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    Repórteres da Reuters recorrem de condenação por violação de segredos de Estado em Mianmar

    YANGON (Reuters) - Os advogados de dois repórteres da Reuters condenados a 7 anos de prisão em Mianmar entraram com um recurso nesta segunda-feira contra a condenação por acusação de violação da Lei de Segredos Oficiais do país.

    O recurso cita indícios de uma armadilha da polícia e a falta de provas de um crime.

    'Apresentamos um recurso... porque o veredicto do tribunal de julgamento foi errado', disse o presidente e editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, em um comunicado. 'Ao condená-los como espiões, este ignorou indícios eloquentes de uma armadilha da polícia, violações graves do devido processo legal e a incapacidade da acusação de provar qualquer um dos elementos centrais do crime'.

    Ele acrescentou que a corte transferiu o ônus da prova da acusação para os repórteres da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, e pediu que Mianmar 'confirme sua alegada dedicação ao Estado de Direito, à liberdade de imprensa e à democracia ordenando a libertação de nossos colegas'.

    Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram considerados culpados em setembro depois de um julgamento em um tribunal do distrito de Yangon, em um caso histórico que provocou dúvidas sobre o progresso de Mianmar rumo à democracia e causou revolta em diplomatas e defensores dos direitos humanos.

    No mesmo mês a líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, disse que a prisão dos repórteres não tem relação com a liberdade de expressão. Na semana posterior à condenação ela disse que os repórteres foram condenados por lidarem com segredos oficiais e que 'não foram presos por serem jornalistas'.

    O porta-voz do governo, Zaw Htay, não quis comentar o recurso da defesa.

    Os advogados de defesa apresentaram o recurso na manhã desta segunda-feira à Alta Corte, sediada em Yangon. Se esta aceitá-la, um juiz de apelações acolherá argumentos escritos e orais da acusação e dos advogados de defesa e depois pronunciará uma decisão.

    Antes de serem presos os repórteres investigavam os assassinatos de dez meninos e homens rohingyas cometidos por forças de segurança e budistas locais do Estado de Rakhine durante uma operação repressiva do Exército que começou em agosto do ano passado. A operação levou mais de 700 mil pessoas a fugirem para Bangladesh.

    Durante oito meses de audiências, Wa Lone e Kyaw Soe Oo declararam que dois policiais que não haviam encontrado antes lhes entregaram papéis enrolados em um jornal durante um encontro em um restaurante de Yangon no dia 12 de dezembro e que praticamente em seguida foram lançados por policiais à paisana em um carro.

    No dia 1º de fevereiro uma testemunha da polícia disse que as informações constantes nos documentos já havia sido publicada em jornais, e em abril uma testemunha da acusação disse que um policial de alto escalão ordenou a subordinados que plantassem documentos em Wa Lone para 'incriminá-lo'.

    (Por Antoni Slodkowski)

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    Líder de Mianmar Suu Kyi defende condenação de repórteres da Reuters

    HANÓI (Reuters) - A líder do governo de Mianmar, Aung San Suu Kyi, disse nesta quinta-feira que os dois repórteres da Reuters presos no país podem recorrer da condenação de 7 anos de prisão, e que o julgamento deles não teve qualquer relação com a liberdade de expressão.

    Questionada sobre como se sentia prendendo jornalistas como uma líder democrática, Suu Kyi disse: 'Eles não foram presos porque são jornalistas, eles foram presos porque... o tribunal decidiu que eles violaram a Lei de Segredos Oficiais'.

    Suu Kyi se pronunciou durante o Fórum Econômico Mundial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Hanói, no Vietnã, respondendo a uma pergunta do mediador que questionou se ela se sentia confortável com a prisão dos repórteres.

    Os jornalistas Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram considerados culpados de violar uma lei sobre segredos oficiais e condenados no início deste mês, em um caso marcante visto como um teste para o progresso democrático em Mianmar.

    Sua prisão desencadeou grande indignação internacional, incluindo um pedido do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, por sua libertação.

    'Me pergunto se muitas pessoas realmente leram o resumo do julgamento, que não teve nenhuma relação com liberdade de expressão, teve relação com a Lei de Segredos Oficiais', disse Suu Kyi.

    'Se acreditamos no Estado de Direito, eles têm todo o direito de recorrer do julgamento e de apontar porque o julgamento foi errado', acrescentou.

    (Reportagem de James Pearson, Mai Nguyen e Khanh Vu, em Hanói, e Simon Lewis, em Yangon)

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    Mídia e ativistas de Mianmar criticam condenação de repórteres da Reuters

    Por Shoon Naing e Thu Thu Aung

    YANGON (Reuters) - Vários veículos de comunicação de Mianmar e dezenas de grupos da sociedade civil denunciaram a condenação de dois repórteres da Reuters a 7 anos prisão com base na Lei de Segredos Oficiais, e disseram que a sentença foi um ataque ao direito de liberdade de informação no país do sudeste asiático.

    Na segunda-feira, um tribunal de Mianmar considerou os dois jornalistas culpados, em um caso histórico visto como um teste do progresso democrático de Mianmar, que foi governado por uma junta militar até 2011.

    Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, investigavam o massacre de moradores de um vilarejo pertencentes à minoria muçulmana rohingya cometido por forças de segurança e civis quando foram presos, em dezembro, e se declararam inocentes.

    O jornal 7 Day Daily, um dos mais lidos do país, imprimiu um bloco negro em sua primeira página nesta terça-feira e um editorial intitulado 'Um dia triste para Mianmar'.

    O jornal, de propriedade privada, disse que as penas 'acabam com a esperança de que o governo atual valorizará e respeitará a liberdade de imprensa', acrescentando que o governo ganhou a reputação de oprimir a mídia, como governos militares anteriores.

    'Todos precisam estar cientes de que a democracia não sobreviverá em uma idade das trevas da informação', afirmou.

    Mianmar aboliu a censura direta da mídia em 2012 como parte das reformas de um regime parcialmente civil que levaram a eleições vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2015.

    Não foi possível contatar o porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, para obter comentários sobre o veredicto nem na segunda-feira nem nesta terça-feira.

    O vice-ministro da Informação, Aung Hla Tun, rejeitou a insinuação de que o veredicto foi um golpe na liberdade de imprensa, mas admitiu que algumas leis 'não são amistosas' com a mídia, inclusive a Lei de Segredos Oficiais que justificou a condenação dos dois repórteres.

    'Esta legislação não foi aprovada por este governo, nós a herdamos', disse ele à Reuters. 'Estamos tentando rever as leis. Algumas serão abolidas, se necessário, e outras emendadas'.

    Kyaw Zwa Moe, um editor da revista de notícias online Irrawaddy, disse que Suu Kyi e o presidente Win Myint têm que entender que o caso diz respeito ao direito das pessoas à informação.

    O jornal Mianmar Times, também de propriedade privada, publicou uma foto em preto e branco de página inteira de Kyaw Soe Oo algemado e cercado de repórteres ao deixar a corte, dizendo que o veredicto foi 'um golpe na liberdade de imprensa'.

    Já o jornal estatal Global New Light of Mianmar noticiou os fatos do veredicto em quatro parágrafos em uma página interna, sem mencionar nenhuma crítica à decisão, mas observando que a defesa pode recorrer.

    (Reportagem adicional de Simon Lewis e Antoni Slodkowski)

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    Repórteres da Reuters são condenados a 7 anos de prisão em Mianmar

    Por Simon Lewis e Thu Thu Aung

    YANGON (Reuters) - Um juiz de Mianmar considerou dois repórteres da Reuters culpados de violarem uma lei sobre segredos de Estado e os condenou a 7 anos de prisão nesta segunda-feira, em um caso visto como um teste para o progresso democrático no país do sudeste asiático.

    O juiz Ye Lwin, do distrito de Yangon, disse que Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, violaram a Lei de Segredos Oficiais, que data da era colonial do país, quando coletaram e obtiveram documentos confidenciais.

    'Os réus... violaram a seção 3.1 da Lei de Segredos Oficiais e estão condenados a 7 anos', disse o juiz, acrescentando que o tempo que os repórteres já passaram na prisão desde que foram detidos no dia 12 de dezembro será levado em consideração.

    Os advogados de defesa podem recorrer ao tribunal regional e depois à Suprema Corte.

    Os dois repórteres haviam se declarado inocentes e dito à corte que a polícia plantou documentos durante sua cobertura jornalística sobre a violência no Estado de Rakhine.

    Defensores da liberdade de imprensa, a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia e países incluindo Estados Unidos, Canadá e Austrália haviam pedido a absolvição dos jornalistas.

    'Hoje é um dia triste para Mianmar, para os jornalistas da Reuters Wa Lone e Kyaw Soe Oo e para a imprensa de todas as partes', disse o editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, em um comunicado.

    'Não esperaremos enquanto Wa Lone e Kyaw Soe Oo sofrem esta injustiça e avaliaremos como proceder nos próximos dias, inclusive se buscaremos socorro em um fórum internacional', acrescentou.

    Os repórteres disseram ao tribunal que dois policiais lhes entregaram documentos em um restaurante na cidade de Yangon momentos antes de outros agentes chegarem para prendê-los.

    Uma testemunha da polícia afirmou que o encontro no restaurante foi uma cilada para prender os jornalistas de forma a impedi-los ou puni-los por sua cobertura de um massacre de muçulmanos rohingyas em Rakhine.

    Ao menos 50 pessoas lotaram a sala da pequena corte nesta segunda-feira, e muitas ficaram do lado de fora. O juiz Ye Lwin leu um sumário de depoimentos de testemunhas durante cerca de uma hora antes de pronunciar seu veredicto.

    Ele disse que se descobriu que 'documentos confidenciais' encontrados com os dois réus teriam sido úteis 'para inimigos do Estado e organizações terroristas'. Os documentos em sua posse e em seus celulares 'não são informação pública'.

    'NÃO TEMO NADA'

    Vários repórteres tomaram nota chorando quando o juiz emitiu sua decisão.

    Chit Su Win, esposa de Kyaw Soe Oo, irrompeu em lágrimas depois do veredicto, e familiares tiveram que ampará-la enquanto ela deixava o recinto.

    Wa Lone trocou apertos de mão com apoiadores, dizendo-lhes para não se preocuparem. Usando algemas e escoltado por policiais, ele se dirigiu a um aglomerado de amigos e repórteres.

    'Sabemos o que fizemos. Sabemos que não fizemos nada errado. Não temo nada. Acredito na justiça, democracia e liberdade', disse.

    Kyaw Soe Oo também disse a repórteres que não cometeu nenhum crime e que ambos manterão sua luta pela liberdade de imprensa.

    'O que eu quero dizer a este governo é: vocês podem nos colocar na prisão, mas não tapem os olhos e ouvidos do povo'.

    ((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

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    Veredicto de repórteres da Reuters é adiado à medida que pressão aumenta sobre Mianmar

    Por Antoni Slodkowski

    YANGON (Reuters) - O veredicto do julgamento de dois repórteres da Reuters presos em Mianmar acusados de violarem a Lei de Segredos Oficiais do país foi adiado desta segunda-feira para o dia 3 de setembro porque o juiz responsável pelo caso está doente, disse uma autoridade do tribunal.

    Diversos repórteres e diplomatas haviam se reunido no tribunal de Yangon para ouvir o veredicto dos jornalistas Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, após oito meses de audiências em um caso que passou a ser visto como um teste para o progresso democrático no país do sudeste asiático.

    'Estamos decepcionados em não ter recebido a decisão do juiz hoje', disse a Reuters em comunicado.

    'Wa Lone e Kyaw Soe Oo já passaram mais de oito meses na prisão com base em acusações de um crime que não cometeram. Estamos ansiosos para receber o veredicto na próxima semana, quando temos muita esperança que eles serão inocentados e reunidos com suas famílias'.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, não pôde ser encontrado de imediato para comentar o adiamento do veredicto.

    O ápice do caso acontece em um momento de crescente pressão sobre o governo da ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi devido a uma repressão no Estado de Rakhine, desencadeada por ataques militantes em agosto de 2017.

    Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram em relatório divulgado nesta segunda-feira que militares de Mianmar realizaram massacres e estupros coletivos de muçulmanos rohingyas com 'intenção genocida', e que o comandante-chefe do país e cinco generais deveriam ser processados.

    'Não estamos assustados ou abalados. A verdade está do nosso lado. Qualquer que seja a situação, não ficaremos abalados. Eles não podem nos enfraquecer', disse Wa Lone a repórteres após a breve audiência desta segunda-feira.

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    Repórteres da Reuters 'revelam a verdade', diz ex-professor a tribunal de Mianmar

    Por Shoon Naing e Aye Min Thant

    YANGON (Reuters) - Um tribunal de Mianmar ouviu nesta segunda-feira testemunhas de defesa que atestaram a integridade de dois jornalistas da Reuters acusados de obter documentos secretos de Estado, e ouvirá os argumentos finais dentro de duas semanas, quando o julgamento considerado um teste para a liberdade de imprensa do país for retomado.

    Kyaw Soe Oo, de 28 anos, e Wa Lone, de 32 anos, podem receber uma pena máxima de 14 anos de prisão por supostamente violarem a Lei de Segredos Oficiais da era colonial de Mianmar. Os dois se declararam inocentes das acusações e disseram ao tribunal que foram 'incriminados' por policiais que plantaram documentos.

    Durante a sessão desta segunda-feira, seu ex-professor Ye Naing Moe, diretor da Escola de Jornalismo de Yangon, elogiou os dois repórteres, dizendo terem sido estudantes curiosos e excelentes que receberam diversos prêmios por reportagens dedicadas aos desfavorecidos e a temas sociais.

    'Não vimos nenhuma reportagem escrita por eles que tenha violado a ética da mídia', disse ele, explicando que a instituição monitora o trabalho de seus ex-alunos.

    'Acredito que Wa Lone e Kyaw Soe Oo desempenharam o papel mais importante dos jornalistas, que é revelar a verdade', disse Ye Naing Moe. 'Encontrar defeitos e problemas e revelá-los de uma maneira positiva cria a chance de se consertar as coisas, e isso beneficia a sociedade e o país'.

    Uma segunda testemunha, Thant Zin Soe, trabalhou com Wa Lone em uma instituição de caridade que distribui ajuda humanitária a vítimas de desastres naturais, e o descreveu como sempre ético e 'enojado pela corrupção'.

    Na época em que foram presos, em dezembro, os jornalistas investigavam os assassinatos de 10 homens e meninos muçulmanos rohingyas em um vilarejo de Rakhine, Estado do oeste de Mianmar.

    Os assassinatos ocorreram durante uma operação repressiva do Exército que agências da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram ter levado quase 700 mil pessoas a fugirem para Bangladesh.

    O procurador Moe Thu Aung perguntou às testemunhas se teriam como conhecer as intenções dos réus enquanto estavam trabalhando e se acreditam que eles poderiam ter se comportado de maneira antiética. Ele não quis falar após os procedimentos.

    O julgamento vem atraindo a atenção de todo o mundo e passou a ser visto como um teste da liberdade de imprensa e das reformas na democracia emergente de Mianmar, onde os militares ainda têm uma influência considerável.

    O porta-voz do governo, Zaw Htay, disse à Reuters que as cortes do país são independentes e que o caso será conduzido de acordo com a lei. Ele ainda disse que 'eles terão a proteção total de seus direitos como cidadãos'.

    (Reportagem adicional de Thu Thu Aung)

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    Tribunal de Mianmar acusa repórteres da Reuters de violação de segredos de Estado

    Por Antoni Slodkowski e Shoon Naing

    YANGON (Reuters) - Um tribunal de Mianmar acusou dois jornalistas da Reuters presos de obterem documentos de Estado secretos nesta segunda-feira, encaminhando o caso emblemático sobre a liberdade de imprensa a julgamento depois de seis meses de audiências preliminares.

    O juiz distrital de Yangon, Ye Lwin, acusou os repórteres Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, de violarem a Lei de Segredos Oficiais da era colonial, que implica em uma pena máxima de 14 anos de prisão.

    Os dois jornalistas se declararam inocentes das acusações, dizendo ao juiz que seguiram a ética jornalística .

    Falando aos repórteres após a decisão, Wa Lone disse que ele e Kyaw Soe Oo não cometeram nenhum crime e que deporão para provar sua inocência no tribunal.

    Embora tenhamos sido acusados, não somos culpados , afirmou, algemado, enquanto agentes o escoltavam até um camburão. Não recuaremos, desistiremos ou seremos abalados por isto.

    O procurador-chefe, Kyaw Min Aung, deixou a corte antes de os repórteres terem chance de lhe fazer perguntas.

    O caso atraiu atenção global. Alguns diplomatas e grupos de direitos humanos ocidentais dizem se tratar de um teste do progresso rumo à democracia plena sob o comando da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi em um país no qual os militares ainda têm uma influência considerável.

    A embaixada dos Estados Unidos em Yangon disse estar profundamente decepcionada com o veredicto.

    As autoridades de Mianmar deveriam permitir que os jornalistas voltem aos seus trabalhos e às suas famílias , disse a embaixada no Facebook. A decisão de hoje é um retrocesso para a liberdade de imprensa e o Estado de Direito em Mianmar.

    O presidente e editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, qualificou o caso contra os repórteres como infundado .

    Estes jornalistas da Reuters estavam fazendo seu trabalho de uma maneira independente e imparcial, e não existem fatos ou provas que indiquem que fizeram qualquer coisa errada ou que tenham violado alguma lei , disse ele em um comunicado.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, não respondeu a perguntas solicitando comentários após o veredicto desta segunda-feira. Ele se recusou a comentar no decorrer dos procedimentos, dizendo que as cortes de Mianmar são independentes e que o caso será tratado de acordo com a lei.

    (Reportagem adicional de Simon Lewis, Kanupriya Kapoor e Aye Min Thant)

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    Tribunal de Mianmar decidirá na próxima semana sobre acusação contra repórteres da Reuters

    Por Shoon Naing e Antoni Slodkowski

    YANGON (Reuters) - Um tribunal de Mianmar decidirá na próxima semana se aceitará a denúncia contra dois repórteres da Reuters acusados de obter documentos secretos, depois que a promotoria e a defesa apresentaram seus argumentos finais nesta segunda-feira na fase pré-julgamento do caso histórico.

    A corte de Yangon está realizando audiências desde janeiro para decidir se Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, enfrentarão acusações formais ligadas à Lei de Segredos Oficiais da era colonial, que implica em uma pena máxima de 14 anos de prisão.

    À época de sua prisão, em dezembro, os repórteres investigavam os assassinatos de 10 homens e meninos muçulmanos rohingyas em um vilarejo de Rakhine, Estado do oeste de Mianmar. As mortes ocorreram durante uma operação militar repressiva que agências da ONU disseram ter levado mais de 700 mil rohingyas a fugirem para o vizinho Bangladesh.

    Os advogados de defesa pediram ao juiz que rejeite o caso, argumentando que a acusação foi incapaz de oferecer provas suficientes para embasar as acusações. Eles disseram que os repórteres foram presos em uma cilada da polícia que almejava impedir sua reportagem.

    Os jornalistas Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram vítimas de um esquema orquestrado por alguns membros das forças de segurança para detê-los e silenciar uma reportagem verídica. Sua prisão de seis meses é um abuso da justiça em andamento que viola o comprometimento declarado de Mianmar com o Estado de Direito , disse o advogado de defesa Khin Maung Zaw ao juiz Ye Lwin.

    Khin Maung Zaw disse que a acusação nem demonstrou como os supostos documentos foram parar nas mãos dos repórteres nem como eles representam uma ameaça à segurança nacional do país.

    A acusação tampouco identificou o inimigo que os repórteres supostamente tentavam apoiar, disse ele. As informações nos documentos já haviam vindo a público, e por isso não eram secretas, afirmou.

    O procurador-chefe, Kyaw Min Aung, instou o juiz a acusar os repórteres. Ele disse que os documentos encontrados com eles diziam respeito à movimentação das forças de segurança, e que aqueles encontrados em seus celulares variavam de confidencias a ultrassecretos.

    As informações nos documentos poderiam ser usadas para se atacar as forças de segurança de Mianmar, e os repórteres sabiam disso melhor do que outras pessoas , sustentou Kyaw Min Aung.

    O juiz Ye Lwin disse que anunciará seu veredicto na próxima audiência de 9 de julho.

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    Policial de Mianmar envolvido em caso de repórteres da Reuters violou código ao copiar depoimentos, diz defesa

    Por Thu Thu Aung e Poppy Elena McPherson

    YANGON (Reuters) - Um policial que é testemunha no processo contra dois repórteres da Reuters acusados de possuírem segredos de Estado de Mianmar não é confiável, uma vez que obteve depoimentos de testemunhas anteriores, violando o código da polícia, disse o advogado de defesa dos jornalistas nesta segunda-feira.

    O major da polícia Tin Win Maung, que é testemunha da acusação, disse ao tribunal que solicitou cópias dos depoimentos dados por todas as outras testemunhas.

    A corte de Yangon deve ouvir os argumentos das duas partes em 2 de junho para decidir se Wa Lone, de 32 anos, e seu colega da Reuters Kyaw Soe Oo, de 28 anos, serão acusados de acordo com a Lei de Segredos Oficiais, que acarreta uma pena máxima de 14 anos de prisão.

    As audiências pré-julgamento, iniciadas em janeiro, terminaram nesta segunda-feira, quando a procuradoria apresentou sua última testemunha.

    Durante o questionamento, Tin Win Maung disse ter copiado os depoimentos porque queria saber mais sobre o caso , já que é uma das autoridades mais graduadas envolvidas.

    O advogado de defesa Khin Maung Zaw disse que as ações do policial não são ilegais, mas que violam uma cláusula do Manual de Polícia, uma série de regras sobre o comportamento da polícia.

    Ele não é confiável porque violou estes regulamentos policiais , disse ele à Reuters. A suposta testemunha não deve saber o que as testemunhas anteriores disseram porque irá se preparar de acordo com os depoimentos das testemunhas anteriores .

    O código diz que, quando um policial é testemunha em um caso, não estará presente no tribunal enquanto o inquérito ou julgamento estiver transcorrendo , senão o magistrado pode objetar às suas provas com a justificativa de que ele ouviu o que todas as outras testemunhas disseram, e naturalmente adaptará os detalhes de sua narrativa aos delas .

    O procurador Kyaw Min Aung não quis comentar. O porta-voz da polícia, Myo Thu Soe, não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, não estava disponível de imediato para comentar depois da audiência desta segunda-feira, mas havia dito que os tribunais do país são independentes e que o caso será conduzido de acordo com a lei.

    Também nesta segunda-feira, advogados de defesa disseram que a acusação não conseguiu demonstrar como os supostos documentos foram parar nas mãos dos repórteres.

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    Repórteres da Reuters dizem ter sido privados de sono durante detenção em Mianmar

    Por Thu Thu Aung e Yimou Lee

    YANGON (Reuters) - Dois repórteres da Reuters acusados em Mianmar de possuir documentos secretos foram submetidos à privação de sono e perguntados se eram espiões durante interrogatórios da polícia, apontaram os advogados de defesa durante perguntas destinadas a uma testemunha policial.

    Ao questionar o capitão de polícia Myint Lwin em um tribunal de Yangon, o advogado de defesa Than Zaw Aung perguntou se ele sabia que os dois repórteres não foram autorizados a dormir por três dias consecutivos durante a investigação inicial da polícia após sua detenção em 12 de dezembro. 

    Ele também perguntou à testemunha se o repórter Kyaw Soe Oo foi forçado a se ajoelhar no chão por mais de três horas durante o interrogatório dos investigadores. 

    No caso que se tornou um marco para a liberdade de imprensa, o tribunal em Yangon promove audiências desde janeiro para decidir se Kyaw Soe Oo, de 28 anos, e seu colega da Reuters Wa Lone, de 32 anos, serão acusados sob o Ato de Segredos Oficiais, da era colonial do país. As ofensas podem chegar a uma pena de 14 anos na prisão. 

    O capitão Myint Lwin, oficial no comando da delegacia de polícia em Yangon que conduziu as investigações preliminares depois que a dupla foi presa, negou que os repórteres foram privados de sono ou obrigados a se ajoelhar, dizendo que policiais não são autorizados a fazer tais coisas sob seu comando. 

    Ele também negou que os repórteres tenham sido enviados a um local especial de interrogatório depois de suas prisões, dizendo que eles ficaram detidos na delegacia de polícia no norte de Yangon até que sua equipe finalizasse a investigação preliminar e passasse o caso para uma unidade de investigação criminal no dia 26 de dezembro.

    (Reportagem de Thu Thu Aung, Yimou Lee, Aye Min Thant e Poppy Elena McPherson)

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