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Taxas dos DIs têm altas firmes com BC cauteloso na ata e novos ataques do Irã

Taxas dos DIs têm altas firmes com BC cauteloso na ata e novos ataques do Irã

Reuters

24/03/2026

Placeholder - loading - Notas de 200 reais 02/09/2020. REUTERS/Adriano Machado
Notas de 200 reais 02/09/2020. REUTERS/Adriano Machado

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 24 Mar (Reuters) - As taxas dos ​DIs (Depósitos Interfinanceiros) operam em alta firme nesta manhã de terça-feira, após o Banco Central afirmar que depende de mais informações para definir o tamanho e a duração do ciclo de cortes da Selic, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries avançam em meio a novos ataques do Irã no Oriente Médio.

Às 9h49, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,93%, com alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,783% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,04%, com elevação de 20 pontos-base ante 13,842%.

Após cortar a Selic em 25 pontos-base na semana passada, ⁠para 14,75% ao ⁠ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do ​BC afirmou ‌na ata desta terça-feira que 'a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da taxa básica) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises'.

Segundo o BC, a estratégia de se manter dependente de dados é compatível com o cenário atual, marcado ⁠pela guerra de EUA e Israel contra o Irã e pela falta de clareza ​sobre a desaceleração da atividade econômica no Brasil.

Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve ​a divisão sobre o que o BC anunciará no fim ‌de abril: nova redução de ​25 pontos-base ⁠da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.

'Embora o documento sugira haver espaço para uma eventual aceleração dos cortes, a expectativa de que os conflitos ​no Oriente Médio se prolonguem sustenta, por ora, um cenário base de flexibilização em passos de 25 pontos-base', disse Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, em comentário escrito.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o BC preservou na ata uma postura cautelosa e dependente de dados.

'O mercado tende a ler ​a ata do mesmo modo que o comunicado, mais 'dove' (suave) perante a piora do cenário externo. Apostamos em corte de 50 pontos-base na reunião de abril', afirmou em comentário escrito.

Na B3, as opções de Copom revelavam na sexta-feira -- dado mais recente -- um mercado bastante dividido sobre a decisão de abril. As opções precificavam 35,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, 34,50% de chance de manutenção da Selic em 14,75% e 25,00% de possibilidade de corte de 50 pontos-base.

Por trás da divisão estão as dúvidas sobre o andamento da guerra ​e seus efeitos sobre os preços do petróleo, com consequências para a inflação dos países.

Após o presidente dos ‌EUA, Donald Trump, citar na segunda-feira conversas com ⁠o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país, as forças iranianas lançaram mísseis contra Israel nesta terça-feira e voltaram a negar ter negociado com os norte-americanos.

Em reação, o petróleo tipo ⁠Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios ⁠dos investidores sobre os impactos inflacionários nos países, ⁠e os rendimentos dos ⁠Treasuries ​subiram.

Às 9h49, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- avançava 6 pontos-base, a 4,392%.

Reuters

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