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Taxas dos DIs caem mais de 50 pontos-base com cessar-fogo entre EUA e Irã

Taxas dos DIs caem mais de 50 pontos-base com cessar-fogo entre EUA e Irã

Reuters

08/04/2026

Placeholder - loading - Notas de 200 reais retratadas em Brasília, Brasil, em 2 de setembro de 2020. REUTERS/Adriano Machado
Notas de 200 reais retratadas em Brasília, Brasil, em 2 de setembro de 2020. REUTERS/Adriano Machado

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 8 Abr (Reuters) - As ​taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) abriram a quarta-feira com fortes baixas, superiores a 50 pontos-base em alguns vencimentos, acompanhando o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior após os EUA anunciarem um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, prevendo a reabertura do Estreito de Ormuz.

Com o petróleo tipo Brent despencando cerca de 16%, às 10h40 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,42%, em baixa de 52 pontos-base ante o ajuste de 13,935% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,615%, em queda de 31 pontos-base ante 13,926%.

Na noite de terça-feira, ⁠menos de duas ⁠horas antes do fim do prazo final ​para um ‌acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, sujeito à suspensão do bloqueio de transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse em um comunicado que Teerã vai interromper ⁠os contra-ataques e fornecer uma passagem segura por Ormuz.

A expectativa de que o transporte ​de petróleo e gás possa ser normalizado fez o petróleo tipo Brent despencar perto de ​16%, para a faixa dos US$90 o barril, reduzindo os ‌temores quanto aos impactos inflacionários ​da ⁠guerra ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, investidores foram em busca de ativos de maior risco, como ações, moedas e títulos de países emergentes.

Na renda fixa brasileira, isso se traduziu na forte retirada de prêmios na ​curva de DIs, em especial nos contratos para janeiro de 2028 e janeiro de 2029, dois dos mais líquidos.

Durante evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, fez menção ao forte movimento de retirada de prêmios nesta manhã, mas disse não ​estar convencido de que o choque trazido pela guerra se resolveu.

'Pareceu fácil ao Irã fechar o Estreito de Ormuz', disse David. 'Não tenho capacidade de dizer que isso está resolvido', acrescentou, repetindo em diversos momentos que o nível de incerteza segue elevado.

Ao tratar da política monetária, David disse que o nível da taxa Selic tem hoje “mais gordura” do que tinha há seis meses, mas indicou que a guerra no Oriente Médio atua no sentido contrário a essa folga nos juros, ao promover um choque relevante nos preços.

'O nível ​de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente que esse evento do conflito ‌vai do outro lado, porque ele está dando ⁠um choque de preços relevante que tem chances reais de ter efeitos de segunda ordem', afirmou, reforçando que a autarquia não pode 'baixar a guarda'.

No exterior, o acordo de cessar-fogo também promovia uma redução ⁠firme dos prêmios na curva norte-americana. Às 10h40, o rendimento do ⁠Treasury de dez anos --referência global para decisões de ⁠investimento-- caía 8 pontos-base, ⁠a ​4,26%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 10h40 desta quarta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,89 14,256 -0,366

JAN/28 13,42 13,935 -0,515

JAN/29 13,335 13,823 -0,488

JAN/30 13,415 13,852 -0,437

JAN/31 13,485 13,882 -0,397

JAN/35 13,615 13,926 -0,311

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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