Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Warsh pode ter dificuldades em estabelecer novas regras para o Fed

Warsh pode ter dificuldades em estabelecer novas regras para o Fed

Reuters

05/02/2026

Placeholder - loading - Sede do Federal Reserve em Washington 12 de outubro de 2016 REUTERS/Kevin Lamarque
Sede do Federal Reserve em Washington 12 de outubro de 2016 REUTERS/Kevin Lamarque

Por Howard Schneider

WASHINGTON, 5 Fev (Reuters) - Nos 15 anos desde que deixou o Federal Reserve, Kevin Warsh tem frequentemente ⁠defendido que o banco central ideal é aquele com a menor pegada possível na economia, focado intensamente no controle da inflação e limitado, em parte, por regras de política monetária, impedindo que os funcionários ajam livremente como 'senhores supremos'.

Mas o indicado pelo presidente Donald Trump para comandar o Fed também reconheceu as realidades complicadas de dirigir uma economia complexa, chamou as regras de política monetária de “aspiracionais”, disse que seria difícil reduzir o balanço patrimonial do banco central dos EUA e, recentemente, apresentou razões como o crescimento da produtividade para justificar a redução das taxas de juros, como deseja o presidente, mesmo com a inflação acima da meta de 2% do Fed.

A questão agora é qual versão de Warsh aparecerá após anos de críticas à margem: o idealista que baseia seu pensamento nas lições aprendidas sobre monetarismo com o falecido Milton Friedman e sobre regras de política monetária com o economista John Taylor durante os estudos de graduação de Warsh na Universidade de Stanford, ou o ex-diretor pragmático do Fed que ajudou a moldar as compras de títulos na era da crise, das quais mais tarde passou a não gostar?

Devido à sua afiliação com Taylor e com a Hoover Institution de Stanford, um centro da corrente que defende um banco central com atuação limitada, Warsh “fala a linguagem” de restrição à presença do ​Fed nos mercados financeiros e de uso das regras pioneiras de Taylor para orientar as decisões sobre os juros, mas ⁠sempre de um ⁠ponto de vista prático, disse Michael Bordo, professor emérito da Universidade Rutgers e membro visitante ilustre da Hoover Institution.

“Eu o vejo seguindo algum tipo de política monetária baseada em regras. ... Mas ele é muito pragmático. Ele entende os mercados. Ele entende de política. Ele seria flexível. Regras com discrição”, disse Bordo. “Ele não vai ficar preso a nada.”

Warsh, 55, será questionado sobre sua abordagem nas audiências de confirmação do Senado dos EUA, que serão agendadas antes de 22 de maio, quando termina o mandato do presidente do Fed, Jerome Powell, como chefe do banco central.

REGRAS “ASPIRACIONAIS”

Haverá muito o que analisar.

Em pesquisas que fez sobre os formuladores de política monetária do Fed, por exemplo, Bordo disse que Warsh é considerado 'hawkish' (duro) em relação à inflação. Ao mesmo tempo, ‌iterações comuns da “regra de Taylor” indicam que a taxa de política monetária atual do Fed, de 3,50% a 3,75%, está correta, com poucos motivos para cortes adicionais.

Para argumentar que as taxas de juros ​ainda poderiam cair, Warsh, se for fiel ao seu passado, precisaria explicar por que as regras deveriam ser deixadas de ‌lado, com sua aposta em um aumento da ​produtividade sendo ​uma possível justificativa.

Em uma palestra na Hoover Institution em maio passado, Warsh disse que os bancos centrais precisavam de limites, argumentando que “a economia não pode prosperar... com um banco central totalmente discricionário e banqueiros centrais agindo como 'senhores supremos'”. No entanto, no mesmo discurso, ele descreveu as regras para limitar essa discricionariedade como “aspiracionais'.

John Cochrane, outro colega da Hoover Institution, disse que uma maneira de resolver a tensão é os formuladores de política monetária estabelecerem as regras que ​acham que devem ser aplicadas, mas explicarem quando se desviam delas.

“Você começa com a regra e depois diz por que quer fazer algo diferente”, disse Cochrane. “Se você quer seguir uma direção mais regrada, esse é o caminho”.

“ANTECIPAR O NATAL?”

Warsh nunca esteve distante do debate sobre política monetária desde que deixou o Fed em 2011, tendo a Hoover Institution como sua base. Com laços sociais com Trump, Warsh quase foi nomeado chefe do Fed durante o primeiro mandato do presidente republicano.

Para aqueles que acreditam que o Fed se tornou muito expansivo, seja em suas participações em títulos ou em seu papel na sociedade, a indicação de Warsh é uma espécie de momento da verdade.

“Ele vai antecipar o Natal?”, disse David Beckworth, pesquisador sênior do Mercatus Center da George Mason University. Beckworth defendeu suas próprias ideias para variações nas regras de política monetária e sobre como o Fed poderia reduzir seus cerca de US$6 trilhões em títulos do Treasury e títulos lastreados em hipotecas.

“É difícil desfazer o sistema atual. Será interessante ver se ele conseguirá fazer isso”, disse Beckworth. “Há um caminho a seguir, mas é longo, passo a passo.”

'CONSTRUINDO A CONFIANÇA'

Warsh disse em maio passado que, se o balanço do Fed tivesse crescido da mesma forma que a economia desde que ele era diretor, hoje seria de cerca de US$3 trilhões. É mais do que o dobro disso e continua crescendo graças à demanda dos bancos por reservas mantidas no banco central.

Warsh disse não ter ilusões sobre a rapidez com que a mudança pode ocorrer, especialmente considerando que o Fed agora usa seu balanço patrimonial para gerenciar sua taxa de juros alvo.

Um sistema diferente de gestão de taxas “levará tempo”, disse Warsh em maio passado. “Não é algo que possa ⁠ou deva ser feito da noite para o dia.”

Ainda assim, ele disse que os bancos poderiam mudar para um novo “regime de liquidez” se fossem orientados pelos formuladores de política monetária.

Os pares de Warsh precisarão ser persuadidos, já que ‌algumas autoridades monetárias rejeitam a ideia de que um grande balanço patrimonial do Fed ⁠seja, por si só, um problema ou leve a distorções nos mercados.

Outros desafios podem vir do enorme déficit federal, da crescente emissão de títulos necessária para financiá-lo e da possibilidade de esse problema entrar em conflito com o desejo de Trump de reduzir as taxas sobre a dívida pública de longo prazo e as hipotecas imobiliárias.

Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial, disse que a abordagem “menos intervencionista” de Warsh também ‍pode implicar taxas mais altas, e a melhor coisa que ele pode fazer para amenizar isso é tranquilizar os mercados sobre sua independência em relação a Trump e seu compromisso com o controle da inflação.

“O que ele precisa fazer é convencer os investidores globais de que há independência, ​estabilidade ‌e construir confiança”, disse Roach. “Se você conseguir convencer os investidores globais de que os títulos do Treasury dos EUA ainda são a melhor opção global sem risco, isso ajudará a proteger qualquer tendência de alta nas taxas.”

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.