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Viridis avança em financiamento para projeto de terras raras em MG e prevê acordo com Solvay

Viridis avança em financiamento para projeto de terras raras em MG e prevê acordo com Solvay

Reuters

03/09/2026

Placeholder - loading - Terras raras expostas na Viridis 20 de junho de 2026 REUTERS/Tuane Fernandes
Terras raras expostas na Viridis 20 de junho de 2026 REUTERS/Tuane Fernandes

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 3 Set (Reuters) - A mineradora australiana Viridis ​Mining and Minerals já conta com apoio preliminar de financiadores para praticamente toda a dívida de US$314 milhões necessária para desenvolver seu projeto de terras raras Colossus, em Poços de Caldas (MG), e espera começar a receber propostas finais de bancos até o início de outubro, disse o presidente da companhia, Rafael Moreno.

Além disso, a companhia prevê anunciar até o fim deste mês um acordo definitivo de venda de produção ('offtake') e parceria tecnológica com a química belga Solvay, afirmou o executivo em entrevista à Reuters por videoconferência.

A Viridis integra a nascente indústria de terras raras no Brasil, diante da demanda crescente por esse grupo de minerais essenciais -- usados na produção de ímãs permanentes destinados a componentes de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

Na semana passada, a mineradora australiana St George Mining assinou protocolo de intenções com ⁠o grupo brasileiro ⁠Lima & Pergher para centro de processamento de terras raras ​em Uberlândia (MG), com ‌investimento estimado em R$2 bilhões.

Já a Viridis concluiu em agosto o estudo definitivo de viabilidade (DFS, na sigla em inglês) do projeto Colossus, que estimou investimentos de US$449 milhões, sendo US$135 milhões de capital próprio, e entrada em operação comercial em 2028, com capacidade para produzir 2.967 toneladas por ano de óxidos magnéticos de terras raras (MREO).

'Agora que o DFS foi concluído, entregamos ⁠o modelo financeiro aos bancos. Eles estão fazendo suas próprias análises e, no final de setembro ou ​início de outubro, esperamos começar a receber as propostas finais', afirmou Moreno.

Segundo ele, entre os potenciais financiadores está o Banco ​Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quem a companhia mantém discussões consideradas 'muito ‌positivas'. A empresa também mantém conversas ​com agências ⁠de crédito à exportação e instituições financeiras internacionais.

A Viridis anunciou no mês passado a captação de recursos junto a investidores, incluindo brasileiros, em uma operação que, segundo o executivo, garantiu à companhia os montantes próprios necessários para levar adiante o projeto.

'Ficamos felizes em voltar ao Brasil para ​captar recursos e atrair mais investidores brasileiros... E a parte mais empolgante é que agora temos o capital próprio necessário para entregar o projeto', afirmou.

Com os recursos próprios levantados e a conclusão do estudo de viabilidade, a companhia pretende iniciar imediatamente a contratação de equipamentos para a futura operação comercial. A expectativa é anunciar os primeiros pedidos nos próximos dias, afirmou.

'Isso é animador, não apenas para nós, ​mas também para nossos investidores brasileiros. Agora podemos começar a encomendar os equipamentos..., alguns dos nossos equipamentos levam 15 meses para serem fabricados', afirmou.

PARCERIA ESTRATÉGICA

Moreno também disse que a Viridis espera concluir até o fim deste mês as negociações com a Solvay, inicialmente focadas em um acordo de compra da produção futura do projeto, mas que evoluíram para incluir uma parceria tecnológica.

Segundo o executivo, a empresa belga deverá atuar como parceira da Viridis em etapas de separação e extração por solventes, tecnologias consideradas essenciais para o processamento de terras raras e atualmente dominadas por poucos grupos fora da China.

'A relação não será apenas um 'offtake', eles também estão se tornando nosso parceiro técnico', ​afirmou.

Segundo ele, representantes da União Europeia que visitaram recentemente as instalações da companhia no Brasil ficaram impressionados com o estágio de desenvolvimento do ‌projeto e suas credenciais ambientais.

Questionado sobre o que achou da aprovação ⁠pelo Congresso brasileiro da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos na véspera, Moreno afirmou que a iniciativa está alinhada à estratégia já adotada pela empresa de promover maior agregação de valor à produção dentro do país, e disse que a nova legislação ⁠não altera os planos da companhia.

'O governo brasileiro sabe que hoje não existe uma ⁠indústria de terras raras no Brasil', afirmou. 'Isso não afeta o ⁠que estamos fazendo no Colossus, ⁠estamos ​construindo um projeto, produzindo um produto, vendendo-o e contratando milhares de pessoas. Para nós, é vida normal.'

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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