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Vale vende fatia majoritária na mina de Thompson para consórcio liderado por canadenses

Vale vende fatia majoritária na mina de Thompson para consórcio liderado por canadenses

Reuters

19/02/2026

Placeholder - loading - Mina da Vale em Carajás 8/10/2025 REUTERS/Jorge Silva
Mina da Vale em Carajás 8/10/2025 REUTERS/Jorge Silva

Atualizada em  19/02/2026

Por Divya Rajagopal e Marta Nogueira

TORONTO/RIO DE JANEIRO, 19 Fev (Reuters) - A ​Vale Base Metals (VBM), subsidiária da mineradora Vale , decidiu vender uma fatia majoritária de ativo no cinturão de níquel Thompson, em Manitoba, para um consórcio de compradores, em uma operação que levará à criação de uma nova empresa de níquel no Canadá.

O consórcio de compradores inclui a empresa de exploração Exiro Minerals, com sede em Toronto, a empresa de private equity Orion Resources Partners e o Canada Growth Fund.

A Vale manterá uma participação de 18,9% na nova empresa, que se chamará Exiro Nickel, e assinou um contrato de 'offtake' com ela por cinco anos.

Com a transação, a Vale reduz sua participação no ativo que vinha tendo um desempenho abaixo do esperado, e ainda garante investimentos para recuperar a produção de níquel, importante metal para transição ⁠energética.

O novo consórcio ⁠investirá US$200 milhões na mina, que a Vale ​mantém em revisão ‌estratégica desde o ano passado, devido à queda do preço do níquel para o menor nível em cinco anos, causada pelo aumento da oferta e pela baixa demanda.

'Ainda temos 20 anos de níquel lucrativo pela frente', disse Shastri Ramnath, presidente da Exiro Minerals. Ramnath, que foi nomeado também presidente da recém-criada Exiro Nickel, acrescentou que ⁠a nova empresa precisa ser capaz de produzir níquel quando os preços estiverem baixos e ​permanecer competitiva.

A Vale é uma das maiores produtoras mundiais de níquel, que é usado na produção de veículos elétricos ​e outros bens. A empresa tem como meta uma produção de ‌níquel de 175 mil a 200 ​mil ⁠toneladas em 2026.

'Esses US$200 milhões não estão em nosso bolso; o dinheiro está sendo investido para garantir a competitividade dessa operação no futuro', disse Shaun Usmar, presidente-executivo da Vale Base Metals.

Ele acrescentou que a empresa está apoiando seus novos proprietários para que eles ​não sejam sobrecarregados com responsabilidades herdadas.

O governo canadense considera oficialmente o níquel um mineral crítico.

Os países do G7, incluindo o Canadá, estão correndo para garantir minerais críticos, como cobre e níquel, em um esforço para quebrar o domínio de países como China e Indonésia na produção desses metais.

DIFICULDADE

Em novembro passado, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse à Reuters que ​havia dificuldade de enxergar a mina de Thompson caminhando para um nível de custo desejado pela companhia, e que a empresa estava estudando se haveria um 'melhor dono' para ela.

Uma fonte a par das negociações afirmou à Reuters que, com o negócio, será 'uma operação deficitária a menos' para a companhia.

Em relatório a clientes, analistas do Santander avaliaram o anúncio como positivo, uma vez que está alinhado com a estratégia de otimização de portfólio da Vale e reduz a intensidade de capital e a exposição operacional, ao mesmo tempo em que mantém o fornecimento estratégico por meio do 'offtake'.

'Ao trazer parceiros e assumir uma posição ​minoritária, a Vale reduz compromissos de capital futuros e o risco operacional em Thompson, mantendo ainda a diversificação por meio de ‌sua participação de 18,9%', disseram os analistas.

Em 2025, Thompson ⁠produziu 12 mil toneladas de níquel (+21,2% em relação ao ano anterior) e 1,5 mil toneladas de cobre (-79,2% em relação ao ano anterior), segundo dados do Santander.

O cinturão de níquel de Thompson é um depósito com operações desde 1956. ⁠Os ativos incluem duas minas subterrâneas em operação, uma usina e oportunidades de ⁠exploração.

A conclusão da transação é esperada até o final de ⁠2026, sujeita às aprovações regulatórias ⁠e ​governamentais usuais.

(Por Divya Rajagopal em Toronto e Marta Nogueira no Rio de Janeiro; reportagem adicional de Isabel Teles e Letícia Fucuchima)

Reuters

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