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TECNOLOGIA PERMITE MONITORAR A ROTINA EM CASA SEM USAR CÂMERAS

Sistema desenvolvido por pesquisadores britânicos combina sensores discretos para reconhecer mudanças de movimento e hábitos que podem indicar uma emergência ou perda de autonomia

Bruna Valle

09/10/2026

Placeholder - loading - Sistema experimental combina radar, sensores térmicos e tomadas inteligentes para reconhecer movimentos e mudanças na rotina
Sistema experimental combina radar, sensores térmicos e tomadas inteligentes para reconhecer movimentos e mudanças na rotina

Uma pessoa deixa de circular pela casa como de costume, passa tempo demais sem se movimentar ou muda repentinamente seus hábitos diários. Em vez de depender de uma câmera para observar o que acontece, uma tecnologia experimental tenta identificar esses sinais por meio de sensores instalados no ambiente.

Pesquisadores da Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, desenvolveram um sistema que combina radar, sensores térmicos e tomadas inteligentes para acompanhar atividades cotidianas. Com apoio de inteligência artificial, a proposta é reconhecer padrões de comportamento e apontar alterações que possam justificar uma verificação por familiares ou profissionais de cuidado.

A ideia é especialmente relevante para pessoas idosas que desejam continuar vivendo em suas próprias casas. O monitoramento poderia ajudar a identificar situações preocupantes sem exigir que o morador use relógios, pulseiras ou outros dispositivos junto ao corpo.

Cada sensor observa um aspecto diferente

O sistema reúne três fontes de informação. O radar detecta movimentos, enquanto os sensores térmicos ajudam a reconhecer posturas, como sentar, ficar em pé, caminhar ou permanecer deitado. Já as tomadas inteligentes registram padrões de utilização de aparelhos domésticos, oferecendo pistas sobre atividades como preparar uma bebida ou fazer comida.

A inteligência artificial combina esses dados para construir uma referência do comportamento habitual de cada pessoa. A partir dela, pode identificar situações fora do padrão, como um período incomum de inatividade ou uma mudança gradual na mobilidade.

O diferencial está na combinação das tecnologias. Cada uma oferece informações limitadas quando utilizada isoladamente, mas, juntas, podem proporcionar uma visão mais abrangente das atividades realizadas dentro de casa.

Radar, sensores térmicos e tomadas conectadas analisam diferentes sinais da rotina doméstica

Privacidade como parte do projeto

Um dos desafios desse tipo de tecnologia é acompanhar a rotina sem transformar a casa em um espaço de vigilância constante.

Os sensores térmicos utilizados no projeto trabalham com imagens de baixa resolução, suficientes para ajudar a identificar posições e movimentos, mas sem revelar detalhes do rosto. O radar, por sua vez, registra informações relacionadas ao movimento, e não imagens convencionais do ambiente.

Isso não significa que qualquer sistema de monitoramento esteja automaticamente livre de riscos à privacidade. Ainda é importante considerar quais dados são armazenados, quem pode acessá-los e como as informações são protegidas. Mesmo assim, a proposta mostra um caminho para desenvolver recursos de assistência doméstica que dependam menos da observação visual direta.

O que os testes já conseguiram demonstrar

A equipe avaliou o sistema em um ambiente interno preparado para simular uma residência. Os testes incluíram seis configurações de cômodos, com diferentes disposições de móveis, para verificar a capacidade dos sensores de reconhecer movimentos e posturas.

Os resultados indicaram que combinar as informações dos diferentes sensores melhorou o desempenho em comparação com o uso de tecnologias isoladas. O estudo foi publicado na revista científica Sensors.

É importante, porém, separar o que já foi demonstrado do que ainda é uma possibilidade. O experimento avaliou o reconhecimento de atividades em um cenário controlado; não comprovou que o sistema consiga detectar com segurança todas as quedas, os acidentes vasculares cerebrais ou os problemas cardíacos em situações reais. Também serão necessárias avaliações adicionais para entender como a tecnologia se comporta em casas ocupadas no dia a dia.

Tecnologia para prolongar a autonomia

Se evoluir para aplicações práticas, o sistema poderá funcionar como uma camada adicional de segurança para pessoas que vivem sozinhas. Ao identificar uma alteração importante, a tecnologia poderia avisar familiares ou profissionais responsáveis, permitindo que alguém verificasse a situação.

O objetivo não é substituir o acompanhamento humano nem o atendimento de emergência, mas oferecer informações que ajudem a perceber quando uma pessoa pode precisar de apoio.

A pesquisa aponta para uma possibilidade cada vez mais relevante: casas capazes de acompanhar sinais da rotina de maneira discreta, respeitando melhor a privacidade e ajudando a conciliar segurança, independência e qualidade de vida.

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