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Trump falará com presidente de Taiwan em novo desafio às relações EUA-China

Trump falará com presidente de Taiwan em novo desafio às relações EUA-China

Reuters

20/05/2026

Placeholder - loading - Presidente de Taiwan, Lai Ching-te 20 de maio de 2026 REUTERS/Ann Wang
Presidente de Taiwan, Lai Ching-te 20 de maio de 2026 REUTERS/Ann Wang

Por Bo Erickson e Michael Martina e Trevor Hunnicutt

WASHINGTON, ​20 Mai (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que falará com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, uma atitude sem precedentes para um líder dos EUA que poderia abalar as relações dos EUA com a China.

Os presidentes dos EUA e de Taiwan não se falam diretamente desde que Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim, em 1979.

Pequim nunca renunciou ao uso da força para assumir o controle da ilha governada democraticamente. Ela tem se irritado com o apoio militar de longa data dos EUA a Taiwan para impedir a ação militar chinesa.

'Falarei com ele', disse Trump aos repórteres na Base Conjunta Andrews, em Maryland, antes de embarcar no Air ⁠Force One, quando ⁠perguntado sobre Lai. 'Falo com todo mundo... Vamos trabalhar ​nisso, no ‌problema de Taiwan.'

É a segunda vez em uma semana que Trump diz que pretende falar com Lai, dissipando a especulação inicial de que sua primeira menção ao assunto após o encontro com o líder chinês, Xi Jinping, na semana passada foi um deslize verbal.

Uma ligação entre os líderes ainda não havia sido ⁠agendada, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

A Casa Branca não respondeu imediatamente ​a um pedido de comentário sobre quando essa ligação poderia ocorrer ou o que seria discutido. A ​embaixada da China em Washington também não respondeu imediatamente a um ‌pedido de comentário.

RELACIONAMENTO 'INCRÍVEL' COM ​XI

Autoridades do ⁠governo Trump observaram que Trump aprovou a venda de mais armas para Taiwan do que qualquer outro presidente dos EUA.

Mas ele também tem repetidamente elogiado seu relacionamento com Xi como 'incrível'.

Após a viagem da semana passada a Pequim, Trump disse ​que ainda não decidiu se vai prosseguir com uma grande venda de armas no valor de até US$14 bilhões para Taiwan, aumentando a incerteza sobre o apoio dos EUA à ilha.

Qualquer conversa direta entre os EUA e Taiwan normalmente irritaria a China, que vê a ilha como seu próprio território.

No entanto, a linguagem de Trump tem ​enviado sinais contraditórios a Taipé. Embora Lai tenha recebido com satisfação a chance de falar com Trump, a referência do presidente dos EUA ao 'problema de Taiwan' ecoa a fraseologia de Pequim.

Lai, que é visto por Pequim como separatista, disse nesta quarta-feira que, se tivesse a oportunidade de falar com Trump, ele diria que seu governo está comprometido com a manutenção do status quo no Estreito de Taiwan e que era a China que estava prejudicando a paz com seu maciço aumento militar no Indo-Pacífico.

'Nenhum país tem o direito de anexar Taiwan. O povo de ​Taiwan busca um modo de vida democrático e livre, e a democracia e a liberdade não devem ser consideradas como ‌provocação', disse Lai.

De acordo com a legislação norte-americana, ⁠os EUA são obrigados a fornecer a Taiwan os meios para se defender, e tanto os parlamentares republicanos quanto os democratas pediram ao governo Trump que continuasse com a venda de armas.

Ressaltando a importância estratégica de Taiwan ⁠para os EUA, a ilha de 23 milhões de habitantes é o ⁠quarto maior parceiro comercial dos EUA, atrás da China, ⁠que tem 1,4 bilhão ⁠de ​habitantes. Grande parte desse comércio se baseia em exportações para os EUA de semicondutores avançados, que alimentam a economia global.

Reuters

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