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    'Tempestade perfeita': pico de Covid-19 no Haiti pode coincidir com furacões

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    Yves Jean-Bart, presidente da Federação Haitiana de Futebol, deixa procuadoria após prestar depoimento em inquérito sobre suspeita de abuso sexual de jogadores jovens 14/05/2020 REUTERS/Jeanty Junior

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    Por Anastasia Moloney

    BOGOTÁ (Thomson Reuters Foundation) - Até o momento, o Haiti relatou menos de 20 mortes decorrentes do novo coronavírus, mas o estudante de medicina Johane Josema teme que o número baixo seja o que torna a Covid-19 tão perigosa na nação caribenha.

    'As pessoas precisam ver muitas mortes para acreditarem na pandemia. Elas dizem que a Covid não é um problema porque não há muitas', disse o estudante de 25 anos à Thomson Reuters Foundation.

    Jean 'Bill' Pape, médico e copresidente de uma comissão presidencial criada para combater a Covid-19, disse que as atitudes sociais e o estigma contra os doentes prejudicam os esforços para limitar sua disseminação.

    'Os haitianos não acreditam que esta doença é real e não estão adotando nenhuma precaução', disse Pape, acrescentando que 'a população não quer centros de tratamento da Covid-19 perto de suas zonas residenciais'.

    O Haiti, que tem 11 milhões de habitantes e é o país mais pobre das Américas, está enfrentando um 'tempestade perfeita', já que a pandemia chega em meio a uma série de outras crises, incluindo a temporada de furacões iminente, explicou Pape.

    A instabilidade política e distúrbios sociais provocaram protestos de rua violentos, e a nação está lutando contra o temor de uma piora econômica e uma inflação exacerbada pela seca deste ano.

    'Temos um país dividido em um momento no qual deveríamos estar todos unidos contra esta epidemia poderosa', disse Pape.

    O Haiti desenvolveu um plano nacional de reação à Covid-19 'muito bom', que inclui campanhas de conscientização pública, mas carece de fundos e de ajuda estrangeira para colocá-lo plenamente em ação, segundo Pape.

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo dos Estados Unidos anunciaram, respectivamente, 111 milhões de dólares e 16 milhões de dólares de fundos para ajudar o Haiti a administrar o surto e suas consequências financeiras.

    Médicos alertam que o sistema de saúde já frágil do país não conseguiria lidar com um grande surto de coronavírus, já que só tem 100 ventiladores e poucos leitos hospitalares.

    O pico previsto do coronavírus, que seria em junho, também coincide com o início da temporada anual de furacões, que vai até novembro.

    Mesmo antes disso, médicos alertam que a Covid-19 provavelmente se alastrará pelo Haiti.

    Imigrantes haitianos que trabalham na vizinha República Dominicana, muitas vezes como operários e cortadores de cana, estão voltando para casa por terem perdido o emprego devido ao isolamento do coronavírus e à retração econômica, e 'trarão a infecção para o país todo', disse Pape.

    Escrito por Reuters

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