alexametrics
Capa do Álbum: Antena 1
ANTENA 1A RÁDIO ONLINE MAIS OUVIDA DO BRASIL

    NOTÍCIAS SOBRE perfil

    Veja essas e outras notícias da Antena 1

    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Amado e odiado, Lula travará nos tribunais batalha para disputar Presidência pela 6ª vez

    PERFIL-Amado e odiado, Lula travará nos tribunais batalha para disputar Presidência pela 6ª vez

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Carismático e maior liderança popular da história do país para uns, símbolo maior da corrupção que assolou o Brasil nos últimos anos para outros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva travará da cadeia uma luta nos tribunais para disputar pela sexta vez a Presidência da República na eleição de outubro deste ano.

    Desde a última vez que esteve preso, há 38 anos, quando foi detido por enfrentar a ditadura militar com uma grande greve de metalúrgicos, o tempo passou para Lula, mas a garra e o apreço pelo confronto permaneceram.

    Em todas as suas manifestações feitas desde a prisão em abril --seja por meio de advogados, cartas ou artigos publicados na imprensa-- tem insistido na candidatura ao Planalto, mesmo diante da alta probabilidade de ser barrado da eleição pela Lei da Ficha Limpa.

    'Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos', disse o ex-presidente em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo.

    O petista também tem rejeitado, desde as vésperas de sua prisão, aceitar tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar. 'Se é para ser preso, que seja de verdade', afirmou.

    Presidente que deixou o cargo com os mais altos níveis deaprovação e popularidade, Lula enfrentou nos últimos anos umcalvário de acusações que culminaram, por ora, na condenação a12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem dedinheiro, acusado de ter recebido um apartamento tríplex noGuarujá (SP) da empreiteira OAS em troca de benefícios àempresa em contratos com a Petrobras.

    Lula ainda é réu em outros cinco processos, dois deles --umsobre o sítio em Atibaia, outro que investiga a suposta doaçãode imóveis para o Instituto Lula pela Odebrecht-- estão emCuritiba, com o juiz Sérgio Moro, que o condenou em primeirainstância no caso do tríplex. Outros três na Justiça Federalde Brasília.

    Em um dos processos que tramitavam em Brasília, em que era acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato e se baseava na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, Lula terminou absolvido.

    O petista, no entanto, colecionou derrotas na Justiça em sua luta contra a condenação no caso do tríplex e para deixar a prisão e garantir vaga na disputa eleitoral antes do recesso de meados do ano, embora o caso ainda esteja longe de um desfecho judicial.

    'Com tudo que aconteceu e está acontecendo, Lula serecuperou antes do PT. Lula sempre foi maior do que o PT, mashoje ele é muito mais que o PT', disse à Reuters uma fonte dealto escalão do partido.

    Mesmo abatido pelo impeachment da então presidente DilmaRousseff e as seguidas derrotas judiciais, sem contar o ladopessoal com a perda da segunda mulher, Marisa Letícia, Lula, naprática, continua a comandar o PT. Fontes próximas aoex-presidente ouvidas pela Reuters contam que ele acompanha cadapasso do partido, as eleições estaduais, cada candidatura.

    E justamente por ser maior que o partido que idealizou e fundou, Lula é parte central da estratégia do PT na eleição deste ano. A sigla irá concentrar esforços em eleger uma bancada de deputados federais numerosa e na disputa presidencial, insistindo na candidatura de Lula até quando for possível.

    Buscam, desta maneira, maximizar a capacidade de transferência de votos do ex-presidente caso seja necessário substituí-lo no pleito.

    Mais magro de quando estava na Presidência, Lula se gabava, antes de ser preso, de acordar todos os dias cedo para fazer ginástica.

    'Estejam certos de que o Lula de hoje, embora mais velhoestá muito mais motivado. Levanto todo dia às 5h da manhã, façoduas horas de ginástica todo dia e estou cheio de energia',disse em discurso na cidade de Palmeira das Missões, no RioGrande do Sul, durante caravana no Sul do país.

    De acordo com aliados, Lula tem mantido a rotina de exercícios mesmo no cárcere --conseguiu que a Justiça autorizasse a instalação de aparelhos de ginástica na Polícia Federal em Curitiba atendendo recomendações médicas para se exercitar. Além disso, de acordo com correligionários, Lula tem lido em escala industrial desde sua prisão em abril.

    RUMO AO PALÁCIO DO PLANALTO

    Nascido em Caetés, na época distrito de Garanhuns (PE), Lulatem uma biografia contada e recontada como parte do folclorepolítico brasileiro. Aos 7 anos, acompanhado da mãe, Lindu, e desete irmãos, enfrentou 13 dias em um pau-de-arara, caminhão detransporte precário e irregular, até chegar a São Paulo para afamília tentar uma vida melhor.

    Aos 14 anos vai trabalhar na antiga fábrica de parafusosMarte e surge a oportunidade de se inscrever num cursoprofissionalizante no Senai. De lá, foi trabalhar na MetalúrgicaIndependência, onde perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 18 anos.

    Começou a carreira de líder sindical como suplente nadiretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista.

    Em plena ditadura militar, Lula comandou greves, negocioucom patrões e com a poderosa Federação das Indústrias do Estadode São Paulo (Fiesp), sendo preso pela primeira vez em 1980, por'incitação à desordem'. Chegou a ser condenado a 2 anos deprisão, mas foi inocentado na segunda instância --ao contráriodo que aconteceu agora.

    O ex-presidente tentou a via eleitoral pela primeira vez em1982, dois anos depois da criação do PT, ao concorrer paragovernador do Estado de São Paulo. Na ocasião, incorporou Lulaao Luiz Inácio da Silva.

    Bem antes das urnas eletrônicas, as cédulas de votação empapel não traziam o nome dos candidatos. Muito conhecido peloapelido, o petista queria que os votos que mencionassem apenasLula fossem validados. Terminou em quarto lugar, obtendo cercade 10 por cento dos votos.

    Depois de uma ativa participação na campanha pelas eleiçõesdiretas para presidente da República, foi o deputado federalconstituinte mais votado do país em 1986.

    Por três vezes tentou e chegou apenas em segundo lugar antesde ser eleito presidente pela primeira vez em 2002, quandofinalmente amainou o discurso radical de esquerda, afagou aelite econômica do país e aceitou alianças ao 'centro'.

    O 'Lulinha Paz e Amor' que surgiu naquela eleição perduroudurante todo o governo. A habilidade de negociar, surgida nasgreves e nas rodadas de negociação com empresários, foidesenvolvida ao longo dos anos no comando do Partido dosTrabalhadores e usada com afinco em seus oito anos de governo,em que conseguiu juntar partidos como PP e PCdoB na mesma mesa.

    Favorecendo o diálogo sobre o confronto --com sua voz graverouca sendo compensada pelo abundante carisma--, ele persuadiurepetidas vezes opositores políticos, importantes empresários,líderes estrangeiros e os eleitores.

    'Lula podia até não gostar da gente, mas a gente saía dasala tendo certeza que ele era nosso melhor amigo', disse certavez o senador Romero Jucá (MDB-RR), líder do governo Temer noSenado e que ocupou a mesma posição no governo Lula. Jucá, nocaso, comparava a ex-presidente Dilma Rousseff, tida comoirascível, com a capacidade de Lula em agregar políticos detodos os matizes.

    O presidente que saiu do poder com 87 por cento de aprovação--um recorde no país-- e elegeu como sua sucessora uma mulher,petista, pouco afeita à política e que nunca havia concorrido aum cargo eletivo, hoje ainda detém o quase milagre de ter cerca de 30 por cento de intenções de voto em um país dividido, em que parte da população credita a ele, e ao PT, toda a corrupção revelada no país nos últimos anos.

    'Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei, porque eu não sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia. Uma ideia misturada com a ideia de vocês', disse Lula a simpatizantes, pouco antes de se entregar à Polícia Federal, em abril.

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Em seu 7º partido, Alvaro Dias quer romper com a política tradicional e 'refundar' República

    PERFIL-Em seu 7º partido, Alvaro Dias quer romper com a política tradicional e 'refundar' República

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - O senador Alvaro Dias (Podemos-PR) é um veterano da política, começou na vida pública em 1969 e quer, na eleição de outubro deste ano, comemorar os 50 anos de carreira política em 2019 vestindo a faixa presidencial com a promessa de 'refundar' a República e romper com o modelo político atual, que ele classifica como um balcão de negócios.

    Dias, de 73 anos, é formado em História e começou na política como vereador na cidade de Londrina, no norte do Paraná, depois de ser apresentador em programas de auditório de rádio e autor de radionovelas de sucesso no interior do Paraná.

    Atualmente no Podemos, antigo PTN, Dias está no sétimo partido de sua carreira político. Começou no MDB, quando o partido representava a oposição ao regime militar que governou o país entre 1964 e 1985. Passou também pelo extinto PST e por PP, PSDB, PDT e PV. Além de vereador e senador, foi deputado estadual, deputado federal e governador.

    Com toda esse currículo político, apresenta-se no pleito eleitoral deste ano como a ruptura ao modelo atual da política. Em maio deste ano, durante sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, pelo SBT e pelo portal UOL, recorreu a uma passagem bíblica para explicar esta aparente contradição.

    'Eu conheço esse monstro nas suas entranhas e não gostei de conviver com ele. Aliás, no Velho Testamento, Jonas também não gostou de morar na barriga da baleia', disse, em referência à passagem bíblica sobre um profeta que chegou a ser engolido por uma baleia após desobedecer uma ordem de Deus, arrependendo-se depois e sendo salvo por Deus das entranhas do animal.

    Dias costuma orgulhar-se de sua passagem à frente do governo do Paraná, entre 1987 e 1991 e coloca sua gestão, bem avaliada de acordo com o Datafolha, como exemplo do que pode fazer caso chegue ao Palácio do Planalto em janeiro do ano que vem.

    O parlamentar evita rótulos ideológicos, não afirma ser nem de direita, nem de centro-esquerda, nem de centro-direita. Em entrevista à Reuters em abril disse que é “para frente que se caminha”.

    “Sou do chamado centro democrático progressista”, disse o senador na ocasião em seu gabinete no Congresso.

    Dias marcou sua atuação parlamentar por uma postura combativa em comissões parlamentares de inquérito que investigam escândalos e por uma retórica dura em denúncias de irregularidades no setor público.

    Foi presidente da CPI do Futebol entre 2000 e 2001, quando ganhou notoriedade em meio às acusações de irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em 2001 foi expulso do PSDB por ter assinado requerimento de criação de CPI que investigaria irregularidades no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Na ocasião, foi com o irmão e à época também senador Osmar Dias, que deixara o PSDB por ter assinado o requerimento, para o PDT. Em 2003, Alvaro Dias retornou ao ninho tucano, enquanto seu irmão permaneceu no PDT.

    Dias também tornou-se crítico feroz dos governos petistas, especialmente em momentos em que enfrentavam denúncias de corrupção.

    AJUDA DO ALÉM

    O discurso da ética, que Dias trouxe para sua segunda tentativa de chegar ao Planalto --tentou sem sucesso ser o candidato do PMDB em 1989 perdendo a candidatura para Ulysses Guimarães--, no entanto, não o eximiu de ver seu nome envolvido em escândalos.

    Em 2009, o parlamentar foi um dos senadores envolvidos no episódio que ficou conhecido como 'farra das passagens'. Ele usou sua cota parlamentar de passagens aéreas para que familiares viajassem ao exterior. Na ocasião, ele negou qualquer irregularidade, disse que se tratou de uma compensação de despesas, pois em alguns casos precisou pagar do próprio bolso passagens para viagens a trabalho.

    Mais recentemente, Dias, que é um defensor ferrenho da operação Lava Jato, foi citado por um dos delatores da operação. O caso, no entanto, foi posteriormente arquivado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

    Dias, cujo atual mandato no Senado termina apenas em 2023, insistiu frequentemente que sua candidatura ao Planalto era irreversível e afastou a possibilidade de se aliar novamente ao PSDB, legenda que ele afirma ser um 'sustentáculo' do modelo político que ele quer combater.

    Agora com a candidatura confirmada, o senador poderá, quem sabe, contar ainda com uma ajuda sobrenatural para chegar ao Planalto no 50º aniversário de sua entrada na política, já que, no ano passado, um vidente paranaense famoso por aparecer em programas populares de TV o apontou como próximo presidente da República. Após a previsão, o vidente foi recebido pelo senador e gravou um vídeo com ele.

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Político de estilo 'mineiro', Alckmin tem gostos simples e é hábil nos bastidores

    PERFIL-Político de estilo 'mineiro', Alckmin tem gostos simples e é hábil nos bastidores

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - Um político de estilo 'mineiro', muitas vezes desconfiado e com grande habilidade de articulação política nos bastidores, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, é também reservado no plano pessoal e tem gostos e costumes que levaram críticos a taxá-lo desde 'picolé de chuchu' até a 'meio jeca'.

    Natural de Pindamonhangaba, interior de São Paulo, onde iniciou sua carreira política, Alckmin, que está com 65 anos, tem vários traços do estereótipo do cidadão do interior. Gosta de comidas simples, é contador de histórias, ao mesmo tempo que também é prudente e calculista na hora de agir.

    'Ele tem um estilo muito mineiro. Estilo 'a vingança é um prato que se come frio'', disse à Reuters o deputado federal Floriano Pesaro (PSDB-SP), que foi secretário estadual de Desenvolvimento Social de Alckmin em um dos mandatos do tucano no governo de São Paulo.

    'Eu considero ele um político desconfiado, ele tem poucos amigos', acrescentou Pesaro, que elogia o ex-chefe como um gestor preocupado com resultados e que cobra muito isso de seus auxiliares.

    O tucano é um fenômeno em solo paulista. Comandou o maior Estado do Brasil por quatro vezes, embora não tenha tido sucesso em suas duas tentativas de tornar-se prefeito da capital. Em sua primeira tentativa de voo nacional, em 2006, fracassou e foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial.

    Naquela ocasião, depois de conseguir levar a disputa para o segundo turno, tentou mudar o estilo, adotando tom mais agressivo contra o petista, e colheu como resultado algo raro: depois de conseguir quase 40 milhões de votos no primeiro turno, viu uma redução de apoio na segunda rodada, quando somou 37,5 milhões de votos.

    Passados 12 anos, Alckmin tem se declarado mais maduro.

    Começou a trilhar o caminho para disputar mais uma vez o Palácio do Planalto há dois anos, quando contrariou caciques tucanos no Estado e patrocinou pessoalmente a candidatura de João Doria à prefeitura paulistana pelo PSDB.

    Com a vitória do afilhado ainda em primeiro turno --algo que jamais havia acontecido na cidade desde a possibilidade de duas rodadas de votações--, Alckmin credenciou-se como principal nome tucano para a disputa presidencial.

    Teve de lidar com movimentos do próprio Doria, recém-empossado no Edifício Matarazzo, em direção a uma eventual candidatura presidencial, que acabou não se concretizando. Doria deixou a prefeitura menos de um ano e meio após assumir para disputar o governo paulista.

    Enquanto isso, o PSDB enfrentava problemas internos, com o então presidente da legenda, o senador Aécio Neves (MG), envolvido em escândalos. Com a saída do mineiro da presidência da sigla, o partido passou a viver a expectativa de uma disputa interna pelo seu comando.

    Alckmin apareceu como solução, defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas inicialmente tratou a possibilidade com reticências.

    'Ele achava que não era importante presidir o partido. O importante era fazer a campanha. Depois nós mostramos para ele que era importante ter a direção da máquina partidária, porque se não você corre o risco de não ter o partido alinhado, e ele aceitou essa argumentação', disse Pesaro.

    Alckmin assumiu o PSDB no final de 2017 e, a partir dali, já era o candidato virtual do partido à Presidência na eleição de outubro deste ano.

    'MEIO JECA'

    A postulação do então governador paulista, no entanto, não era consenso no partido. O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, anunciou a intenção de disputar prévias contra o correligionário paulista, que não se opôs, ao menos publicamente. Mas as propostas de Virgílio para a realização de debates e modelo de prévias não prosperaram e, ao retirar seu nome, o prefeito disparou contra Alckmin.

    'É um dos homens públicos mais --no mau sentido-- mais banais, cheio de golpezinhos, cheio de historinhas, de pequenas espertezas', disse Virgílio à Reuters em fevereiro, quando retirou seu nome para disputar a indicação tucana ao Planalto.

    'Ele acha que por exclusão ele virou candidato, por exclusão ele vai para o segundo turno e por exclusão ele vira presidente. Tudo por exclusão, nada por afirmação. Eu tenho uma impressão muito ruim dele hoje, a ponto de eu me sentir muito incompatibilizado com a ideia de votar nele. Não sinto que ele me tenha tratado com respeito, eu não tenho respeito por ele.'

    À época, Alckmin respondeu afirmando que Virgílio estava sendo injusto com ele e com o partido e, reservadamente, ficou chateado com as críticas.

    'Ele achou que o Arthur foi desleal com ele. Mas o Geraldo não é de guardar rancor. Ele é de deixar as coisas passarem e, se tiver que dar o troco, ele vai dar na hora certa. Mas ele não é rancoroso, é diferente', disse Pesaro.

    Alckmin concordou apenas com uma das críticas feitas pelo prefeito de Manaus, a de que é 'meio jeca'.

    O ex-governador gosta de contar histórias, a esmagadora maioria delas de Pindamonhangaba. Os relatos vão desde 'causos' políticos da cidade até anedotas do cotidiano.

    Alckmin, que aponta seu pai Geraldo como seu grande ídolo, lembra frequentemente de um dos ensinamentos do patriarca: quem enriqueceu na política é ladrão.

    Embora jamais tenha sido atingido em cheio por escândalos decorrupção, teve de conviver com episódios como o cartel nasobras do metrô paulista, irregularidades na aquisição de merenda para escolas estaduais, uma suposta menção a seu nome --com o codinome 'Santo'-- na lista de propinas da Odebrecht e a citação de um delator da empreiteira a seu cunhado como destinatário de recursos que seriam usados em suas campanhas eleitorais em 2010 e 2014.

    Alckmin, que é alvo de inquérito por suposta improbidade administrativa no caso em que delatores ligados à Odebrecht apontaram o tucano como beneficiário de 10 milhões de reais em caixa dois eleitoral, nega quaisquer irregularidades e aliados dizem que a citação em possíveis irregularidades incomoda o tucano.

    'DOMINAR O CENTRO'

    O estilo simples já fez com que aliados de Alckmin chamassem sua atenção para o fato de estar usando roupas excessivamente gastas. Amante de cafezinhos, o tucano é capaz de tomar vários ao longo do dia, provocando azia em aliados que o acompanham em viagens. Gosta também de chocolates e, presenteado com marcas caras do produto, pode surpreender o autor do presente com uma gaveta cheia de bombons nacionais, seus favoritos.

    'Ele sempre teve o perfil de uma vida modesta. A vida dele é o trabalho e a família. Ele trabalha de sábado, domingo, feriado. É até demais', disse o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), nome próximo ao ex-governador.

    Religioso, Alckmin também vai à missa todos os domingos, às vezes mais de uma vez. Torcedor do Santos, cita o clube do coração em eventos públicos, mas está longe de ser o mais fanático dos fãs do clube.

    Com medo de avião e de helicóptero --mesmo antes de perder o filho caçula, Thomaz, em um acidente com uma aeronave deste tipo em 2015-- prefere viajar de carro, sempre que possível e, se tiver que voar, opta por voos de carreira.

    Em uma aparente tentativa de mostrar-se mais carismático ao eleitorado, recentemente começou a colocar vídeos em família em suas redes sociais. Em um desses vídeos, em que ensina um de seus netos as 'artimanhas', em suas palavras, do xadrez, acabou por soltar uma frase que muito bem poderia se encaixar em seus esforços de articulação política para chegar à Presidência.

    'O segundo objetivo é desenvolver as peças. O primeiro é dominar o centro, segundo as peças desenvolverem', disse Alckminenquanto gesticulava sobre o tabuleiro.

    O tucano teve de levar do tabuleiro real para o político as suas habilidades de enxadrista para fechar uma aliança com o chamado blocão --grupo de partidos formado por PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade e que se autodenomina Centro Democrático.

    'Ele teve diversos encontros e acho que foi convincente. As coisas deram certo. Havia um campo de afinidades reais. Ele é muito experiente, é habilidoso, conseguiu sucesso nessa empreitada', disse à Reuters o secretário-geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG).

    Médico anestesista de formação, Alckmin é casado há 39 anos com Maria Lúcia Alckmin, a 'Lu' a quem costuma fazer declarações públicas de amor. Teve com ela três filhos --além de Thomaz, Geraldo e Sophia.

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Do seringal à corrida eleitoral, Marina Silva tenta quebrar contradições

    PERFIL-Do seringal à corrida eleitoral, Marina Silva tenta quebrar contradições

    Por Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - A figura franzina de Marina Silva remete a uma suposta fragilidade, mas a defesa determinada de posições e sua postura combativa demonstram uma face completamente diferente da moeda, que pode ou não ajudá-la em sua terceira tentativa de chegar à Presidência da República, agora pela Rede.

    'Ela é aberta ao diálogo, à troca, mas quando é para ser enérgica, é enérgica. Faz as coisas, tem uma energia, uma vitalidade muito grandes. O pessoal olha e a vê franzina, mas não tem noção da capacidade de trabalho dela', garante o pupilo da ex-senadora e candidato a deputado federal pela Rede, Zé Gustavo, segundo quem Marina preserva tom 'pedagogizante' ao conversar com os companheiros mais jovens.

    Na opinião de outra pessoa próxima, que acompanhou a candidata desde os primórdios de sua atuação política no Acre, Marina já viu seu temperamento e o apego às convicções lhe renderem reveses. Segundo esse amigo, que preferiu não ser identificado, a ex-ministra reúne as características típicas de um perfil combativo: assume a linha de frente, mantém posições.

    'Mas aí vem um aspecto negativo que é ser pouco flexível, no geral, e que vai para cima quando tem uma posição', disse o amigo.

    Marina 'suavizou' a atuação com o passar do tempo, relata o amigo, mas isso não a impediu de bater o pé quando considerou necessário, mesmo sob a ameaça de perdas políticas.

    O histórico de saúde corrobora a aparência frágil da política. Aos 16 anos, teve a primeira de três hepatites, e ainda foi vítima de cinco malárias. Também contraiu leishmaniose, o que a levou a Rio Branco em busca de tratamento.

    Foi na capital do Acre que Marina, filha de seringueiros, teve seus primeiros contatos com a política ao ler durante a missa um cartaz sobre curso de liderança sindical rural com Chico Mendes e o padre Clodovis Boff.

    Marina já vivia no convento das Servas de Maria Reparadoras, onde teve contato com o então bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grecchi, alinhado à Teologia da Libertação. Ali, passou a atuar nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

    A participação em movimentos sociais a levou a liderar em 1988 ao lado de Chico Mendes os chamados movimentos de empates, em que barreiras humanas eram formadas para impedir ações de desmatamento.

    Alguns anos à frente, já como ministra do Meio Ambiente e após ter tido experiência como vereadora, deputada estadual e senadora, enfrentou embates com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao ponto de deixar a pasta, em 2008.

    Ainda assim, Marina mantém a fé na busca da resolução de conflitos por meio do diálogo. Foi com essa estratégia, conversando com cada parlamentar, que garantiu a aprovação da chamada Lei da Mata Atlântica, conta o amigo próximo.

    E é dessa forma que vem prometendo, já há duas eleições -- primeiro pelo PV e depois pelo PSB--, tentar imprimir um novo jeito de fazer política. A ideia, explica Zé Gustavo, é buscar os denonimadores comuns e usar o programa de governo a ser chancelado por uma eventual vitória nas urnas para convencer --e até mesmo constranger-- parlamentares.

    FALAR O QUE PENSA

    E essa deve ser a abordagem nas mais diversas áreas. Na área econômica, diz Gustavo, não é possível rotular a candidata, porque ela não responde à estrutura 'binária' de classificação entre 'liberais' e 'estatizantes'.

    É pelo debate que ela pretende lidar com saias justas como as polêmicas discussões sobre a descriminalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

    'Boa parte das pessoas não diz o que pensa, o que acredita, para não perder voto', declara Marina em vídeo disponível no site da Rede sobre aborto. 'Eu não me somo àqueles que ficam satanizando, ou os que têm teses dizendo que é um caminho. Eu prefiro ir para o debate do que para o embate', afirma.

    Na avaliação do amigo, Marina trata a religião como uma questão de foro íntimo, não a utiliza como um palanque, e defende o Estado laico. Para ele, insistentes questionamentos sobre os temas foram exaustivamente respondidos pela candidata, o que o faz pensar que os retornos ao assunto configuram uma espécie de 'armadilha' e geram certo 'cansaço'.

    Antes de praticar a fé evangélica, Marina alimentava o sonho de ser freira, o que acabou instigando sua vontade de se alfabetizar, já que não poderia exercer a vocação sem saber ler ou escrever.

    Nascida em 8 de fevereiro de 1958 em Breu Velho, no Seringal Bagaço, perto de Rio Branco, a hoje candidata traz um histórico de superações.

    Além da pobreza e da saúde debilitada, enfrentou a morte da mãe quando tinha 15 anos e uma vida difícil no seringal. Ao mudar-se para Rio Branco, trabalhou como empregada doméstica, enquanto investia nos estudos. Alfabetizou-se no Mobral, concluiu o 1º e o 2º graus em supletivos e formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Concluiu ainda pós-graduações em Teoria Psicanalítica, pela Universidade de Brasília (UnB), e em Psicopedagogia, na Universidade Católica de Brasília.

    E ao longo desses anos, garantem os mais próximos, não acumulou inimigos --não de sua parte, explicam. Chega até, na opinião do amigo, a dispensar tratamento melhor do que deveria a alguns que teriam sido injustos com ela. É de seu feitio, diz, não transformar adversários em inimigos.

    Mas isso não faz com que as pessoas nutram simpatia automática por ela. Esse foi o caso, quando o atual presidente do PSB, Carlos Siqueira, então coordenador da campanha presidencial, desentendeu-se com Marina quando ela assumiu a cabeça da chapa após a morte do candidato socialista Eduardo Campos em 2014.

    A relação com a ex-presidente Dilma Rousseff, assim como com alguns ex-companheiros do PT também não é das melhores, apesar de ser uma das fundadoras do partido.

    Há quem insinue que Marina é fraca e não aguenta críticas. Foi o que fez Dilma na campanha de 2014, ao comentar choro da então candidata pelo PSB em entrevista --Marina se emocionou em pergunta sobre críticas do ex-presidente Lula a ela. A petista deu a entender que a adversária não aguentaria a pressão de comandar a Presidência da República.

    Agora, Marina depara-se com outro desafio: a pequena estrutura partidária e seu menor tempo de propaganda política na rádio e TV. A ex-ministra colocará à prova seu recall e o claro investimento nas novas tecnologias e redes sociais para disputar o eleitorado.

    'No meu entendimento, ganhar uma eleição com 8 segundos de televisão, pouquíssimos recursos, um partido que é mais um movimento do que um partido em termos tradicionais... com certeza haverá uma mudança, uma transição', disse Marina em entrevista à Reuters no início de julho.

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Vaidoso e exigente, Meirelles tenta emplacar visão liberal para chegar ao Planalto

    PERFIL-Vaidoso e exigente, Meirelles tenta emplacar visão liberal para chegar ao Planalto

    Por Patrícia Duarte

    SÃO PAULO, 2 Ago (Reuters) - Vaidoso e exigente no trabalho, Henrique Meirelles, que se descreve como um 'liberal clássico', tenta neste ano realizar um desejo que surgiu quando comandava o Banco Central no governo Lula: obter um mandato para trabalhar no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial.

    Há nove anos, quando se filiou ao então PMDB, pensou em voos mais altos, mas sem força política para tanto naquele momento procurou se cacifar para ser vice na chapa encabeçada por Dilma Rousseff, escolhida pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo. Nem isso conseguiu. Dilma não gostava dele, e o PMDB preferiu para esse papel o nome do então presidente do partido e da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

    Neto e sobrinho de políticos goianos, Meirelles nasceu em Anápolis (GO) em 31 de agosto de 1945, mas só em 2002 entrou para a política ao se lançar candidato a deputado federal pelo PSDB, sendo o mais votado no Estado.

    Logo depois, no entanto, abriu mão do mandato e deixou o partido para aceitar convite de Lula para presidir o Banco Central, num momento de turbulência nos mercados financeiros devido à eleição do petista. Ficou no cargo durante os oito anos do governo Lula, tornando-se o mais longevo comandante do BC.

    Ajudou o Brasil a dar saltos importantes, como chegar ao grau de investimento e passar pela crise financeira global de 2008/09 sem grandes arranhões. Admirado pelos mercados financeiros, em função da posição ortodoxa na economia, entregou por três anos a inflação abaixo do centro da meta oficial no período que presidiu o BC.

    O sucesso conseguido naquele período tem sido usado na pré-campanha deste ano, por meio de vídeos e posts nas redes sociais com o slogan 'Chama o Meirelles', passando a imagem de que quando a economia vai mal ele é chamado para resolver.

    'Quem já ajudou o Brasil a enfrentar e vencer duas crises econômicas?', pergunta um vídeo curto na página do MDB no Facebook, que termina afirmando: 'Experiência faz toda diferença. Chama o Meirelles.'

    Num país dividido e de opiniões cada vez mais radicalizadas, o ex-ministro gosta de se descrever como um 'liberal clássico'.

    'A palavra que eu me defino melhor é liberal. Eu sou liberal. Liberal no sentido clássico, no sentido inglês, de quem defende a liberdade na economia, na política, na democracia', disse em entrevista à Reuters em maio.

    'Essa posição conservadora no Brasil está muito confusa, o que quer dizer isso? Quer dizer violência, quer dizer radicalismo? Não. Então eu prefiro a visão clássica do liberal, no sentido do liberalismo. Liberdade econômica para crescer, para empreender, liberdade de opinião, de voto, no sentido de indepedência dos Poderes e livre mercado, não há dúvida.'

    NOVO FHC?

    Ao assumir o Ministério da Fazenda após o afastamento de Dilma da Presidência da República, já no governo Temer e com a economia em forte recessão, Meirelles talvez tenha apostado no caminho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

    O tucano assumiu a Fazenda em 1993, também depois de um impeachment --do então presidente Fernando Collor de Mello-- e num momento de forte crise econômica. No ministério, Fernando Henrique reuniu a equipe que elaborou o Plano Real. Com o fim da inflação trazido pela nova moeda, o tucano se elegeu presidente.

    Com o acirramento da crise econômica em 2015 e 2016, sobretudo no campo fiscal, antes de acertar com Temer, Meirelles chegou a negociar também com Lula para voltar ao governo do PT. Especialmente em 2016, quando combinou com Lula e até com a ex-presidente Dilma sua ida ao Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy.

    Mas os planos não saíram do papel. Dilma continuava não gostando de Meirelles e preferiu colocar Nelson Barbosa à frente da pasta. E o ex-presidente do BC passou a negociar com Temer.

    Ao assumir o cargo no atual governo, Meirelles prometeu colocar a economia nos eixos e acertar as contas públicas. Inicialmente conseguiu vitórias importantes: o mau humor generalizado dos empresários foi revertido e o teto de gastos, que limitou o crescimento dos gastos públicos por pelo menos uma década, foi aprovado pelo Congresso Nacional.

    Auxiliares apontam justamente o trabalho duro como uma das características do ex-ministro. Por outro lado, o pré-candidato tentava na Fazenda manter um horário regrado para o almoço e ter condições de jantar em casa, raramente estendendo o expediente no ministério para além das 20h.

    'Workaholic total, adora trabalhar', resumiu um ex-auxiliar sobre o ex-ministro, conhecido por ser muito exigente no trabalho.

    Conhecido pela vaidade em relação a seus projetos pessoais e ao desempenho nos cargos que ocupou, na Fazenda acompanhava todas as notícias a respeito de si próprio e era um voraz usuário do Whatsapp, segundo relato do ex-auxiliar.

    Seu trabalho no ministério, no entanto, sofreu o baque da delação de executivos da J&F, que atingiu em cheio o presidente Michel Temer em maio de 2017, o que acabou impedindo a aprovação da reforma da Previdência, essencial no ajuste fiscal, porque o presidente gastou praticamente todo o seu capital político para barrar duas denúncias no Congresso.

    Sem essa reforma, a confiança dos agentes econômicos diminuiu em relação ao reequilíbrio das contas públicas. E a perspectiva de recuperação da economia em 2018, que já vinha sendo sucessivamente revisada para baixo após fracos indicadores de atividade do início do ano, sofreu também o impacto da greve dos caminhoneiros em maio, quando ele já não estava mais à frente da Fazenda.

    POR CONTA PRÓPRIA

    Com sua principal bandeira eleitoral --a recuperação da economia-- debilitada e atrelado a um governo de impopularidade recorde, Meirelles tem enfrentado dificuldades para decolar nas pesquisas de intenção de voto, aparecendo com apenas cerca de 1 por cento.

    O patrimônio pessoal do ex-ministro, no entanto, ajudou a dar fôlego à sua pré-candidatura dentro do MDB.

    Da última vez que declarou publicamente seu patrimônio, quando concorreu a deputado federal em 2002, Meirelles disse possuir 45 milhões de reais. De lá para cá, a fortuna cresceu.

    Só de serviços prestados à iniciativa privada, incluindo a holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, Meirelles recebeu mais 200 milhões de reais por trabalhos feitos de 2012 a 2015. Os fartos recursos contaram a favor, com caciques do MDB calculando que, ao usar de seu próprio dinheiro na candidatura, Meirelles pouparia o fundo partidário.

    Formado em engenharia pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em administração na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Meirelles participou de programa avançado em administração em Harvard. Na década de 1970 entrou no BankBoston, onde construiu uma carreira bem-sucedida nos Estados Unidos e chegou a ser presidente global da instituição.

    Para não dizer que sua imagem nunca foi arranhada diante dos investidores, a filiação ao então PMDB em 2009, quando comandava o Banco Central, causou um certo mal-estar. Muitos no mercado acharam estranho ter um presidente do BC, que até hoje não tem independência formal, filiado a um partido político.

    Meirelles deixou o PMDB e se filiou ao PSD diante da possibilidade, que não foi para frente, de disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012.

    A pré-candidatura à Presidência em 2018 surgiu ainda no PSD, mas com a perspectiva de apoio do partido na disputa ao PSDB, de Geraldo Alckmin, Meirelles optou por retornar ao MDB.

    Entre as posições que ocupou entre sua saída do BC e o trabalho na Fazenda, Meirelles foi presidente do conselho da J&F Investimentos --holding que controla a JBS-- e do conselho de administração da Azul Linhas Aéreas.

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Saudado como 'mito' por seguidores, Bolsonaro é criticado por radicalismo e discriminação

    PERFIL-Saudado como 'mito' por seguidores, Bolsonaro é criticado por radicalismo e discriminação

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A verborragia nas declarações e o jeito simples galvanizam ardorosos apoiadores que celebram o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) como 'mito' e o defendem nas ruas e nas redes sociais, ao mesmo tempo em que outra legião, de críticos, o acusa de discriminação, de ser preconceituoso e avalia que ele vai morrer na praia na campanha presidencial.

    A menos de três meses das eleições presidenciais, o capitão do Exército da reserva consolidou-se como o líder nas pesquisas de intenção ao Palácio do Planalto no papel de franco atirador, no cenário provável que não prevê o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Essa 'franqueza' dele tem sido apontada, por entusiastas, como uma de suas principais virtudes e também como uma de suas principais fragilidades na disputa --ele empata com Lula no quesito rejeição, segundo recente pesquisa CNI/Ibope.

    Declarações em apoio à ditadura militar --recentemente comparou a um 'tapa no bumbum' execuções determinadas pelo ex-presidente Ernesto Geisel, segundo revelou documento da CIA-- e polêmicas que já viraram investigações criminais --ele é réu em dois processos no episódio em que, em 2014, disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela 'não mereceria' e também é alvo de denúncia de racismo num evento que disse que 'quilombolas não servem nem para procriar'-- têm aumentado a preocupação em aliados.

    Essas falas já lhe renderam acusações de homofóbico, misógino e racista.

    Na denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que as 'manifestações feitas pelo acusado, de incitação a comportamento e sentimento xenofóbico, reforçam atitudes de violência e discriminação que são vedadas pela Constituição e pela lei penal'.

    Bolsonaro sempre negou, em declarações públicas e também nos autos dessas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), ter cometido crime em relação a esses episódios.

    REDES SOCIAIS

    Aos 63 anos, Jair Messias Bolsonaro coloca-se como o nome ao Planalto contra o establishment político, boa parte do qual dizimado pela operação Lava Jato, e como um outsider, mesmo tendo sete mandatos de deputado (27 anos de Congresso) e passado por vários partidos.

    É uma grande mudança de perfil para quem, até pouco tempo atrás, tinha como principal foco de atuação política a defesa, no Congresso, de demandas corporativas das Forças Armadas.

    O deputado filiou-se no início do ano ao Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual disputará a Presidência e que deverá ter no primeiro turno somente 8 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos na propaganda eleitoral de rádio e TV, um dos principais meios para transmitir as ideias e programas do candidato.

    Desde a eleição presidencial de 1989, a campanha na TV --aliada aos palanques nos Estados-- tem tido grande influência na corrida ao Planalto. Bolsonaro não tem nenhum dos dois. A aposta de seus apoiadores, ainda que receiem o início da campanha eleitoral e a 'invisibilidade' advinda dela, é que as redes sociais vão subverter essa ordem.

    'Essa eleição vai se definir entre a política tradicional e a rede social', disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do parlamentar.

    Por ora, o pré-candidato tem sido tratado, de maneira geral, com desdém por políticos de partidos tradicionais --acreditam se tratar de uma bolha que estoura nas eleições. Tanto que, dificilmente, vai fechar aliança com algum partido para 2018.

    O deputado conta com 5,3 milhões de fãs no Facebook, tem 623 mil assinantes no canal do Youtube e quase 1,2 milhão de seguidores no Twitter --só perde nesse último quesito, entre os pré-candidatos a presidente, para a ex-ministra Marina Silva (Rede), conforme o site Torabit, especializado em análise de redes sociais.

    A operação para dar visibilidade ao trabalho dele nas redes sociais envolve apenas seis pessoas, nas contas do assessor de imprensa de Bolsonaro, Eduardo Guimarães. São assessores, o filho e vereador no Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, e o próprio deputado que gravam, editam, escrevem e publicam em cada uma das redes.

    Esse é o principal canal para mobilizar seus apoiadores nas viagens que faz, em voos de carreira, aos Estados. Neles, geralmente aparece chegando a aeroportos ovacionado aos gritos de 'mito'.

    'Nas posições dele, ele é muito enfático realmente. Quando entra na discussão, ele faz valer a opinião dele da maneira mais enfática possível', disse à Reuters Frederico D'Ávila, um dos diretores da Sociedade Rural Brasileira e um dos coordenadores de Bolsonaro para o setor agropecuário.

    'Mas ele é um cara brincalhão, afetuoso, risonho. É um cara acessível, ele deixa as pessoas agarrarem ele, abraçar ele, tirar foto com ele, grava recado no celular das pessoas, percebe a condição humana de cada um', acrescentou.

    CONSELHEIRO

    Por ora, mesmo liderando a corrida nos cenários sem Lula, que está preso, Bolsonaro não tem uma estrutura de campanha predefinida e chega à convenção sem qualquer partido formalmente aliado --após acertos com PR e PRP para indicar o vice terem naufragado nos últimos dias.

    O presidenciável também tem contado com uma restrita lista de apoiadores de peso no país em prol do seu plano presidencial. O economista Paulo Guedes --cotado para ser o ministro da Fazenda caso seja eleito-- é um dos raros a trabalhar pelo capitão da reserva, numa relação que nasceu praticamente do acaso.

    No final do ano passado, segundo Guedes, o economista encontrou-se com Bolsonaro em uma sala reservada de um hotel no Rio de Janeiro. A reunião foi intermediada por um conhecido do economista que mora fora do país, a pedido de interlocutores do deputado.

    O pré-candidato do PSL disse que queria ajuda para lidar com assuntos econômicos, mas Guedes afirmou que na ocasião não poderia porque estava trabalhando para construir a candidatura do apresentador Luciano Huck, segundo relato do próprio economista à Reuters.

    O deputado pediu-lhe que, se Huck desistisse, poderia ajudá-lo nessa área. A falta de preparo econômico é uma das críticas feitas ao pré-candidato do PSL.

    Recebeu um sim dele e, com a saída do páreo do apresentador uma semana depois, Guedes --economista com Ph.D. na Universidade de Chicago, considerado um templo mundial do liberalismo- virou o conselheiro de Bolsonaro, que historicamente defendeu a presença firme do Estado.

    'Gostei do Paulo, veio no quartel-general do inimigo e falou a verdade', disse Bolsonaro ao final daquele encontro no hotel, segundo relato feito por Guedes.

    Em tom humilde, o pré-candidato tem dito que 'não entende' de economia, mas tem se reunido duas vezes ao mês com Guedes, além das habituais trocas de mensagens por WhatsApp com seu conselheiro.

    “Não posso ser acusado de mergulhar o Brasil nessa situação de quase insolvência por não entender do assunto, o presidente é um técnico, não vai jogar bola, não vai entrar em campo, tem que ter discernimento, humildade e força para buscar soluções para os problemas', disse Bolsonaro, em sabatina no início de julho.

    SEGURANÇA

    A parte mais evidente das ideias de Bolsonaro está na segurança pública, quando faz um enfático discurso em defesa da possibilidade de o cidadão ter direito ao porte de armas para combater a violência.

    Na relação com o Congresso, mesmo filiado a um partido que hoje tem apenas oito deputados e nenhum senador, advoga o apoio das legendas a propostas de interesse do seu eventual governo por temas.

    O parlamentar disse que só não topa o apoio no Legislativo do que ele chama de 'extrema esquerda' --PT, PCdoB e PSOL. Nessa lógica, ele tem focado como alvo preferencial Lula.

    (eportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo)

    LER NOTICIA
    Placeholder - loading - Imagem da notícia PERFIL-Pavio curto, Ciro tem desafio de se controlar em 3ª tentativa de chegar à Presidência

    PERFIL-Pavio curto, Ciro tem desafio de se controlar em 3ª tentativa de chegar à Presidência

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Destemperado, impulsivo, um homem de opiniões firmes: seja qual for o adjetivo empregado, a fama de pavio curto acompanha o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, em toda sua vida pública, mas na terceira tentativa de chegar ao Planalto o ex-governador tem dito que tentará controlar o temperamento e exercitar a capacidade de diálogo que jura possuir.

    A fama não vem sem razão. Aos 60 anos, Ciro já coleciona alguns episódios de irritação pública este ano sem nem mesmo a campanha começar. Na mais recente, chamou por um palavrão a promotora que decidiu investigá-lo por injúria racial depois que o candidato chamou o vereador paulistano Fernando Holliday (DEM) de 'capitãozinho do mato'.

    'Ciro é reativo. Diante de uma provocação ele reage. E ele sempre reage num tom acima', admite Cid Gomes, o irmão mais tranquilo do candidato, coordenador da campanha e escalado para tentar domar o temperamento de Ciro.

    Primogênito de uma família de cinco irmãos, Ciro nasceu em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, terra de sua mãe, Maria José, que fazia questão de estar junto da família para o nascimento dos filhos. No entanto, é paulista apenas na certidão.

    Foi criado em Sobral (CE), a 230 quilômetros de Fortaleza, terra do clã dos Gomes há mais de cem anos, onde o pai, o defensor público José Euclides Ferreira Gomes Júnior, foi prefeito no início da década de 1980.

    Advogado, Ciro conquistou seu primeiro mandato legislativo em 1982, ao ser eleito deputado estadual pelo PDS, partido ao qual seu pai era filiado. Embora a legenda desse sustentação à ditadura militar, Ciro fez uma campanha independente, para no ano seguinte ingressar no PMDB, de oposição ao regime.

    Desde então, já foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, deputado federal e ministro da Integração Nacional no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

    Também está no sétimo partido --além de PDS e PMDB, foi do PSDB no início do partido, do PPS, PSB, Pros, até chegar agora ao PDT. Ao longo do tempo, foi indo mais para a esquerda, mas diz que não são suas ideias que mudaram, mas os partidos que mudam ao chegar ao poder.

    'É fato, é uma tragédia a minha vida partidária', reconheceu Ciro em entrevista durante evento da revista Piauí e da GloboNews em 2016. 'Qual político brasileiro da minha estrada não mudou (de partido)? De mim, o que quer se observar? Que eu sou um cara inconstante? Não. Eu penso que eu tenho uma constância. Eu ajudo a fazer o partido, e os partidos vão ao poder e chegam lá e fazem o oposto do que disseram ou, e, se corrompem, podremente', justificou.

    O presidente do PDT, Carlos Lupi, defende a trajetória do candidato de seu partido. 'Ele é um homem de palavra. Ele não tem um discurso para cada plateia. Ele tem uma posição e é definida. Isso me agrada, ele não dança conforme a música.'

    A aproximação com o PDT, segundo Lupi, não é de agora, mas de 2002, quando o partido apoiou Ciro na eleição presidencial, na época pelo PPS.

    'Brizola gostava muito dele, o achava muito preparado. Foi ali que começou a aproximação', afirmou Lupi.

    'Preparado', 'inteligente', são outros adjetivos frequentemente associados ao candidato do PDT, junto com o tradicional 'pavio curto' e 'temperamental'. Mesmo adversários políticos reconhecem a capacidade de Ciro.

    'São todos muito inteligentes, mas são difíceis, são diferentes', disse um adversário, referindo-se aos irmãos Gomes. 'Ciro é inteligentíssimo, brilhante, mas temperamental. Na terceira pergunta que não gosta, ele explode.'

    Um outro adversário, não tão incisivo, lembra que as respostas agressivas de Ciro podem lhe prejudicar seriamente nas campanhas.

    'É um cara preparado, uma pessoa bem intencionada, mas tem um problema permanente que é esse temperamento irascível. Ele pode em poucos dias jogar uma campanha inteira fora', disse.

    A referência não é à toa. Em 2002, candidato pelo PPS, ao ser questionado por uma jornalista qual era o papel da então esposa, a atriz Patrícia Pillar, em sua campanha, disse que era o mais importante de todos: dormir com ele.

    A resposta atravessada causou imenso constrangimento, foi criticado por mulheres em todo país e assunto por muito tempo. Mesmo com Patrícia Pillar saindo em defesa do marido, muitos atribuem o quarto lugar no primeiro turno daquela eleição --atrás de Lula, José Serra (PSDB) e Anthony Garotinho (PSB)-- à frase, que teria interrompido sua ascensão na campanha.

    'Ciro ainda se indigna com as coisas. Ele não aceita provocação, é o jeito dele. Será que ele está errado?', questionou Cid, defendendo que hoje as pessoas querem 'sinceridade'.

    'Ele é conhecido pela franqueza, pela sinceridade. É um perfil desejado hoje, eu acho. Ele já disse que está atrás de confiança, não de simpatia.'

    Irmão mais novo, governador por dois mandatos no Ceará e ex-ministro da Educação no governo de Dilma Rousseff, Cid é tido como bom negociador e capaz de controlar as reações de Ciro, função que assumiu na campanha, além da coordenação em si.

    'Eu tenho dito para ele não falar palavrão em público, em respeito às pessoas. Hoje não existe mais privacidade, em todo lugar tem uma câmera', disse Cid, ao comentar o caso mais recente, em que Ciro xingou a procuradora que determinou inquérito por injúria racial. Ao lançar o impropério, referiu--se a um procurador, aparentemente sem saber que se tratava de uma mulher.

    CLÃ DOS GOMES

    Ciro é hoje o nome mais forte do clã dos Gomes e recebe o investimento político da família. A avaliação é de que Cid teria uma eleição garantida para o Senado no Ceará, mas ainda não decidiu se vai concorrer, porque tem se concentrado na campanha do irmão.

    A política corre no sangue dos Gomes. Os filhos de José Euclides foram além do que o pai prefeito de Sobral imaginara. Apenas Lúcio não concorreu a cargos eletivos, mas é secretário do governo de Camilo Santana (PT) no Ceará.

    Ivo, o caçula, hoje prefeito de Sobral, foi deputado estadual, secretário municipal e estadual nos mandatos do irmão Cid. A irmã, Lia, decidiu que tentará este ano se eleger deputada estadual, seguindo o caminho dos irmãos --contra a vontade da família, segundo Cid.

    O clã dos Gomes é tratado no Ceará como uma oligarquia política e muitas vezes são comparados a outros famílias, como os Magalhães, na Bahia.

    'É uma coisa que, claro, incomoda. Nos faz parecer algo que não somos', disse Cid. 'Nós não temos poder econômico, não temos rede de comunicação. Somos todos de classe média, não é nossa história.'

    LER NOTICIA

    Fique por dentro

    de tudo o que acontece nos bastidores do mundo da música, desde lançamentos, shows, homenagens, parcerias e curiosidades sobre o seu artista favorito. A vinda de artistas ao Brasil, cantores e bandas confirmadas no Lollapalooza e no Rock in Rio, ações beneficentes, novos álbuns, singles e clipes. Além disso, você acompanha conosco a cobertura das principais premiações do mundo como o Oscar, Grammy Awards, BRIT Awards, American Music Awards e Billboard Music Awards. Leia as novidades sobre Phil Collins, Coldplay, U2, Jamiroquai, Tears for Fears, Céline Dion, Ed Sheeran, A-ha, Shania Twain, Culture Club, Spice Girls, entre outros. Aproveite também e ouça esses e outros artistas no aplicativo da Rádio Antena 1, baixe na Apple Store ou Google Play e fique sintonizado.

    1. Home
    2. /
    3. noticias
    4. /
    5. tags
    6. /
    7. perfil
    8. /

    Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.