho de administração por cinco anos até 2015.

    “Esse segundo indiciamento de Kelly não é nenhuma surpresa, à medida que apenas torna o que era um período de cinco anos em um de oito anos”, disse o advogado de Kelly, Yoichi Kitamura.

    Kelly, que foi hospitalizado devido um problema no pescoço imediatamente após deixar a prisão, não pode sair do país sem uma autorização especial. Ele tem negado todas as acusações. Kitamura disse acreditar que Ghosn e Kelly serão julgados juntos nas duas acusações e que trabalhará de perto com a equipe legal de Ghosn para se preparar para o julgamento.

    Durante audiência na terça-feira, Ghosn negou as alegações, que chamou de “sem mérito” e “infundadas”.

    No tribunal, Ghosn disse ter pedido que a Nissan assumisse temporariamente seus contratos de câmbio depois que a crise de 2008-2009 fez com que seu banco pedisse maiores garantias. Ele disse ter tomado essa decisão para não precisar renunciar e usar sua aposentadoria como garantia.

    Motonari Otsuru, chefe da equipe legal de Ghosn, disse na terça-feira que a Nissan concordou com o acordo, com a condição de que qualquer perda ou ganho fosse de Ghosn. O executivo disse que os contratos foram transferidos de volta para ele e que a montadora não sofreu nenhuma perda.

    Em resposta às acusações, a Nissan disse em comunicado que “leva essa situação extremamente a sério e expressa seu mais profundo arrependimento a qualquer preocupação causada a seus acionistas”.

    Sobre a suposta transferência de perdas de Ghosn à Nissan, a companhia disse que “não tolera de maneira nenhuma tal má conduta e pede penas rigorosas”.

    Na quinta-feira, a mulher de Ghosn, Carole, emitiu um comunicado sobre a prolongada prisão do executivo, pedindo que autoridades japonesas forneçam maiores informações sobre a saúde de seu marido depois que ele teve uma febre, dizendo estar preocupada com sua recuperação.

    (Reportagem de Kiyoshi Takenaka, Tim Kelly, Chris Gallagher e Kaori Kaneko)

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    Ghosn se declara inocente em primeira aparição pública desde prisão em novembro

    Por Tim Kelly e Kiyoshi Takenaka

    TÓQUIO (Reuters) - O ex-presidente do conselho de administração da Nissan Carlos Ghosn se declarou inocente nesta terça-feira, em sua primeira aparição pública desde que foi preso em novembro, dizendo a um tribunal de Tóquio que foi acusado injustamente de fraude financeira.

    Ghosn, a quem é dado o crédito por ter resgatado a Nissan

    “Eu fui equivocadamente acusado e injustamente detido com base em acusações infundadas e sem mérito”, disse o executivo de 64 anos à Corte Distrital de Tóquio, lendo com voz clara um comunicado pronto.

    “Eu acredito firmemente que, em todos os meus esforços em nome da companhia, eu agi honrosamente, legalmente e com o conhecimento e aprovação dos executivos apropriados dentro da companhia”, disse.

    Desde o início da manhã uma multidão de jornalistas se reuniu do lado de fora do tribunal, e 1.122 pessoas fizeram fila para conseguir os 14 assentos da corte, concedidos por sorteio, demonstrando o grande interesse no caso. Notícias sobre a audiência judicial tiveram destaque na emissora pública japonesa NHK durante todo o dia.

    A audiência, solicitada pelos advogados de Ghosn, foi realizada para explicar os motivos para a prolongada detenção do executivo desde 19 de novembro, e não para discutir os méritos do caso. O juiz Yuichi Tada disse que a detenção é justificada pela existência de risco de fuga e pela possibilidade de ocultação de evidências.

    Mas Ghosn usou a oportunidade para negar as acusações feitas contra ele, dando início ao que deve ser um longo contra-ataque da defesa.

    O ex-procurador Nobuo Gohara disse que a aparição no tribunal foi uma vitória em termos de relações públicas para Ghosn, porque representou uma oportunidade para o executivo combater as semanas de notícias negativas sobre ele.

    “Nesse caso de destaque, as notícias têm sido dominadas por informações dos procuradores e da Nissan, então o público tendia a vê-lo dessa forma”, disse. “Mas, hoje foi tudo Ghosn. Isso foi muito significativo”.

    Após semanas de silêncio, os advogados de Ghosn insistiram durante coletiva de imprensa que os tribunais não têm nenhuma razão para manter o executivo preso durante a investigação. No dia 31 de dezembro, a Corte Distrital de Tóquio aceitou o pedido dos procuradores para prorrogar a prisão de Ghosn em 10 dias, até 11 de janeiro.

    Apesar do pedido, o ex-procurador Motonari Otsuru, que lidera a defesa de Ghosn, disse que é provável que o executivo seja mantido sob custódia até o início do julgamento, que pode ser em seis meses, dado o costume no Japão de manter réus presos até o julgamento.

    Ghosn foi formalmente acusado de ocultar parte de seus rendimentos. Ele também foi preso, mas ainda não indiciado, por alegações de agravada quebra de confiança ao transferir perdas pessoais com investimentos para a montadora.

    “Eu nunca recebi nenhuma compensação da Nissan que não foi declarada, nem jamais entrei em qualquer contrato vinculativo com a Nissan para receber uma quantidade fixa que não foi declarada”, disse Ghosn ao tribunal.

    Sobre as alegações de que teria transferido perdas para a Nissan, Ghosn disse ter pedido que a companhia assumisse temporariamente seus contratos de câmbio, depois que a crise de 2008-2009 fez com que seu banco pedisse maiores garantias. Ele disse ter tomado essa decisão para não precisar renunciar e usar sua aposentadoria como garantia.

    “Meu comprometimento moral com a Nissan não me permitiria renunciar durante aquele momento crucial”, disse Ghosn. “Um capitão não abandona o barco no meio de uma tempestade”.

    Otsuru disse que a Nissan concordou com o acordo, com a condição de que qualquer perda ou ganho fosse de Ghosn. O executivo disse que os contratos foram transferidos de volta para ele e que a Nissan não sofreu nenhuma perda.

    Ghosn também é acusado de pagar 14,7 milhões de dólares ao empresário saudita Khaled Al-Juffali usando recursos da Nissan em troca de uma carta de crédito para ajudá-lo com suas perdas de investimentos.

    Ghosn disse que a empresa de Juffali foi compensada por “serviços fundamentais que beneficiaram a Nissan substancialmente”, incluindo a solicitação de financiamento e a resolução de uma disputa empresarial.

    A companhia Khaled Juffali emitiu um comunicado afirmando ter recebido os pagamentos por motivos comerciais legítimos.

    A Nissan, que removeu Ghosn do cargo de presidente do conselho de administração, reiterou que sua investigação interna desencadeada por um informante revelou “substanciais e convincentes evidências de comportamento inapropriado” e que a investigação está em andamento e ampliando seu alcance.

    O caso abalou a aliança da Nissan com a montadora francesa Renault , onde Ghosn permanece sendo presidente executivo e presidente do conselho. Ele estava pressionando por uma parceria mais profunda, incluindo uma potencial fusão completa das empresas a pedido do governo francês, apesar de fortes ressalvas da Nissan.

    Ghosn está sendo mantido preso no Centro de Detenção de Tóquio, onde pequenas celas contam com um banheiro no canto e nenhum aquecedor. Seu filho, Anthony Ghosn, disse que o pai perdeu 10 kg durante a prisão, de acordo com a publicação francesa Journal du Dimanche.

    (Reportagem de Kiyoshi Takenaka e Tim Kelly; Reportagem adicional de Elaine Lies, Maki Shiraki e Naomi Tajitsu, em Tóquio, e Richard Lough, em Paris)

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    Ghosn fará primeira aparição pública em tribunal após 7 semanas preso

    Por Sam Nussey

    TÓQUIO (Reuters) - O ex-presidente do conselho de administração da Nissan Carlos Ghosn deve comparecer a um tribunal de Tóquio na terça-feira, depois de solicitar uma audiência aberta para ouvir o motivo de sua prisão.

    Essa deve ser a primeira aparição pública de Ghosn desde que ele foi preso em 19 de novembro sob alegações de irregularidades financeiras. Posteriormente ele teve a prisão renovada por novas acusações.

    A audiência ocorrerá às 10h30 (horário local) do dia 8 de janeiro, informou o tribunal na sexta-feira.

    No início desta semana, o Tribunal Distrital de Tóquio aprovou uma prorrogação da detenção de Ghosn até 11 de janeiro, após pedido de promotores que o acusam de violação agravada de confiança por transferir para a Nissan perdas em investimentos particulares.

    As acusações se concentram no uso de fundos da empresa para pagar um empresário saudita que teria o ajudado a sair de dificuldades financeiras, disseram fontes na semana passada.

    Ghosn foi acusado inicialmente de sonegar parte de sua renda. Ele nega as acusações, segundo a mídia japonesa.

    O ex-executivo da Nissan Greg Kelly, que foi acusado de conspirar para ocultar a renda de Ghosn, foi libertado sob pagamento de fiança após o tribunal ter decidido contra a prorrogação de sua prisão enquanto aguarda julgamento.

    A prisão de Ghosn abalou a indústria automobilística e azedou os laços da Nissan com a parceira francesa Renault, onde ele ainda permanece como presidente do conselho e presidente-executivo.

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