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Um milhão de mulheres perdem acesso à assistência por cortes no financiamento, diz ONU Mulheres

Um milhão de mulheres perdem acesso à assistência por cortes no financiamento, diz ONU Mulheres

Reuters

10/07/2026

Placeholder - loading - Logotipo das Nações Unidas em Nova York   18 de setembro de 2025    REUTERS/Jeenah Moon
Logotipo das Nações Unidas em Nova York 18 de setembro de 2025 REUTERS/Jeenah Moon

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 10 Jul (Reuters) - ​Pelo menos um milhão de mulheres e meninas perderam acesso a apoio essencial à sobrevivência no último ano devido aos cortes na ajuda de doadores globais, segundo revelou um novo relatório das Nações Unidas divulgado nesta sexta-feira.

Quase nove em cada dez organizações de mulheres não conseguem mais atender às necessidades locais, apesar de um grande aumento na demanda desde janeiro do ano passado, após a maior queda já registrada no financiamento da ajuda, segundo o relatório ⁠da ⁠ONU Mulheres.

O governo Trump cortou ​bilhões de ‌dólares em ajuda externa este ano, enquanto outros grandes doadores internacionais também reduziram seus orçamentos de ajuda devido a pressões fiscais e ao aumento dos gastos com defesa. Os EUA eram o maior ⁠doador de ajuda humanitária do mundo.

Cerca de 120 milhões de ​mulheres e meninas precisam de assistência humanitária e proteção em todo o ​mundo. No entanto, 40% das 855 organizações ‌de mulheres pesquisadas ​em países ⁠como Afeganistão, República Democrática do Congo e Haiti correm o risco de encerrar suas atividades temporária ou permanentemente no próximo ano devido à escassez de recursos, ​segundo o relatório.

A maioria das organizações pesquisadas afirmou que não consegue mais atender aos níveis atuais de necessidade, com 60% delas declarando que estão alcançando menos mulheres e meninas do que antes de janeiro de ​2025, apesar do aumento na demanda por seus serviços.

Essa redução está criando lacunas críticas na cobertura humanitária, segundo o relatório, já que essas organizações são, às vezes, os únicos atores capazes de alcançar mulheres e meninas em situação de necessidade.

“Cada dólar retirado das organizações de mulheres é um dólar retirado das sobreviventes de violência sexual relacionada a conflitos, de mães deslocadas, de ​meninas forçadas a abandonar a escola e de comunidades que lutam para sobreviver”, ‌disse Sofia Calltorp, chefe de Ação ⁠Humanitária da ONU Mulheres.

Sessenta e cinco por cento das organizações lideradas por mulheres afirmam que seus funcionários estão trabalhando sem remuneração para manter ⁠os serviços em funcionamento, enquanto metade delas introduziu ⁠listas de espera ou está sendo ⁠obrigada a recusar ⁠mulheres ​e meninas. Mais de três quartos afirmam ter reduzido o número de cargos.

Reuters

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