TODO MUNDO ESTÁ MESMO USANDO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?
RELATÓRIO DA A16Z MOSTRA QUE A IA SE ESPALHOU RAPIDAMENTE PELAS GRANDES EMPRESAS, MAS SUA ADOÇÃO AINDA É POUCO PROFUNDA
João Carlos
05/10/2026
A inteligência artificial parece estar em todos os lugares. Mas até que ponto ela já se tornou realmente indispensável para empresas e consumidores?
Um novo levantamento da Andreessen Horowitz (a16z) ajuda a dimensionar essa questão. A empresa de capital de risco publicou o State of Markets II, relatório que reúne mais de 100 gráficos sobre tecnologia, mercados e o avanço da inteligência artificial.
Os números revelam uma diferença importante entre adotar uma tecnologia e incorporá-la profundamente ao negócio.
IA já chegou a 69% das empresas do S&P 500
Segundo os dados apresentados pela a16z, cerca de 69% das empresas que compõem o S&P 500 já possuem alguma implementação de inteligência artificial em funcionamento.
Mas esse percentual diminui consideravelmente quando a análise avança para os resultados: 30% reportam algum impacto quantificável da tecnologia e apenas 2% divulgam uma métrica de desempenho relacionada à IA que acompanham ao longo do tempo.
Isso não significa que somente 2% das empresas utilizem IA. Pelo contrário. O dado mostra que a adoção já é ampla, enquanto a capacidade de medir continuamente seu impacto ainda está concentrada em uma pequena parcela das companhias.
Uma enorme diferença nos investimentos
O relatório também revela como os gastos estão concentrados entre os usuários corporativos mais intensivos.
Considerando despesas com fornecedores de inteligência artificial, o gasto mediano das empresas que estão entre o 1% que mais investe é aproximadamente oito vezes superior ao das empresas que integram o grupo dos 10% maiores investidores.
A diferença fica ainda maior quando a comparação é feita com uma empresa mediana: o grupo do 1% que mais gasta desembolsa mais de 600 vezes esse valor.
Os números ajudam a mostrar que existe uma distância considerável entre experimentar ferramentas de IA e integrá-las de maneira profunda às operações de uma empresa.
Adoção ampla, mas ainda superficial
É justamente esse contraste que aparece como um dos pontos importantes do relatório. A inteligência artificial se espalhou rapidamente, mas sua adoção empresarial ainda pode ser descrita como ampla e pouco profunda.
O próximo estágio dessa transformação, portanto, não depende apenas de mais empresas começarem a usar IA. O desafio passa a ser incorporá-la a fluxos de trabalho recorrentes, medir seus resultados e determinar onde a tecnologia realmente gera valor.
O State of Markets II sugere que a corrida pela inteligência artificial entrou em uma nova fase: depois da rápida disseminação das ferramentas, o desafio agora é transformar IA em produtividade e resultados concretos. Em outras palavras, apesar de toda a evolução dos últimos anos, o uso efetivo da IA nas empresas está apenas começando.


