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Volkswagen e Stellantis demonstram confiança nos veículos elétricos com lições aprendidas na China

Volkswagen e Stellantis demonstram confiança nos veículos elétricos com lições aprendidas na China

Reuters

13/10/2026

Placeholder - loading - Jiangming Zhu, fundador, presidente do conselho e CEO da Leapmotor; Emanuele Cappellano, diretor de operações (COO) para a Europa Ampliada e Marcas Europeias e diretor da Stellantis Pro One; Antonio F
Jiangming Zhu, fundador, presidente do conselho e CEO da Leapmotor; Emanuele Cappellano, diretor de operações (COO) para a Europa Ampliada e Marcas Europeias e diretor da Stellantis Pro One; Antonio F

PARIS, 13 Out (Reuters) - Os dois pilares da indústria automotiva europeia, a Volkswagen e ​a Stellantis , aproveitaram o Salão do Automóvel de Paris deste ano para demonstrar uma confiança crescente em seus veículos elétricos, incorporando lições aprendidas com os rivais e parceiros chineses que atualmente estão remodelando seu mercado interno.

Ambas as empresas estão passando por reformulações estratégicas para enfrentar a crescente concorrência dos rivais chineses no mercado europeu, mas os anúncios feitos pela Stellantis na segunda-feira também mostraram mais espaço para colaboração.

O grupo automotivo franco-italiano, cujas marcas na Europa incluem Citroën, Peugeot, Opel e Fiat, está utilizando suas joint ventures com a Leapmotor e a Dongfeng para estudar a vantagem competitiva chinesa em tecnologia, disse o presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, aos repórteres.

“Não concordo totalmente com a visão de que nos faltam capacidades essenciais, mas certamente há áreas em que podemos nos complementar”, disse Filosa.

“Ao trabalharmos juntos e reunirmos nossas equipes de engenharia para entender como fazer as coisas melhor, podemos identificar de onde ⁠vem essa competitividade e ⁠aprender com ela.”

GANHANDO VELOCIDADE COM PARCEIROS CHINESES

A Stellantis firmou uma ​parceria de ‌produção com a Leapmotor no início deste ano e planeja outra com a Dongfeng como parte de uma mudança estratégica sob a liderança de Filosa — parcerias que agora devem se adaptar para atender às futuras regulamentações “Made in Europe”.

A transição da Europa para os veículos elétricos (EVs) acelerou nos últimos meses, impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis e por modelos mais acessíveis, incluindo os da Volkswagen e das ⁠marcas de grande consumo da Stellantis. Ambas estão lutando para defender sua participação de mercado contra empresas chinesas ​que se expandem rapidamente no exterior para compensar uma desaceleração em seu mercado interno.

“Estamos vendo como o BEV (veículo elétrico a bateria) está ganhando ​força de uma forma que não esperávamos há um ano, inclusive em países ‌como Itália e Espanha, onde o ​BEV é ⁠menos adotado”, disse Danilo Annese, presidente-executivo da Leapmotor International, a joint venture liderada pela Stellantis.

A parceria da Stellantis com a Leapmotor inclui um SUV elétrico de tamanho médio que está sendo desenvolvido pela fabricante chinesa de veículos elétricos e pela marca alemã do grupo, a Opel.

“O que estou vendo é uma ​velocidade notável”, disse o presidente-executivo da Opel, Florian Huettl, sobre o projeto, um exemplo raro de uma montadora ocidental recorrendo diretamente a um parceiro chinês para lançar novos veículos no mercado em apenas dois anos.

A Stellantis também apresentou uma série de veículos-conceito em Paris como parte da iniciativa de Filosa para atualizar sua linha de modelos, mas Felipe Munoz, da Car Industry Analysis, disse que a pressão ainda recai sobre a montadora para alcançar ​os chineses em um mercado em rápida evolução. “Eles não precisam de conceitos. Precisam de produção. Agora, não daqui a dois anos.”

ALUNO SE TORNA PROFESSOR

A retomada da Volkswagen também foi fortemente influenciada pela China, que o presidente-executivo Oliver Blume chamou de “academia” para o setor.

No entanto, seus efeitos na Europa têm sido, na melhor das hipóteses, indiretos. A parceria da Volkswagen com a Xpeng concentra-se no mercado chinês, enquanto a cooperação na Europa permanece em grande parte hipotética — uma ideia sugerida anteriormente por Blume para preencher o excesso de capacidade das fábricas, mas para a qual ainda não surgiram negociações concretas.

Uma parceria com os chineses na Europa, por exemplo, ao dar-lhes acesso a fábricas alemãs subutilizadas, também poderia representar riscos, ao ajudar concorrentes a localizar a ​produção na Europa e a cumprir regulamentações destinadas a proteger as montadoras europeias.

Blume afirmou em uma conferência do setor em Paris, na terça-feira, que não via ‌necessidade, no momento, de uma joint venture chinesa na Europa.

“Até ⁠o momento, nos sentimos bem preparados com as oportunidades próprias que desenvolvemos nos últimos anos na China”, disse ele.

Tanto a Volkswagen quanto a Stellantis “estão fazendo parcerias com empresas chinesas de diferentes maneiras”, disse Stefan Bratzel, analista do Centro de Gestão Automotiva da Alemanha.

Enquanto a Volkswagen tem se ⁠concentrado em parcerias na China, a aliança da Stellantis com a Leapmotor está se tornando ⁠uma história de sucesso na Europa, disse ele.

As montadoras europeias agora precisam ⁠aceitar o papel da China ⁠como “professora” ​por um tempo, disse Bratzel. “Durante anos, foram os chineses que aprenderam com os alemães. Agora, esse processo precisa ser revertido.”

(Reportagem de Rachel More e Giulio Piovaccari)

Reuters

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