Tribunal do Equador declara culpado ex-presidente Lenín Moreno em caso de corrupção
Tribunal do Equador declara culpado ex-presidente Lenín Moreno em caso de corrupção
Reuters
28/08/2026
Atualizada em 28/08/2026
QUITO, 28 Ago (Reuters) - Um tribunal do Equador declarou a responsabilidade do ex-presidente Lenín Moreno como autor direto do crime de suborno, em um caso de corrupção relacionado à construção de uma usina hidrelétrica, informou nesta sexta-feira a Procuradoria do país.
Durante a investigação, Moreno, de 73 anos, membros de sua família e parceiros comerciais locais e chineses foram associados a uma rede de corrupção ligada à construção da usina Coca Codo Sinclair, que começou a operar em 2016 e vem enfrentando problemas técnicos desde então.
O tribunal determinou que Moreno, valendo-se de sua condição de vice-presidente na época, tomou medidas para garantir a adjudicação do contrato para a construção da usina hidrelétrica — a maior do país andino — à empresa chinesa Sinohydro.
“A conduta de Lenín Moreno Garcés se enquadra nos termos da acusação formulada pela Procuradoria, crime de suborno atribuído ao servidor público na qualidade de autor direto”, afirmou o juiz relator Manuel Cabrera, durante a leitura da sentença.
A Procuradoria afirma, em sua investigação, que Moreno, em sua função de vice-presidente entre 2007 e 2013, juntamente com membros de sua família e amigos teriam recebido mais de US$1 milhão em propinas, configurando o crime de suborno.
A Sinohydro teria pago subornos no valor de US$76,1 milhões entre 2009 e 2018, que supostamente foram entregues em troca de falsos serviços de consultoria, segundo a investigação.
Posteriormente, segundo a Procuradoria, os pagamentos foram canalizados a partir de contas bancárias no exterior, por meio de uma “divisão percentual”, e transferidos para diversos paraísos fiscais e empresas de fachada ligadas ao mesmo núcleo familiar e empresarial.
“Não recebi nem um centavo da Sinohydro, então, por favor, não venham me dizer que sou acusado”, disse Moreno aos jornalistas. “Vim aqui para assumir minha responsabilidade, como homem de honra que sou, para provar minha inocência e a da minha família.”
Moreno, que também ocupou a Presidência do país entre 2017 e 2021, voltou ao país vindo do Paraguai, onde morou nos últimos anos, para enfrentar o julgamento.
(Reportagem de Alexandra Valencia)
Reuters

