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    ESPECIAL-“Guardiões da floresta” combatem madeireiros na Amazônia sob risco de aumento da violência

    *Versão multimídia: http://www.thisisplace.org/i/?id=77a122c0-175d-44df-a28a-1584e98ecdc0

    Por Karla Mendes

    TERRA INDÍGENA ARARIBÓIA, Maranhão (Thomson Reuters Foundation) - Seguindo um ritual tradicional dos ancestrais, o cacique Olímpio Santos Guajajara pinta o rosto de vermelho com a tinta extraída de sementes de urucum, em preparação para uma operação de monitoramento na floresta amazônica.

    Ele é o líder de cerca de 120 indígenas Guajajara que se autodenominam 'guardiões da floresta' e combatem a extração ilegal de madeira na Amazônia, onde a destruição da floresta atingiu em 2018 o nível mais alto em uma década, segundo dados do governo.

    Em uma rara visita autorizada, a Thomson Reuters Foundation acompanhou 12 'guardiões' em uma patrulha de três dias na terra indígena Araribóia, que culminou na destruição de um acampamento ilegal para extração de madeira e na queima de pilhas de madeira beneficiadas, prontas para serem vendidas.

    'A nossa TI (terra indígena) se sente, hoje, ameaçada”, disse Santos, usando um capuz preto, colares e tatuagens nos dois braços.

    'Estão destruindo a nossa vida. Estão destruindo a nossa cultura', disse ele, apontando para inúmeras marcas de tiro na placa de identificação da terra indígena, que foi demarcada em 1991.

    Apesar de a extração de madeira, a pesca e a caça em terras indígenas serem proibidas por lei, o cacique afirma que o governo não tem cumprido o seu papel de reprimir esses crimes. Ele diz que as preocupações são crescentes, pois não há qualquer sinal de que será dado um basta às invasões na terra indígena, que são a principal causa da violência na região.

    'Estamos defendendo a lei, que deveria estar sendo cumprida', disse ele, explicando que a pintura de seu rosto é um apelo à 'Mãe Floresta' para proteger os guardiões.

    'É uma guerra muito grande que nós estamos enfrentando até hoje.'

    Há cerca de 900 mil indígenas no país, que representam menos de 1 por cento da população brasileira. As terras indígenas reconhecidas --que estão em diferentes processos de demarcação-- representam 13 por cento do território brasileiro, mas os indígenas estão cada vez mais preocupados com as crescentes invasões em suas terras, decorrentes da extração ilegal de madeira e da agropecuária na floresta.

    O Brasil liderou o ranking mundial de desmatamento de florestas tropicais em 2018, de acordo com o grupo de monitoramento independente Global Forest Watch.

    Se a taxa atual de desmatamento continuar, mais de um quarto da floresta amazônica ficará sem árvores até 2030, segundo estimativa do World Wildlife Fund (WWF).

    A terra indígena Araribóia, onde vivem os indígenas Guajajara, também abriga a tribo dos Awá, caçadores e coletores de alimentos que o grupo de direitos indígenas Survival International descreve como a tribo mais ameaçada do mundo.

    Bruno Pereira, coordenador de índios isolados da Fundação Nacional do Índio (Funai), disse que a crescente pressão madeireira nas terras indígenas desencadeou o surgimento de grupos de guardiões em diversas áreas da Amazônia, o que pode acabar aumentando os riscos de conflitos.

    No entanto, ele reconhece que a situação na região é “muito difícil”, com diversas ocorrências de indígenas que se envolveram com a extração ilegal de madeira depois de terem sido cooptados por madeireiros em troca de dinheiro para sua sobrevivência, o que também gera conflitos entre os próprios indígenas em uma das terras indígenas mais ameaçadas do país.

    “É uma região extremamente violenta... O cenário ali é muito complexo. Municípios que foram financiados, construídos em cima da madeira ilegal dentro da terra indígena”, disse Pereira.

    “É melhor que procure a Justiça, que procure que os órgãos da União façam o seu papel... Eu não acho esse cenário (o enfrentamento pelos guardiões) a melhor forma de lidar com a situação, mas eu compreendo o quanto eles estão desesperados para terem que agir assim”, afirmou.

    “A terra tem sido devastada... A gente tem dados de imagem de satélite, a gente tem dados de quanto de madeira sai daquelas terras, e é absurdo não ter uma resposta à altura. Então ali o estado realmente falha.”

    O desmatamento em terras indígenas atingiu 12 quilômetros quadrados no primeiro trimestre deste ano, o dobro na comparação com o mesmo período de 2018, segundo dados do instituto de pesquisa Imazon.

    Na terra indígena Araribóia, imagens de satélite detectaram cerca de 2.300 pontos de alerta --principalmente desmatamento--no último trimestre de 2018, segundo o Instituto Socioambiental (ISA), uma organização não governamental.

    Segundo Santos, pelo menos três “guardiões” foram mortos em conflitos com madeireiros ilegais desde que o grupo dos guardiões da Araribóia foi criado em 2012. Estimativas apontam que o número de ativistas assassinados em toda a Amazônia chega a cerca de 80.

    ARRENDAMENTO POLÊMICO

    Grupos de direitos humanos temem que conflitos fundiários se agravem no governo do presidente Jair Bolsonaro, que transferiu o poder de decisão de demarcação de terras indígenas da Funai para o Ministério da Agricultura, o que provocou temores de que representantes do setor agrícola pressionem pela abertura de terras indígenas para a exploração agrícola.

    Mas essa mudança pode ser anulada.

    Em 9 de maio, uma comissão da Câmara dos Deputados votou contra essa alteração, aumentando as esperanças dos indígenas de que a demarcação de terras volte para o controle da Funai. A decisão ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Câmara e do Senado.

    Outra proposta do governo Bolsonaro criticada por ativistas é o arrendamento de terras indígenas. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no entanto, disse que a proposta para revogar a proibição da produção agrícola em terras indígenas foi uma resposta a pedidos dos próprios indígenas.

    “Recebi mais de 150 índios nos procurando e dizendo o seguinte: ‘nós gostaríamos de poder arrendar um pedaço da nossa área’”, disse a ministra à Thomson Reuters Foundation em seu gabinete, em Brasília.

    Ela afirmou, porém, que o arrendamento para fins agrícolas ocorreria em terras já “antropizadas”, e não em áreas a serem desmatadas.

    “Então eles gostariam que a lei fosse mudada porque a lei hoje não permite isso”, disse a ministra.

    Nem todos concordam, no entanto.

    Joênia Wapichana, a primeira mulher indígena a ser eleita para o Congresso Nacional, disse que os indígenas têm o direito de receber apoio total do governo para cultivar suas terras 'mas isso não justifica a abertura de terras indígenas para arrendamento'.

    “Meu entendimento é totalmente oposto ao que a ministra fala. A gente vê claramente que existe um conflito de interesses. Interesses individuais, econômicos, privados versus os interesses coletivos dos povos indígenas”, afirmou Wapichana.

    “SEM ESCOLHA”

    O trabalho dos guardiões contra a extração ilegal de madeira é amplamente reconhecido pelos órgãos governamentais encarregados de proteger os direitos indígenas e o meio ambiente.

    No entanto, embora as prisões por cidadãos estejam previstas na Constituição Federal sob certas circunstâncias, as autoridades alertam para o risco que os indígenas correm ao se confrontarem com madeireiros e fazer justiça com as próprias mãos.

    “Os guardiões da floresta da região de Araribóia é um grupo bem organizado... Estão lá na ponta e fazem informações, fazem relatórios pra gente,” disse a superintendente da Polícia Federal do Maranhão, Cassandra Parazi, em seu escritório em São Luís.

    “É importante que eles estejam atentos, mas esse tipo de iniciativa de querer defender com as próprias mãos é perigoso, é temerário”.

    Desde 2015, a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram cerca de uma dezena de operações no Estado do Maranhão, disse Parazi, destruindo serrarias e acampamentos de madeireiros.

    Mas isso não foi suficiente para deter a extração ilegal de madeira na região, disse Parazi. Ela afirma que alguns órgãos de fiscalização falham com limitação de efetivo e até mesmo corrupção seus agentes.

    “Mas a área é tão grande, demandaria maiores investimentos. Poucas estradas, muitos rios... Então é muito fácil se ocultar na mata”, disse Parazi.

    “CONFLITO GENERALIZADO”

    Os guardiões fazem o patrulhamento nas estradas das entradas da terra indígena usadas por caminhões e carros, onde eles abordam e identificam qualquer atividade madeireira ilegal e expulsam os envolvidos da terra indígena, disse Santos.

    Durante uma patrulha noturna acompanhada pela Thomson Reuters Foundation, um guardião usando um capuz interrogou um indígena Guajajara suspeito de trabalhar com madeireiros ilegais.

    “Você está pensando que é brincadeira? Não é”, disse ele, enquanto o indígena abordado negava qualquer envolvimento com os madeireiros.

    “É isso que nós queremos: a sinceridade, a honestidade de vocês... Porque se um dia a gente descobre que vocês estão enrolando a gente, mentindo, aí vai complicar muito mais pra vocês”, disse outro guardião.

    Roberto Cabral Borges, coordenador de operações e fiscalização do Ibama, disse temer que a escalada da violência no combate aos madeireiros ilegais torne a área ainda mais perigosa.

    “A Constituição brasileira permite que alguém seja preso pelo cidadão (no caso de flagrante). Mas existe um risco grande nisso... O que a gente vê é que tem realmente um crime organizado (por trás da extração de madeira)”, disse Borges.

    “É esse o nosso receio: o conflito ir se acirrando, até que em determinado momento o crime ambiental ficar de lado e você vir a ter um conflito generalizado na área”.

    Cerca de 200 campos de extração ilegal de madeira foram destruídos desde que os guardiões deram início às atividades de monitoramento no final de 2012, disse Santos, acrescentando que o grupo está montando organização não governamental e um site e uma página do Facebook para doações.

    “Que o mundo veja a nossa luta e que faça o reconhecimento da nossa atividade, que é legal. Porque a gente está clamando por vida e pelo pulmão do mundo também,” disse Santos, olhando para uma pilha de madeira em chamas.

    Laércio Souza Silva Guajajara, outro guardião, disse que o grupo 'não é uma milícia'.

    “Nós estamos defendendo a vida, não estamos matando ninguém. É a luta pelas crianças, pelos velhos, pelo mundo inteiro”, disse ele, com o rosto e corpo pintados de preto com tinta de jenipapo e usando um chapéu camuflado.

    “A gente não tem escolha. Porque se esperar pelo governo, é como está hoje, não acontece nada. É só mais invasão, destruição… É lutar até o fim, até a última respiração.'

    (Reportagem de Karla Mendes e Max Baring)

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    Unam forças para lutar por território, diz relatora da ONU a povos indígenas

    Por Ellen Wulfhorst

    NAÇÕES UNIDAS (Thomson Reuters Foundation) - Os povos indígenas que lutam pela garantia de seus direitos devem se unir e construir uma campanha global para se defenderem contra invasões e projetos de desenvolvimento que os obriguem a deixar seus territórios, disse uma especialista da ONU.

    Um esforço conjunto pode aumentar a segurança e o apoio mundial a comunidades locais envoltas em disputas vitais por seus territórios contra governos e corporações, disse Vicky Taulo-Corpuz, relatora especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas.

    As ameaças e a violência contra povos indígenas por causa de direitos de propriedade estão sendo estimulados por governos de direita, disse ela em meio a um encontro de lideranças indígenas de todo o mundo em Nova York, nesta semana.

    Ela destacou o Brasil e as Filipinas, país onde nasceu e que no ano passado tentou classificá-la como terrorista.

    No Brasil, o governo de Jair Bolsonaro busca abrir as reservas indígenas à mineração e ao desenvolvimento comercial.

    “Temos que lançar uma campanha global contra a criminalização e a impunidade contra povos indígenas”, disse Vicky Tauli-Corpuz à Fundação Thomson Reuters.

    Uma campanha conjunta com iniciativas online, bases de dados e outras ferramentas pode ajudar ativistas a compartilharem informações e angariar apoio global, disse ela.

    “O que protege povos é quando é uma questão global, e as pessoas vêm para nos apoiar e denunciar essas coisas”, disse ela. “Você realmente precisa falar sobre medidas protetivas que sejam baseadas na comunidade.”

    Cerca de quatro ativistas ambientais e de proteção de territórios foram assassinados por semana em 2017, de acordo com o mais recente levantamento da Global Witness, organização de defesa dos direitos humanos baseada no Reino Unido.

    Muitos engajados na luta contra interesses de corporações multinacionais no investimento para extração de minerais, petróleo e gás.

    Alguns líderes ativistas que compareceram às reuniões na ONU rumaram de lá para o Brasil, onde participam do encontro anual Acampamento Terra Livre, em defesa dos direitos indígenas.

    (Por Ellen Wulfhorst)

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    WIDER IMAGE-Indígenas de reserva Raposa Serra do Sol temem novas ameaças de mineradores e agricultores

    (Galeria de fotos: https://reut.rs/2WHemak)

    Por Bruno Kelly e Sérgio Queiroz

    RAPOSA SERRA DO SOL, Roraima (Reuters) - Uma década depois de o povo macuxi vencer uma batalha judicial marcada pela violência para expulsar plantadores de arroz da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o controle dos indígenas sobre terras de ancestrais voltou a ser ameaçado por políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro.

    A reserva de 1,7 milhão de hectares na fronteira com a Venezuela abriga uma povo de 25 mil indígenas, cujo principal sustento vem da criação de gado. Mas a terra continua sendo cobiçada por agricultores e mineradores, que acreditam que a área é rica em ouro, diamante, cobre, molibdênio, bauxita e até nióbio, metal usado para fortalecer o aço e que Bolsonaro considera 'estratégico'.

    'Vinte e uma lideranças mortas durante o processo de demarcação e homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol', disse o cacique Aldenir Lima, líder das 70 comunidades da reserva. 'Estamos aos poucos recuperando essa terra e onde se plantava o arroz. Hoje a gente coloca o nosso gado, porque hoje, aqui dentro da terra indígena Raposa Serra do Sol, a maior produção que a gente tem é o projeto de gado'.

    A situação pode mudar se Bolsonaro cumprir a promessa de rever as fronteiras da reserva, como parte de sua ofensiva para revogar uma proibição à agricultura e à mineração comerciais em terras indígenas.

    Uma das primeiras medidas de Bolsonaro após sua posse, em janeiro, foi colocar as decisões sobre terras indígenas a cargo do Ministério da Agricultura, que é controlado por representantes do agronegócio ansiosos para desbravar novos territórios para a agricultura de larga escala.

    O presidente já destacou a própria reserva Raposa Serra do Sol.

    'É a área mais rica do mundo. Você tem como explorar de forma racional. E no lado do índios, dando royalties e integrando o índio à sociedade', disse ele em dezembro.

    Os macuxi temem que mineradores de ouro ilegais e outros invasores voltem às suas terras, encorajados pela retórica de Bolsonaro e por medidas para enfraquecer seus direitos.

    'Para o novo presidente, Jair Bolsonaro, (quero pedir) que respeite nossos direitos. A nossa terra já foi demarcada, homologada e registrada', disse a líder comunitária Tereza Pereira de Souza, usando um cocar de penas amarelas.

    'Passou por 30 anos (esse) processo grande, até que chegou à definição da demarcação, da homologação e registrar essa nossa terra', acrescentou.

    Os 900 mil indígenas brasileiros representam menos de 1 por cento da população e moram em reservas que equivalem a 13 por cento do território.

    Bolsonaro diz que as tribos vivem em situação de extrema pobreza e fome e que devem ser assimilados pela sociedade em vez de confinados em uma reserva como 'animais de zoológico'.

    Mas qualquer tentativa de mudar a situação legal de Raposa Serra do Sol provavelmente seria contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) com o argumento de que a Constituição de 1988 protege os direitos de terras indígenas.

    Antropologistas alertam que remover a proteção destruiria as tradições e as línguas dos macuxi e de quatro outras tribos na reserva.

    'A natureza é a nossa vida, que é a mata, o rio, o lago, os peixes e a nossa vida. É nosso sangue. E nosso espírito. Porque é dela que vem o nosso sustento', disse Martinho de Souza, um xamã macuxi. 'Nós nascemos, vivemos e morreremos aqui. E essa é a nossa vida'.

    Nas redondezas, na vila xamã de Tamanduá, galinhas correm pelo chão de terra e uma vasilha de comida é esquentada na fogueira. O nome da vila deriva do mamífero que está sob risco de extinção.

    Membros mais novos da tribo dizem que lutariam pela terra, dentre eles, Tiago Nunes Pereira, de 24 anos, que mostra sua perna com cicatrizes provocadas por um tiro decorrente de um confronto com fazendeiros quando tinha apenas 12 anos.

    'A gente teve derramamento de sangue, entendeu? Isso dói em mim. Dói muito. (Ter medo) de lutar jamais. Até o último índio entendeu. A gente não se cansa de lutar.'

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    Aldeia indígena enfrenta ameaça existencial por tragédia de Brumadinho

    Por Leonardo Benassatto e Adriano Machado

    SÃO JOAQUIM DE BICAS, Minas Gerais (Reuters) - Quilômetros correnteza abaixo a partir de onde uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) se rompeu na sexta-feira, deixando dezenas de mortos e quase 300 desaparecidos, uma pequena aldeia indígena enfrenta dúvidas sobre sua própria existência, uma vez que o rio do qual sua vida depende está poluído pelos detritos de mineração.

    Os peixes do rio Paraopeba são a principal fonte de alimento dos membros da tribo Pataxó Hã-hã-Hãe, que vivem no final de uma estrada de terra sinuosa. Os moradores do vilarejo também se banham e lavam as roupas em suas águas.

    Mas depois que uma barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão estourou, soterrando comunidades e transformando as águas antes claras do rio em um fluxo marrom barrento, os cerca de 80 moradores da aldeia Pataxó Hã-hã-Hãe de Naô Xohã dizem que temem ser forçados a retirar suas famílias.

    Embora nenhum Pataxó Hã-hã-Hãe esteja, até o momento, entre os 84 mortos confirmados ou os 276 desaparecidos, eles receiam que o desastre possa ser o fim de seu estilo de vida.

    'Na quinta-feira eu estava aqui lavando minhas roupas, banhando meus filhos, e agora não posso nem tocar no rio', disse Sot de Ionara, contendo as lágrimas. 'Nossos corações estão muito tristes por saberem que nada pode ser feito'.

    O sofrimento dos Pataxó Hã-hã-Hãe coincide com o momento em que o atual governo sinaliza que quer eliminar os regulamentos para a mineração e reduzir as proteções de que as comunidades indígenas desfrutam atualmente. Para os críticos, o rompimento da barragem revela os riscos dessas diretrizes.

    A Fundação Nacional do Índio (Funai) disse estar comprometida a ajudar a aldeira Naô Xohã garantindo o suprimento de água potável, entre outras medidas. Mas a confiança nas autoridades é baixa após a tragédia.

    'Você acha que uma mineradora qualquer se preocupa com isso? Você acha que um prefeito qualquer se preocupa com esta área?', indagou Sot de Aigoho. 'Eles só amam o dinheiro – e a mineração'.

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    Rompimento de barragem deixa índios com pouca oferta de água potável, diz Funai

    (Reuters) - O rompimento de uma barragem de mineração da Vale em Minas Gerais na semana passada deixou integrantes de uma aldeia indígena com acesso a uma oferta limitada de água potável, disse nesta segunda-feira a Fundação Nacional do Índio (Funai), que ressaltou ter enviado uma equipe para apoiar os indígenas.

    Segundo a Funai, mais de 80 índios que vivem às margens do rio Paraopeba estão com 'pequenas reservas de água' após o desastre na sexta-feira ter gerado um mar de lama e rejeitos de mineração que poluiu o manancial e destruiu instalações da própria Vale e comunidades locais.

    Os índios são da aldeia Naõ Xohã, situada no município mineiro de São Joaquim de Bicas, disse a Funai.

    'Eles estão em uma área segura em relação à posição do rio e até ontem (domingo) nos informaram que tinham pequenas reservas de água', afirmou em nota o coordenador regional da Funai em Governador Valadares (MG), Jorge Luiz de Paula.

    A Funai acrescentou que não houve feridos e disse que 'disponibilizou um caminhão para arrecadar doações de água que serão levadas à aldeia nesta segunda-feira'.

    A medida teria sido tomada, de acordo com a Funai, após pedido da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e de voluntários.

    O rompimento da barragem da mina de ferro de Feijão deixou 60 mortos e 292 desaparecidos, segundo a mais recente atualização de números de vítimas da tragédia, divulgada na manhã desta segunda-feira. [nL1N1ZS0BA]

    De acordo com a Funai, o presidente da instituição, Franklimberg de Freitas, tem articulado para que as equipes que atuam no local do incidente em Minas Gerais apoiem as populações indígenas impactadas.

    A nota da Funai, no entanto, afirma que já houve contato com a câmara técnica que lidera as ações na área, 'mas o foco das doações e do atendimento médico ainda está nas vítimas do desastre'.

    (Por Luciano Costa, em São Paulo)

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    Raquel Dodge adverte governo Bolsonaro sobre direitos territoriais indígenas

    Por Anthony Boadle

    BRASÍLIA (Reuters) - A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu na quarta-feira que o governo do presidente Jair Bolsonaro respeite os direitos territoriais de 900 mil cidadãos indígenas que têm sido ameaçados por uma série de invasões de terras desde que Bolsonaro tomou posse.

    Bolsonaro tem dito que não permitirá a criação de novas reservas e transferiu ao Ministério da Agricultura a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas, em uma medida que muitos ativistas viram como colocando os interesses dos agricultores acima do dos grupos indígenas.

    Dodge disse que o direito dos povos indígenas à terra é garantido pela Constituição e que o novo governo precisa explicar suas intenções, porque a comunidade internacional está preocupada com o futuro dos indígenas brasileiros.

    “Em um momento em que o novo governo estabelece e propõe mudanças de competências, não pode haver retrocesso nas políticas públicas”, disse Dodge durante coletiva de imprensa que contou com a participação de representantes de algumas das 305 tribos brasileiras, de grupos ativistas e de uma dezena de países europeus.

    Bolsonaro tem dito que as tribos brasileiras sofrem com a pobreza e que deveriam ter o direito de participar de atividades comerciais para melhorar a qualidade de vida, incluindo o recebimento de royalties de mineradoras que operariam em suas terras. Grupos indígenas dizem que empreendimentos do tipo ameaçariam sua cultura.

    O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que participou do evento, defendeu o plano de Bolsonaro para permitir a produção agrícola de grande escala em reservas indígenas, o que é atualmente ilegal.

    A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos de povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, pediu que o governo Bolsonaro cumpra os acordos internacionais assinados pelo Brasil que dão proteções à população indígena.

    Joênia Wapichana, a primeira mulher indígena a ser eleita para o Congresso em outubro, disse que Bolsonaro está incitando a violência e o ódio contra o seu povo.

    “As invasões de terras indígenas são um crime e o governo tem a obrigação constitucional de impedí-las”, disse a repórteres. Joênia disse que a Fundação Nacional do Índio (Funai) teve seus recursos cortados e foi desprovida de ferramentas para defender os povos indígenas.

    Uma porta-voz da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que não compareceu ao evento devido a uma mudança de agenda de última hora, disse que a transferência da competência de direitos à terra da Funai para a pasta não compromete a Constituição ou qualquer lei.

    O presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Roque Paloschi, disse que agricultores, madeireiros e mineiros em Rondônia “se sentem encorajados a invadir terras indígenas por esse governo” e pela retórica de Bolsonaro, que classifica como excessivas as reivindicações de terras indígenas.

    (Reportagem adicional de Jake Spring)

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